Fotógrafos ambulantes resistem à modernidade tecnológica
Cotidiano – 19/05/2008
O mercado de produtos eletrônicos cresce num passo acelerado e oferece aos consumidores facilidades de pagamento para que estes estejam sempre atualizados, principalmente quanto à revolução das máquinas fotográficas e celulares com câmeras, dessa forma, os profissionais ambulantes da fotografia buscam resistir de qualquer forma a essa demanda descontrolada dos tempos modernos.
Há cerca de 30 anos atrás máquina fotográfica era privilégio de poucos. Hoje as facilidades estão tão próximas de qualquer pessoa que tem loja oferecendo máquina digital por R$ 300, com parcelas em até 24 vezes.
A antiga tradição das fotos de binóculo tiradas pelos tradicionais lambe-lambes caiu no esquecimento e passaram a fazer parte da uma história lá do passado.
O fotógrafo ambulante Josué Ferreira Medeiros, há mais 30 anos passa de casa em casa acompanhado da Duda e do Romário, um jumento e um carneiro que a curtos passos passam de casa em casa oferecendo os serviços e servem de cenário fazendo assim a alegria da criançada pelas cidades que visitam no interior do estado.
Quando passam pelos bairros as crianças costumam gritar “Olha, mãe, o homem do carneiro e do burro!”, e ficam eufóricas para ter uma foto que hoje custa cerca de R$ 10 cada.
O cuidado com os animais é diário, disse o fotógrafo que os alimenta com pasto e ração e dá descanso para os bichos no dia da entrega das fotos. “Dourados é uma cidade de povo receptivo e quando venho para cá com o Duda e o Romário as pessoas das casas param para oferecer água, num gesto de carinho e preocupação com os bichinhos”, disse emocionado.
Natural da Paraíba, Josué mora na capital, Campo Grande, desde 1972 e uma vez por ano vem a Dourados para tirar fotos a domicílio das crianças com seus animais. “Hoje a procura caiu bastante, já houve épocas melhores em que se ganhava dinheiro com isso. Mas o problema é que nós fomos esquecidos, desde que surgiram os jovens com as máquinas fotográficas modernas e as lojas. As lojas, essas sim, são nossas concorrentes e tiram o pão da boca da gente”, lamentou Josué que fatura por mês um pouco mais de um salário mínimo.(Bárbara Palomanes)
Fonte: Folha de Dourados



