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Alta de preço do trigo encarece pão

O pão francês e outros produtos à base de farinha devem sofrer aumento de até 12% nos próximos dez dias

Pão de cada dia – 05/04/2008

O café da manhã do douradense está encarecendo. Além do pãozinho, que deve sofrer novo reajuste em torno de 12%, o leite, derivados e embutidos também ficaram mais caros nas últimas semanas, de 5% a 15%.
A queda na oferta da farinha de trigo e três subsequentes altas de preços da saca de 50 quilos, nos últimos 60 dias, devem forçar o repasse do custo ao consumidor. O administrador de uma panificadora, Edvaldo Leite Dias Edvaldo, diz que o setor vem tentando manter os valores para não sobrecarregar a clientela, que já está pagando mais caro pelo quilo do pão, desde o último mês. No entanto, não descarta novo reajuste.
O produto, que em certos pontos do país custa em torno de R$ 8,5 o quilo, pode ser encontrado com uma diferença grande de preço em Dourados onde, em média, sai por R$ 6,00 a R$ 6,50 em algumas padarias.
A redução da área plantada de trigo no Brasil, em função do alto custo de produção e a falta de incentivo ao produtor, como também pela dificuldade de importar da Argentina, que produz para atender ao mercado interno, está inviabilizando o mercado.
Panificador há 20 anos, José Roberto Ribeiro Pinto lembra que há oito anos o Mato Grosso do Sul chegou a exportar o grão para outros Estados. Mas a área plantada vem encolhendo e o consumo aumentando por conta da elevação econômica das classes sociais mais baixas. “Acredito que, por mais que se esforce, será muito difícil segurar o preço do pãozinho, que deve sofrer uma elevação entre 10% a 12%”, calcula.
Nos últimos dois meses, o mercado arcou com reajustes seriados da saca do trigo que passou de R$ 56,00 para R$ 82,00; alta de 46,5%. Neste meio tempo, o quilo do pão saltou de R$ 5,50 para R$ 6,50.
“As recentes altas da farinha chegaram em má hora, devido ao aumento dos salários”, acrescenta o panificador. Ele calcula que o produto representa 30% do custo final; o restante é encargo com a mão-de-obra, embalagem e a demanda de energia elétrica que, conforme lembra o comerciante, em Mato Grosso do Sul é a mais cara do país. “Equivale a cerca de 5% de todo faturamento de uma padaria em qualquer outro Estado; mas aqui (MS) chega a 7%”, diz.
A vendedora Ângela Araújo, funcionária de um moinho de Dourados, diz que a empresa ainda tem estoque de trigo nacional, argentino e paraguaio, garantido até outubro ou novembro. Ela acredita que o produto deve sofrer novo reajuste, em torno de 33% neste mês de abril, o que acena para uma alta da saca da farinha para depois da segunda quinzena deste mês, e consequentemente do pão, biscoitos, bolachas, macarrão, entre outros alimentos.

Fonte: O Progresso

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