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Aliados de Biasotto e de Murilo buscarão votos de Artuzi na periferia

Favoritismo inicial do candidato do PDT deve ser neutralizado por Lula, Laerte Tetila e João Grandão, do PT; e Puccinelli e Bela do PMDB

Equilíbrio à vista em Dourados – 01/07/2008

Existem dois tabus políticos para serem quebrados nas eleições municipais deste ano em Dourados: a derrota inédita do candidato do governador do Estado e uma disputa desigual para a Prefeitura com três candidaturas muito fortes. A julgar pela definição do quadro no final de semana, é perfeitamente razoável diagnosticar que o favorito até então nas pesquisas de consumo interno dos partidos, Ari Artuzi (PDT), não baterá tão facilmente os tabus e não vencerá, pelo menos com folga as eleições de 5 de outubro.
Com um inegável respaldo popular na periferia de Dourados, algo que conseguiu com um trabalho exclusivamente clientelista, Artuzi verá milhares de seus votos escorrem pelas mãos quando o prefeito Laerte Tetila e o ex-deputado federal João Grandão saírem de braços dados com o candidato petista Wilson Biasotto pelas ruas periféricas. 
A dupla Tetila-Grandão tem muita garrafa vazia pra vender para o povão. Através de emendas federais, com contrapartida municipal, foram construídas mais de 2 mil casas e feitos mais de 150 quilômetros de asfalto, parques, escolas, creches entre outras obras que beneficiaram as camadas populares. Além disso, o PT tem os programas sociais de Lula pra vender. E mais: os governos de Tetila e Lula têm ampla aprovação do eleitorado.
Em outro flanco, de olho no eleitorado de Artuzi e com reais possibilidades de abocanhar boa parte dele, está Murilo Zauith, do DEM. De posse de pesquisa qualitativa, escolheu, junto com o governador André Puccinelli, a ex-deputada Bela Barros, do PMDB, para ser sua vice.
Realmente, não existia para Murilo vice melhor do que Bela Barros. Afinal, foi com uma política assistencialista que construiu bem sucedida carreira política, como vereadora e deputada. Na eleição passada, por exemplo, assustou e ameaçou a reeleição de Tetila obtendo mais de 42 mil votos para prefeita. Muitos dos votos que hoje estão nas mãos de Artuzi, já pertenceram a Bela e ela pretende recuperá-los.
O poderio político de Puccinelli também é ameaçador para Artuzi. Não foi à-toa que lançou R$ 82 milhões de obras em Dourados, embora grande parte dos recursos tenha origem federal. Com parcimônia, mas com certeza o governador não abrirá mão dos programas sociais do estado e do grande contingente de funcionários públicos, principalmente dos comissionados para favorecer a candidatura de Murilo.
Portanto, é nítida a tendência de equilíbrio no cenário eleitoral de Dourados. É evidente que para isso acontecer será necessária competência dos coordenadores do DEM-PMDB e do PT-PSB, além de uma pitada de incompetência da coligação PDT-PR. Entretanto, a reversão do quadro depende fundamentalmente do empenho dos candidatos, tanto a prefeito como a vereador.
É ainda importante ressaltar que tanto Murilo quanto Biasotto tendem a conquistar a grande parcela de indecisos do eleitorado, notadamente nas classes média-alta e média, onde Artuzi tem muita dificuldade dada a sua origem humilde e de baixa escolaridade. (José Henrique Marques)

Fonte: Folha de Dourados

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