Laudo atesta que cabo do Exército tentou subir em caminhão
Polícia – 10/07/2008
Laudo atesta que cabo do Exército tentou subir em caminhão
Laudo atestou que o cabo do Exército Leonardo Sales da Silva tentou subir no caminhão F4000 conduzido pelo peão Fagner Gonçalves e acabou preso pelo pé, sendo arrastado por cerca de 15 quilômetros. O documento será anexado ao processo e pode ser responsável pela mudança de classificação de homicídio doloso para culposo (sem intenção de matar). O acidente aconteceu na madrugada de sábado, 7 de junho, durante uma festa de peão no bairro Dom Antônio Barbosa. Testemunhas dizem que Fagner fazia manobras antes de sair e atropelou o militar. Ele teria sido avisado, mas fugiu. Fagner Gonçalves se entregou no dia 10 de junho e disse que não sabia que havia atropelado alguém. Três hipóteses eram investigadas pela Polícia Civil: Leonardo Sales teria sido atropelado de frente; teria sido atingido no momento em que o motorista deu ré no veículo e a terceira, levantada pela perícia, a de que o cabo do Exército tentou subir no caminhão, perdeu o equilíbrio e ficou preso no eixo. Segundo Emerson Lopes Reis, um dos peritos que assina o laudo, foram descartadas as duas hipóteses de atropelamento frontal e a de que o rapaz teria ficado preso após a ré. “Era fisicamente impossível parar naquela posição caso fosse atropelado de frente”, diz Reis, explicando que, caso Leonardo Sales fosse atingido de frente, teria caído de costas, com a cabeça voltada para a frente do caminhão. A perícia constatou que o rapaz ficou preso atrás. “Ele teria que fazer uma volta de 180º debaixo do caminhão para poder enganchar o pé daquele jeito no eixo, não teria como”, avalia. A possibilidade de que o cabo do Exército teria sido atingido quando o veículo foi engatado de ré foi avaliado pela perícia com base no relato de Fagner Gonçalves que disse várias vezes que não tinha visto a vítima e que o atropelamento teria acontecido quando tentava fugir de uma discussão. Novamente, por conta da posição em que o pé ficou preso, seria fisicamente impossível que o acidente tivesse acontecido nesse momento. Das três hipóteses levantadas, apenas a terceira se sustenta: a de que Leonardo Sales tentou subir no caminhão pela lateral e foi surpreendido quando Fagner Gonçalves movimentou o veículo. O cabo do Exército perdeu o equilíbrio, caiu e ficou com o pé preso entre o eixo de mola da roda traseira. Segundo o perito, isso reforça a versão de que o peão tentou fugir do cerco formado pelas pessoas que estava no rodeio e para impedir, alguns tentaram subir no veículo. Segundo a assessoria da Polícia Civil, o inquérito já foi relatado pelo delegado Márcio Custódio e não há como fazer qualquer alteração na classificação de homicídio doloso para culposo. Nessa fase do processo, somente o Ministério Público Estadual (MPE) pode fazer a mudança, o que se denomina adição da denúncia. A promotora responsável pelo caso, Luciana Amaral Rabelo, não foi encontrada para comentar o resultado do laudo da perícia. Na denúncia oferecida pelo MPE para a 2ª Vara do Tribunal do Júri, Fagner Gonçalves foi enquadrado por homicídio doloso, pois houve o entendimento de que o peão assumiu o risco de provocar o acidente: ele não tinha habilitação para conduzir o caminhão F4000 e estava com o veículo no bairro Dom Antônio Barbosa, em uma festa de rodeio, sem o consentimento do dono do carro. O peão também alega que não viu que havia atropelado o militar, mas depois que foi avisado, retirou o corpo do rapaz das ferragens do carro e fugiu, o que também foi considerado um agravante.
Fonte: Folha de Dourados



