Raizeira representa a batalha diária das mulheres
Dourados – 25/03/2008
Em razão da tradição, do conhecimento popular e da convivência próxima com o povo indígena, conhecedores notáveis dos poderes curativos das plantas, é que as ervas medicinais são muito procuradas, pois remete aos antigos remédios feitos pelas avós.
Ivone Mariano, 56 anos, há dez trabalha na área central de Dourados como vendedora de mais de cem qualidades de raízes, ela diz que o ganho não é muito, em torno de um salário mínimo mês, mas, ela se diz satisfeita pela clientela que têm. “Só de não depender de ninguém para pagar minhas contas, já vale a pena”, afirma.
Moradora da Cohab II, Ivone tem na ponta da língua as ervas que vende: “pau maleitoso, jenipapo, anis estrelado, unha de gato, chá de sete ervas, sucupira, alcachofra, marcela”, as mais vendidas em sua banca. Mas revela aos risos que a campeã de venda, ainda é a catuaba, a mais procurada principalmente pelos homens mais velhos, “as mulheres são mais discretas acho que tem vergonha de pedir esta raiz, mas os homens não fazem cerimônia, chegam logo pedindo” assegura.
A raizeira é viúva do seu primeiro marido, com quem teve dois filhos, mas com a morte de seu companheiro sentiu muita solidão e decidiu dar mais uma chance ao amor casando-se novamente. “Eu amava muito meu primeiro marido, já o segundo era uma pessoa boa, mas não deu certo, não aconselho ninguém a se casar duas vezes, se uma já é complicado, imagine duas”, diverte-se.
Ivone é uma pessoa batalhadora, que apesar de ter estudado até a 4ª série do ensino fundamental, estuda suas raízes em casa, utilizando um livro que explica todos os tipos de ervas medicinais e suas funções. “Se as pessoas pensassem bem só tomariam remédios naturais, que são mais demorados mas curam pra valer, mas a maioria não tem paciência de esperar e acabam achando que minhas ervas não servem para nada, sem saber que o poder de cura delas é muito grande”, desabafa.
A vendedora gosta muito do que faz, porque além de ajudar na cura de outras pessoas, ainda aumenta sua renda, já que também recebe pensão de seu falecido marido. “Quando eu era recém-casada e não trabalhava, comprava só um sapato e usava até gastar tudo, pra depois comprar outro e por no lugar, agora que tenho meu dinheiro posso comprar mais de um”, diz satisfeita.
O que deixa Ivone triste é que seu filho mais novo, com quem mora, tem diversos problemas de saúde, mas não toma seus remédios, “ele começa a tomar, mas como a cura é mais demorada, prefere tomar os de farmácia, eu me sinto mal por saber como ajudar e não adiantar de nada, já que meu filho não faz questão de tomar minhas raízes”.
Mas a vendedora não se abala, “além de vender saúde eu gosto de manter a minha em ordem, tomo meus remédios naturais na minha casa para tratar quando tenho dores, que sempre surgem principalmente pela minha idade”.
Ivone espera que as pessoas acreditem mais no poder de cura de suas raízes e que tenham paciência para concluir o tratamento, pois seus remédios não são agressivos quanto os de drogarias, “eu faço o possível para os clientes se tratarem de forma natural, mas se não quiserem não posso forçar, apenas faço minha parte e continuo meu trabalho todos os dias”, conclui.
Ivone Mariano fica das 7h30 até às 17h30 estacionada na Avenida Marcelino Pires, próximo a Banca do Jaime e os preços das raízes variam de R$ 1,50 a R$ 2,00 o pacote. (Francielle Oliveira)
Fonte: Folha de Dourados



