Dr. Hoshida: Impunidade não!!!
Campanha mobiliza sociedade contra o descaso do poder público; inquérito policial está parado
Mobilização – 04/08/2008
“A justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”. Essa frase de Rui Barbosa chama a atenção em um documento abaixo-assinado de iniciativa de familiares do médico Eidi Hoshida, 63 anos, que foi vitima de um grave acidente no centro da cidade, nos primeiros minutos do dia 02 de outubro de 2007. Conceituado e muito querido pela longa folha de serviços prestados a comunidade, o drama do cirurgião comove a sociedade douradense.
Naquela madrugada, Hoshida retornava à sua residência pela Rua Monte Alegre, que é uma via preferencial, depois de jogar tênis num clube da cidade. No cruzamento com a Rua João Cândido Câmara seu carro foi violentamente atingindo por uma camionete, dirigida pelo acadêmico Ricardo Korb, de 18 anos, que segundo os familiares do médico, não tinha carteira de habilitação.
Com o impacto, o médico teve traumatismo na base do crânio, costelas quebradas e perfuração nos pulmões, entre outros ferimentos. Em estado gravíssimo foi levado a São Paulo-SP, onde ficou internado 25 dias no Hospital Albert Einstein. “Hoje ele não fala, não anda e se alimenta através de sonda”, conta a esposa, Marluce Hoshida.
“Passados mais de 10 meses, até o momento não foram ouvidas testemunhas, perícias não foram feitas e o Inquérito Policial está parado. Tudo parece caminhar para a impunidade e o descaso do Poder Público”, afirma o documento que está mobilizando a sociedade douradense contra a impunidade ao médico.
O objetivo da mobilização com milhares de assinaturas de cidadãos douradenses é “sensibilizar os secretários de Justiça, Segurança Pública, o diretor-geral da Polícia Civil e até mesmo o governador com este descaso que está acontecendo em Dourados”, esclareceram os familiares, que querem providências urgentes.
A família denuncia que não foi feita perícia no local do acidente, vistoria nos veículos e nem exame de corpo de delito nos envolvidos na tragédia. “Até mesmo o rapaz fora resgatado do interior do Hospital Evangélico por familiares”, diz a esposa do médico.
Contra Ricardo Korb, que é natural de Maracaju, há testemunho de um soldado do Corpo de Bombeiros que viu duas camionetes fazendo “racha” na Avenida Presidente Vargas e entrando pela contramão na Rua Ponta Porã. “Pouco depois ele ouviu o barulho provocado pelo impacto entre os veículos”, disse o sobrinho da esposa da vítima, Pedro Ernesto Rangel Alves.
De acordo com Marluce e Pedro Ernesto, que estiveram na redação da Folha na sexta-feira, a delegada responsável pelo caso, Fernanda Felix Carvalho, tem alegado falta de estrutura para dar prosseguimento ao inquérito policial. “Com o descaso do poder público praticamente prescreveu a possibilidade de enquadrá-lo no crime de lesão corporal culposa”, lamenta Pedro Ernesto, que é acadêmico de Direito, em Vitória-ES.
A delegada foi procurada pela reportagem do jornal, mas não foi encontrada. Segundo informações obtidas no 1º Distrito Policial ela encontra-se de licença e só retorna a Dourados na semana que vem.
“Não podemos conviver e nem aceitar mais esta grande sensação de injustiça, praticada à sociedade”, desabafa Marluce, que lutará para que o acusado seja condenado por dolo eventual e assim, ser julgado por júri popular.
Por outro lado, em dezembro a família de Eidi Hoshida conseguiu uma liminar na Justiça, antecipando a tutela numa ação civil pela reparação de danos físicos, patrimoniais e morais. O acusado foi obrigado a pagar 45 salários mínimos por mês de pensão alimentícia, já que o médico era o provedor da família.
Entretanto, embora o acusado tenha recorrido e perdido no Tribunal de Justiça em fevereiro passado, “até agora não depositou um centavo em nossa conta”, afirma Marluce, que vem tendo dificuldade financeira para cuidar do esposo e da família.
Outras informações sobre a mobilização podem ser obtidas através do e-mail [email protected]. (José Henrique Marques)
Fonte: Folha de Dourados



