Senadores comemoram o Dia da Água
Meio Ambiente – 19/03/2008
A preocupação com diversos aspectos relativos aos recursos hídricos no Brasil, como conservação, saneamento básico, escassez, poluição e até com a transposição de águas do rio São Francisco, marcou ontem os pronunciamentos dos senadores durante a comemoração, em Plenário, do Dia Mundial da Água – que transcorre em 22 de março. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1993. O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, também falou na sessão. Autor do requerimento de homenagem, o senador Osmar Dias (PDT-PR) afirmou que o principal problema do Brasil em relação ao assunto não é a escassez de água, mas, sim, a sua distribuição. Osmar lembrou que o país tem muitos recursos hídricos (12% da água superficial do mundo), como as águas dos rios amazônicos e as do Aqüífero Guarani, contando com 12 bacias hidrográficas. Ele ressaltou a importância da ANA, frisando que a agência tem o papel de fiscalizar e orientar a aplicação da Lei das Águas (9.433/97), que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.Por sua vez, o senador João Pedro (PT-AM) citou um poeta amazônida segundo o qual “o rio comanda a vida”. Ele homenageou em especial o rio Amazonas: “Um caminho de cultura e de grande importância para toda aquela região”. ImpactoO senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) defendeu a utilização ra-cional da água. Disse que a Comis-são de Meio Ambiente, Defesa do Con-sumidor e Fiscalização e Controle (CMA), da qual é presidente, está discutindo o tema e informou que o impacto das mudanças climáticas na gestão dos recursos hídricos vai ser assunto de destaque durante o 5º Fórum Mundial da Água, a ser re-alizado em março de 2009, na Turquia.Para o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), a Amazônia brasileira deve ser bem administrada, para evitar possíveis “intervenções externas” na região. O senador disse que o país precisa também investir mais em pesquisas científicas e tecnológicas sobre a floresta e suas águas. Já Marcelo Crivella (PRB-RJ) observou que “a água só não é mais importante que o ar que respiramos”. O senador lamentou que muitas crianças brasileiras ainda adoeçam e morram por beberem águas contaminadas e comentou projeto de sua autoria sobre a reutilização das águas servidas (PLS 411/07).Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou que “a água é a metáfora da revolta da natureza contra o nosso modelo social e econômico”. Citou as enchentes que atingem anualmente o estado de São Paulo como exemplo dessa revolta.InvestimentosAo final da homenagem, o presidente do Senado, Garibaldi Alves, declarou que a “má distribuição da água afeta de forma dramática o semi-árido nordestino”. Ele defendeu mais investimentos em saneamento básico, o que acarretaria a redução dos gastos com saúde.Também participaram da sessão o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Luciano Zica; o representante da ONU para a Agricultura e Alimentação (ONU-FAO) no Brasil, José Tubino; embaixadores, deputados federais, outros diretores da ANA; o presidente do Banco da Amazônia, Abdias José de Souza; e Bernardo Marcelo Brummer, do setor de Ciência e Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Fonte: Jornal do Senado



