Crescimento da doença alerta país para campanha de imunização
Dourados não apresentou nenhum caso de rubéola em 2007, mas participará da campanha visando vacinar quase 64 mil pessoas
Rubéola – 22/07/2008
Dourados não apresentou nenhum caso de rubéola em 2007, mas participará da campanha visando vacinar quase 64 mil pessoas
O crescimento dos casos confirmados de rubéola em todo o país nos últimos dois anos tem assustado os brasileiros, principalmente as gestantes ou as mulheres que desejam engravidar.
Segundo o Ministério da Saúde, em 2005, 351 brasileiros estavam infectados pela doença e este número aumentou expressivamente em 2007, chegando a 8.156 casos de infecções por rubéola. Em Dourados nenhum caso foi registrado em 2007.
A rubéola é uma doença infecciosa causada por um vírus chamado de Togaviridae e é transmitida pelo ar através da respiração. A doença geralmente tem evolução benigna e atinge principalmente as crianças, mas pode ocorrer em adultos não imunes.
A infecção pelo vírus durante a gravidez pode resultar em aborto, parto prematuro ou má-formação do feto. A doença não apresenta grandes riscos para adultos ou crianças, mas o quadro se inverte quando uma mulher grávida de infecta, o vírus ataca o feto e pode causar má-formação, surdez, cegueira e retardo mental, explica a pediatra Dra. Marina Barros.
As epidemias de rubéola ocorrem em ciclos de seis a 10 anos, sendo que sua incidência é bem maior na época do inverno e da primavera. O ser humano é o único hospedeiro natural do vírus e a doença geralmente ocorre apenas uma vez na vida. O período de transmissão da rubéola começa uma semana antes e vai de cinco a sete dias após o aparecimento das manchas avermelhadas na pele.
Os sintomas são bem parecidos com os de uma virose comum, inclusive a gripe, como febre, dores nos músculos e articulações, dores de cabeça, corrimento nasal, o surgimento de ínguas e posteriormente, manchas na pele que duram cerca de três dias e desaparecem sem deixar seqüelas.
Por ter os sintomas confundidos com outras infecções, o diagnóstico clínico da rubéola geralmente é mais complexo. Para um diagnóstico mais preciso é necessário recorrer a exames sorológicos, já que metade dos casos de rubéola não apresenta qualquer manifestação clínica, afirma Dra. Marina.
Portanto, para que se obtenha um tratamento adequado, é necessário procurar um médico que pode prescrever analgésicos para febre e dores articulares, quando intensas. Com relação a criança contagiada, recomenda-se o isolamento de contato em escolas e creches por sete dias após o aparecimento dos sintomas. O infectado deve permanecer longe de gestantes que estejam no primeiro trimestre da gravidez, informa a pediatra.
Campanha de vacinação
Como a melhor maneira de prevenir a rubéola é a imunização, acontece de 9 de agosto a 12 de setembro, a maior campanha de vacinação gratuita do mundo, com o objetivo de imunizar 70 milhões de pessoas, na tentativa de erradicar a doença.
Somente em Dourados terão que ser vacinadas quase 64 mil pessoas, com idade entre 20 e 39 anos (exceto as gestantes), com meta de 100%. Na semana passada, o secretário municipal de Saúde, João Paulo Esteves, seguiu para Campo Grande onde debateu o assunto com gestores de todo o Estado. Foi na Capital também que os técnicos passaram por um treinamento.
A superintendente de Vigilância em Saúde de Dourados, Silvia Bosso, informou que ainda estão sendo montadas estratégias para atingir o público alvo, com diferentes pontos de vacinação e horários. A estratégia deverá focar a família, já que essa campanha vai coincidir com a segunda etapa nacional de vacinação da poliomielite, explicou a superintendente.
A vacina já faz parte do calendário infantil por meio da tríplice viral, juntamente com as vacinas do sarampo e caxumba, porém um reforço deve ser aplicado na fase pré-puberal.
Vale ressaltar que há contra indicação da vacina em gestantes. As mulheres em fase de procriação que recebem a vacina não devem engravidar nos 30 dias subseqüentes, pois pode ocorrer a infecção do feto, explica Dra. Marina. É contra-indicada também nos pacientes com doença ou terapêutica imunossupressora (leucemias, linfomas, doenças malignas disseminadas, uso de corticoesteróides, antimetabólicos, radiação) e indivíduos que receberam sangue ou seus derivados nas três semanas anteriores. (Francielle Oliveira)
Fonte: Folha de Dourados



