Embrapa estimula a agroecologia na Semana do Meio Ambiente
– 06/06/2008
Como parte da X Semana do Meio Ambiente e XII Eco Dourados, eventos dos quais a Embrapa Agropecuária Oeste, empresa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é parceira desde as primeiras edições, a unidade local contribuiu também com mini-cursos. Um deles iniciou-se ontem (quinta feira) e termina hoje, em uma das salas da Universidade Anhanguera, com duração de oito horas. O tema é “Agroecologia: Estratégias para a Conservação e Melhoria Ambiental”, cujo palestrante é o pesquisador Milton Parron Padovan, que é doutor em Agronomia-Ciência do Solo. O público alvo é urbano e diversificado, mas conta com a participação de agricultores, acadêmicos e professores. A expectativa é que os professores reforcem o processo de conscientização sobre as estratégias para que os agricultores desenvolvam a agroecologia no dia-a-dia. A abordagem é a agroecologia, que é uma ciência que compreende várias ciências, porém está sendo discutido a sua prática no setor agropecuário. “(…) É o foco principal enquanto pesquisador da Embrapa: trabalhar sistemas de produções diversificados, implementar práticas e estratégias para que esses sistemas de produção sejam equilibrados ecologicamente, para que não haja necessidade de se utilizar agrotóxicos e adubos químicos de alta solubilidade (…)”. O pesquisador disse que a Embrapa já vem estudando técnicas visando à melhoria do solo e a recuperação da biodiversidade nos sistemas de produção agroecológicos, para que cada vez mais a atividade rural fique independente ou o menos dependente de insumos adquiridos ou vindos de fora e inseridos na propriedade rural. O pesquisador explicou que há uma influência muito grande do processo de mecanização, de utilização de produtos químicos diversos ao longo das últimas décadas, o que facilitou o desenvolvimento da agricultura em grande escala, resultando em expressivo aumento de produção no geral, mas também trouxe uma série de problemas ambientais, sociais, econômicos e até de saúde pública. “(…) O maior desafio é que se criou a cultura de tirar toda a diversidade dos sistemas naturais e quando se passa a trabalhar a agricultura, troca-se imediatamente pela monocultura, seja qual for a cultura, soja, milho, feijão, trigo, pastagem, cana, enfim, trocando radicalmente a biodiversidade por monoculturas, criando uma nova situação ambiental onde fica muito difícil conduzir uma produção mais harmônica com o ambiente (…)”. Padovan reconhece que há evoluções, como exemplo o Sistema Plantio Direto que representa um avanço fantástico, “mas esses sistemas ainda estão biologicamente e ecologicamente bastante degradados e fica muito difícil construir uma base de equilíbrio. Então há sempre a necessidade de se utilizar muito adubo químico e principalmente muito agrotóxico (…)”. A agroecologia não tem nada a ver com a monocultura. Na agroecologia, um dos princípios básicos é a diversificação de cultivos, criações e de toda a paisagem numa propriedade rural, então, de certa forma, ela contrapõe o modelo predominante, “mas não uma contraposição de maneira radical e sim uma contraposição no sentido de uma alternativa mais harmônica com o ambiente, trabalhar de uma maneira mais harmônica com solo, com os recursos hídricos e ao mesmo tempo trabalhando a recuperação da biodiversidade (…)”, concluiu o pesquisador.
Fonte: Folha de Dourados



