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Cirurgia perigosa extrai tumor raro que fazia criança menstruar

– 14/05/2008

Grace Webster, uma menina de três anos, está estendida na mesa de operação – um corpo pequenino e aparentando frio. Ela veste apenas uma fralda, e seu cabelo loiro está revolto. Os olhos azuis de Grace contemplam, sem se fixar, as imensas máquinas que a cercam, estendendo tentáculos na direção de seu corpo. As máquinas orientarão o trabalho dos cirurgiões que penetrarão 10 centímetros em seu cérebro. Grace teve sua primeira menstruação aos 14 meses. O corpo dela sofre mais de 10 convulsões ao dia, e algumas delas são imitações bizarras de acessos de raiva ou riso.
A fonte de todas as suas dificuldades é um hamartoma hipotalâmico, ou HH, um tumor do hipotálamo encontrado em apenas alguns poucos milhares de pacientes no mundo. E embora o tumor não seja maligno, até cinco anos atrás era considerado incurável, mesmo nos casos em que os médicos, intrigados, conseguissem localizá-lo. As cirurgias para resolver o problema eram arriscadas e em larga medida ineficientes. Os medicamentos tampouco ajudavam muito. Muitas das crianças que sofrem da doença viviam internadas.
Agora, graças a um procedimento cirúrgico inovador, dezenas de crianças foram curadas nos dois centros que se especializam no tratamento dessa doença, em Melbourne, Austrália, e no Instituto Neurológico Barrow, aqui em Phoenix.
São oito da manhã de 20 de abril de 2007, e na mesa de cirurgia do Barrow uma enfermeira e um anestesiologista especializado em cirurgias neurológicas estão tentando encaixar a máscara anestésica na boca da paciente.
Ela resiste. O rosto da menina fica avermelhado, e ela começa a chorar ruidosamente. Um dos braços dela se fecha em torno de seu cachorrinho de pelúcia, o outro se estende em direção à porta enquanto ela chama por Erica, sua mãe.
A máscara por fim é colocada, e a barriga de Grace se move ritmicamente enquanto o anestesiologista injeta o gás em seu corpo. A enfermeira insere tubos na boca, nos braços, nos dedos dos pés, nas costas e na uretra da menina. (Agora parece que Grace está criando tentáculos.)
A paciente é conduzida em um carrinho a uma sala vizinha para passar por uma ressonância magnética especializada. O exame produz uma imagem de alta definição, integrada a um sistema de rastreamento que orientará os cirurgiões na operação do tumor. Os médicos registrarão imagens do cérebro de Grace ao longo de toda a cirurgia, identificando com precisão os locais em que as principais estruturas cerebrais se encontram. As imagens magnéticas também revelarão o tamanho exato do tumor.
“É grande, e perigoso”, diz o anestesiologista, Dr. Steven Shedd. Com 3,23 centímetros de extensão, o tumor tem tamanho semelhante ao de uma bola de pingue-pongue. Ele se estende do hipotálamo e ocupa boa parte da cavidade vizinha.
O hipotálamo é um dos coringas do cérebro. Ele mantém o corpo em sua situação estável, regulando a temperatura, pressão sangüínea, equilíbrio de fluidos e digestão. Também controla o apetite, a agressividade e o embaraço, o que explica a estranha combinação de sintomas de um hamartoma.

Fonte: Folha de Dourados

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