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Cesta básica subiu 4,2% em Campo Grande no mês de maio

Economia – 03/06/2008

As contas de percentagem não fazem parte da vida de Maria Aparecida, 73 anos. Mas para ela nem precisa conhecer a fundo a matemática para saber que o salário de aposentada está ficando cada vez menor frente aos preços dos produtos que ela mais consome em casa: arroz, feijão, pão e macarrão. Em maio, por exemplo, ela teve que desembolsar 4,22% mais para conseguir levar para casa os 15 itens da cesta básica alimentar e 2,64% com a familiar, que tem 45 produtos em relação ao mês de abril.
Se na prática, Maria Aparecida não compreende as percentagens, quando estas são traduzidas em números, ela tem idéia do quanto tem gasto para se alimentar. Em abril, a cesta básica alimentar custou a ela R$ 195,49 e mês passado chegou a R$ 203,74. Já a cesta familiar, a mais completa, custou R$ 894,03 em maio, quando era R$ 871,03 em abril.
A aposentada também não entende o porquê da alta dos alimentos e tenta burlar a instabilidade para manter o prato cheio, ou ao menos, manter o prato. “Eu troco, compro mais mandioca, reduzi a carne, faço isso”. A crise alimentar resulta de problemas e todos os países, queda de produção, problemas climáticos, redução no plantio, etc. “Só que a gente pensa que isso pode durar”, preocupa-se a dona de casa Irene Moreira, 45 anos.
Na mesa, 15 dos dez produtos mais utilizados na casa do campo-grandense sofreram alta. A batata subiu 18,20%; o tomate 17,34%, o arroz 15,38%. Também houve aumento no preço do macarrão (11,64%), da carne (10,64%), açúcar (10,37%), pão francês (7,99%), sal (4%), leite (1,44%) e banana (0,49%).
A boa notícia é que começou ser registrada queda no preço do feijão (-9,11%), óleo (-7,58%), margarina (-7,58%), alface (-3,91%) e laranja (-3,58%). Segundo a Secretaria de Planejamento, que faz a pesquisa, a oferta da batata no mercado em maio foi restrita devido ao período de entressafra, o que gerou um aumento de preço (18,20%). Pelo terceiro mês consecutivo, o preço do tomate registrou alta (21,69%), isso se deve a uma queda da produtividade devido a fatores climáticos adversos, o que também atrasou a safra.
É pela alta de alguns alimentos que a substituição é conjugada em casa. Irene Moreira diz que tenta mudar a forma de preparo dos pratos. “Eu por exemplo, faço só o macarrão quando é o jantar. Compro as frutas e verduras mais baratas na promoção e quando está caro eu não compro mesmo”. A receita é aplicada também por Alzira Silva, 65 anos, que só não abre mão do básico, independente do preço. “Tem que ter o meu arroz e feijão”.
Mãe de um filho pequeno, Rosimeire Santos, 26 anos, explica que mesmo diante de preços altos, às vezes é complicado para a dona-de-casa fazer cortes. “Ele precisa”. A mesma situação vive Dalete Gutierres. “O queijo estava R$ 8 e pouco. Mas é para fazer o lanche deles. Não pode abrir mão de alguma coisa para filho que estuda”. Casada e mãe de dois filhos, ela destaca que nem sempre é simples fazer concessões na hora de substituir alimentos por versões mais em conta.
O jogo de cintura do consumidor pode ser reduzido em breve. O menos é o que espera o empresário Edílson Duarte, 36 anos, 19 deles atuando no setor alimentício. “É uma crise que surpreende porque há 5 anos vivíamos um momento de estabilidade. Mas acredito que nos próximos dias as coisas devem mudar porque o pão, por exemplo, já baixou, assim como os demais produtos à base de farinha de trigo”.
Mas além dos alimentos, os demais produtos, como higiene e limpeza, também entram na compra do mês. Neste ponto, outra boa notícia, o grupo Higiene Pessoal registrou um decréscimo de -1,31%. O preço do papel higiênico caiu 3,93%, do absorvente 3,52% e da lâmina de barbear 2,39% registraram queda.
Houve queda também no preço do sabão em pó (-2,98%), da água sanitária (-2,36%), esponja de aço (-1,28%) e detergente (-1,11%). Os que apresentaram aumento de preço foram: cera em pasta (4,67%), sabão em barra (3,03%) e desinfetante (2,12%).

Fonte: Folha de Dourados

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