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André pode apoiar Artuzi

Blog do Valfrido – 01/04/2008

André pode apoiar Artuzi

Se os olhos arregalados de alguns próceres da base aliada do governador André Puccinelli já davam a dimensão da tensão diante do imbróglio político em que vivem, nos momentos que antecediam a famigerada cerimônia de entrega de cheques para a combalida saúde douradense, na Câmara Municipal, imagina como deve estar a pressão dessa gente depois do encontro na casa do vereador Eduardo Marcondes, horas depois, onde se resolveu nada se resolver, por enquanto, mesmo estando aí o prazo para o início das convenções partidárias.
O governador André Puccinelli, que sempre bateu na tecla da indicação do seu candidato a prefeito através de pesquisa – uma forma pragmática de embolar o meio de campo e só enfiar a mão no bolso em último caso – até que estava tranqüilo ao chegar, trazendo os cheques da saúde na mala, admitindo até mesmo a improvável possibilidade de apoiar o deputado Ari Artuzi. “Isso não está em pauta hoje”, disse, calmamente, sem puxar o gatilho da arma com a qual prometeu fuzilar o deputado pedetista. Ora, se não está em pauta hoje, pode estar amanhã. Tratando-se de André Puccinelli, político competente, não tão habilidoso, mas extremamente calculista, não é de se duvidar que seja mesmo Artuzi o seu candidato. E essa possibilidade seria reforçada mais tarde, quando peemedebistas e demos já se refestelavam bebericando scott  “made in Paraguai” na casa de Marcondes, de onde um “demozinho” rebelde tocou para o celular de Ari Artuzi informando que a música mais tocada na festa era uma melodia que de tão surrada quase fura uma das faixas de um long-play de 78 (SETENTA E OITO, isso mesmo!) rotações enviado numa correspondência AR (com comprovante de recebimento) pelos Correios ao governador André Puccinelli. Mesma música que o governador deve ter ouvido durante o vôo de Campo Grande até aqui, que já faz sucesso em Dourados há meses, o que o deve ter levado a algumas reflexões, para aqui ter chegado tão manso e sereno ao ponto de ouvir tantas agressões de estudantes, por exemplo, e não partir para a porrada, como é de seu feitio.
Certamente que a música em 78 rotações, cujas vitrolas em que eram tocadas começavam a sair de circulação quando André Puccinelli aportava como médico cirurgião à barranca do Rio Dourado, em Fátima do Sul, no início da década de 1970, mais os protestos dos estudantes de medicina que teve que engolir em mais um amargo 31 de março, por conta da caótica situação da saúde douradense, devem ter motivado o governador a usar o argumento da pesquisa para lhe apontar um rumo no processo de escolha do candidato, ganhando tempo, assim, para aquela que talvez seja a decisão mais difícil de todas as que já tomou na política, ou seja, a de engolir um sapo chamado Ari Artuzi, também de olhos bem arregalados durante a confusão que estabeleceu na Câmara por conta de uma situação que até agora o tem como o único beneficiário. Dos males o melhor, pelo este sapo não é barbudo como aquele (Lula) que Brizola, um dos artífices daquele 31 de março de triste lembrança de 44 anos atrás, teve que engolir no alvorecer destes novos tempos de democracia. Não por coincidência uma das palavras mais usadas ontem por Puccinelli durante o embate com os estudantes foi democracia.
Diante disso tudo, a assertiva do título deste comentário não deve ser encarada como uma daquelas manjadas pegadinhas de primeiro de abril, dia da mentira. Pode ser verdade.
  

Fonte: Folha de Dourados

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