Energéticos são ligados a comportamento de risco entre jovens
Pesquisa – 29/05/2008
Energéticos são ligados a comportamento de risco entre jovens
Os pesquisadores da saúde identificaram um novo e surpreendente fator de previsão para o comportamento de risco entre adolescentes e jovens: as bebidas energéticas. As bebidas energéticas com teor elevado de cafeína, vendidas sob marcas como Red Bull, Full Throttle e Amp, dispararam em popularidade nos últimos 10 anos. Cerca de um terço das pessoas entre os 12 e 24 anos de idade nos Estados Unidos declaram consumi-las regularmente, em um mercado que movimenta mais de US$ 3 bilhões ao ano no país.A tendência vem sendo causa de crescente preocupação entre os pesquisadores de saúde e autoridades educativas. Em todo o país, o uso dessas bebidas foi vinculado a náuseas, arritmias cardíacas e passagens por pronto-socorros. Em Colorado Springs, diversos alunos de segundo grau adoeceram, no ano passado, depois de beber Spike Shooter, uma bebida com alto teor de cafeína, levando o diretor da escola a proibir sua venda. Em março, quatro alunos de ginásio no condado de Broward, Flórida, recorreram ao pronto-socorro com palpitações cardíacas e suores depois de beber Redine, outra das bebidas energéticas.Em Tigard, Oregon, este mês, professores enviaram uma carta aos pais alertando-os que estudantes que levam bebidas energéticas à escola estavam “literalmente bêbados de cafeína e depois ficavam sonolentos quando o efeito da bebida passava”. Novas pesquisas sugerem que as bebidas estão associadas a uma questão de saúde muito mais preocupante do que os efeitos enervantes da cafeína: a propensão a correr riscos. Em março, a revista científica Journal of American College Health publicou um relatório sobre o vínculo entre bebidas energéticas, prática de esportes e comportamento de risco. A autora do estudo, Kathleen Miller, que pesquisa questões relacionadas ao vício na Universidade de Buffalo, afirma que os resultados sugerem que o alto consumo de bebidas energéticas está associado a um perfil de comportamento rotulado como “atleta tóxico”, que envolve diversas formas arriscadas e agressivas de comportamento, entre as quais sexo sem proteção, abuso de substâncias e violência. A conclusão não é a de que as bebidas causem mau comportamento. Mas os dados sugerem que o consumo regular de bebidas energéticas pode representar um sinal de alerta para os pais no sentido de seus filhos têm maior probabilidade de assumir riscos com relação à sua saúde e segurança. “Parece que as crianças que usam as bebidas energéticas mais pesadamente têm mais probabilidade do que as demais de assumir riscos e praticar ousadias”, disse Miller. A Associação Americana dos Fabricantes de Bebidas afirma que seus membros não comercializam as bebidas energéticas com mensagens que as dirijam especificamente aos adolescentes. “A audiência visada é composta por adultos”, disse o porta-voz Craig Stevens. Ele diz que o esforço de marketing se dirige a “pessoas que tenham dinheiro para pagar o preço de US$ 2 a US$ 3 dessas bebidas”. Elas incluem diversos ingredientes, em diferentes combinações: estimulantes vegetais como o guaraná; ervas como gingko e ginseng; aminoácidos e vitaminas. Mas o principal ingrediente ativo é a cafeína.O teor de cafeína varia. Uma porção de 350 ml de Amp contém 107 miligramas de cafeína, ante 34 a 38 para porção semelhante de um refrigerante. O Monster apresenta 120 miligramas, e o Red Bull 116. O mais alto do espectro, o Spike Shooter, tem 428 miligramas de cafeína em uma porção de 350 ml, e o Wired X344 contém 258 miligramas de cafeína.Stevens aponta que as bebidas energéticas “convencionais” muitas vezes contêm menos cafeína que uma xícara de café. No Starbucks, o conteúdo de cafeína varia a depender da bebida, de 75 miligramas em um cappuccino de 350 mililitros a até 250 miligramas em um café do mesmo volume.Uma preocupação quanto às bebidas energéticas é que, porque são servidas frias, podem ser consumidas mais rápido e em porções maiores do que o café quente, que costuma ser bebido em pequenos goles. Outra preocupação é a crescente popularidade da mistura entre bebidas energéticas e álcool.A adição de cafeína pode fazer com que os usuários de álcool se sintam menos bêbados, mas sua coordenação motora e tempo de reação visual são tão prejudicados como quando bebem álcool sozinho, de acordo com um estudo publicado na edição de 2006 da revista científica Alcoholism: Clinical and Experimental Research.”A pessoa está tão bêbada quanto, mas desperta”, disse a Dra. Mary Claire O’Brien, professora associada nos departamento de medicina de emergência e serviços de saúde pública no Centro Médico Batista da Universidade Wake Forest, em Winston-Salem, Carolina do Norte. O’Brien pesquisou o uso de bebidas energéticas e álcool entre universitários de 10 instituições de ensino superior na Carolina do Norte. O estudo, publicado este mês na revista científica Academic Emergency Medicine, demonstrou que os estudantes que misturavam bebidas energéticas e álcool ficavam duas vezes mais bêbados do que aqueles que consumiam apenas álcool, e corriam duas vezes mais risco de sofrer ferimentos ou requerer tratamento médico em função de suas bebedeiras.As pessoas que misturam álcool e bebidas energéticas têm mais probabilidade de perpetrar ou sofrer agressões sexuais. O efeito se manteve mesmo depois que os candidatos começaram a separar os participantes da pesquisa em função do volume de álcool consumido.As empresas que produzem bebidas energéticas dizem que não encorajam a combinação entre seus produtos e álcool. Michelle Naughton, porta-voz da PepsiCo, fabricante do Amp, diz que “nossa expectativa é de que nossos consumidores desfrutem do produto responsavelmente”.
Fonte: Folha de Dourados



