Aprender ainda é a melhor ginástica para os neurônios
Pesquisa – 16/03/2008
Aprender a aprender: enquanto se multiplicam sites, jogos e exercícios que prometem turbinar os neurônios, o aprendizado ainda é, para especialistas, a melhor receita de “malhação cerebral”. Segundo médicos e neurocientistas, enquanto jogos como palavras cruzadas, sudoku, quebra-cabeça baseado na colocação lógica de números, ou charadas matemáticas exercitam capacidades específicas do nosso cérebro, o estudo de línguas, aulas de dança, de instrumentos musicais ou mesmo uma boa leitura o protegem de doenças e o ajudam a ficar mais resistente. Tudo isso aliado a boas noites de sono e atividades físicas. Não existe a receita: fazer palavras cruzadas basta. Não basta. O que se sabe que confere proteção, ajuda o cérebro a ficar mais resistente é o estudo de uma maneira geral. O importante é aprender a aprender. Criar o hábito de exigir o seu cérebro”, explica a neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Suzana Herculano Houzel, autora do livro “Fique de bem com seu cérebro”, lançado recentemente pela Editora Sextante. “Se você faz palavras cruzadas, desenvolve o raciocínio espacial com letras, mas é só isso. Se gosta de charadas matemáticas, desenvolve o raciocínio lógico e matemático. Não existe fórmula mágica. Fazer palavra cruzada e sudoku é bom, mas nada disso basta. É legal combinar isso com outras coisas”.Na Oficina da memória, no Rio, há 17 anos a palavra cruzada dá lugar a cursos em que a aprendizagem é estimulada por meio não só de jogos, como também problemas de raciocício lógico e abstrato, desenhos e teatro, entre outras técnicas. E o público-alvo não se restringe à terceira idade: há aulas oferecidas a empresas, adolescentes e crianças. Nesse último caso, o objetivo é estimular o aprendizado de uma forma mais lúdica. “Só exercitar a mente com jogos e exercícios é muito pouco. Nossa proposta é sensibilizar a pessoa para seu aprendizado constante. Não adianta jogar e não cuidar da pressão arterial e do bem-estar físico. Os jogos são válidos, mas se feitos com equilíbrio e variados”, explica Tania Guerreiro, médica geriatra especialista em memória, diretora da oficina.Jogos e cérebro: parceiros de longa data
Para o neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor de pesquisa científica do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte, jogos e cérebro são uma dobradinha antiga. Novo é o computador, que aumentou a complexidade dos jogos. “Não necessariamente são mais eficazes”, explica Sidarta, ressaltando que pensar é sempre bom e jogar é botar o cérebro para funcionar. “Um ponto é se é divertido ou não. Outro aspecto é se aquilo vai causar uma mudança no aprendizado. A pessoa pode ficar muito boa em apertar o mouse do computador, é um aprendizado motor. Isso é bom na vida real? Não, só no jogo. Mas jogar xadrez é melhor do que nada. A pessoa pode se especializar num único jogo e ele ser muito completo”.
Fonte: G1



