Menina sofria espancamentos diariamente em Ponta Porã
Policial – 14/05/2008
Menina sofria espancamentos diariamente em Ponta Porã
A menina de 12 anos que era mantida presa e espancada pela mãe de criação em Ponta Porã sofria agressões diariamente, segundo contou aos conselheiros tutelares da cidade. As agressões eram a socos, com golpes de rodo e até facadas. Diante o flagrante da criança com ferimentos graves, Káthia Elizabeth Cristaldo, de 23 anos, a mãe de criação da menina, disse que “perdeu a cabeça”.A denúncia sobre cárcere privado e tortura da criança partiu de vizinhos que, revoltados, disseram que invadiriam a casa se o Conselho Tutelar não fosse lá ontem.Tanto a criança quanto a mãe de criação são paraguaias. A mãe da menina, que também é paraguaia, deu ela a Kátia sob a promessa de que ela iria estudar, segundo relatou a menina à polícia. Porém, não foi o que aconteceu. Como ficou o tempo todo trancada dentro de casa, a criança perdeu a noção de tempo. Vizinhos da casa onde ela estava morando, em Ponta Porã, disseram que elas chegaram em dezembro do ano passado.A princípio Káthia morava com o esposo e, segundo a menina, ele não permitia que ela batesse na menina, mas quando eles se separaram começaram as sessões de tortura. Como a mulher sempre tentava agredir a criança no rosto e ela se protegia com os braços, ambos estão com muitas marcas, inclusive cortes de faca. Há também marcas de facadas nas costas e na cabeça. Muitos hematomas estão espalhados pelo corpo da menina e há uma marca de soco no olho esquerdo. A garota fazia todos os serviços de casa e ainda cuidava dos três filhos de Káthia, um bebê de sete meses, uma menina de quatro anos e um menino e dois anos. Quando não cumpria uma tarefa como Káthia esperava era espancada. Ela conta, por exemplo, que quando errava o tempero do arroz era agredida com golpes de faca.A criança está sob tutela do Conselho Tutelar, no Centro de Referência Especializada de Assistência Social, recebendo acompanhamento psicológico. A Polícia Civil indiciou Khátia por tortura qualificada, por se tratar de adolescente, e, se condenada, ela pode pegar até oito anos de reclusão. Agora o desafio é encontrar os pais biológicos da menina no Paraguai. Segundo a criança, há muito tempo ela não via a mãe e ela não sabia que a filha estava sendo vítima de maus tratos. Se isso ficar comprovado a guarda pode ser restituída aos pais.
Fonte: Folha de Dourados



