Panfletagem sobre amamentação acontece amanhã em Dourados
Banco de Leite do município ressalta o apoio e incentivo à mulher seguindo o slogan nacional
Praça Antônio João – 08/08/2008
Começou na sexta-feira passada (01) e prossegue até semana que vem, a 17ª Semana Mundial de Amamentação, que teve sua versão nacional até ontem (07), numa parceria entre o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria. O tema deste ano foca a importância do apoio à mulher que amamenta, com a frase: Nada mais natural que amamentar. Nada mais importante que apoiar.
Dourados também contou com ações relacionadas à Semana de Amamentação. Segundo a nutricionista Tailci Cristina da Silva, que atua no Hospital da Mulher como responsável técnica pelo Banco de Leite, a semana contou com palestra educativa para os agentes comunitários e acadêmicos da área de saúde. No dia 9 de agosto, na Praça Antônio João, acontecerá uma distribuição de panfletos informativos, a panfletagem seria no sábado passado (02), porém teve que ser transferida devido ao mau tempo, explicou Tailci.
Na segunda-feira (11), será a vez das gestantes receberem orientações sobre o processo de amamentação e sua importância. A amamentação desde o nascimento é fundamental para a mãe, para o bebê e para a sociedade, pois cria um vínculo afetivo e além de ser uma forma de transmitir amor, tem o poder de salvar vidas, ressalta a nutricionista. Muitas mulheres acreditam que o leite materno não é suficiente para saciar a fome do bebê, porém, segundo a nutricionista elas não precisam se preocupar, o leite materno é completo e contém todos os nutrientes necessários ao bebê até os seis meses, portanto até essa idade não é necessário complementar a alimentação com água ou chás, salienta Tailci.
O ginecologista e obstetra, Dr. Antônio Marinho Falcão Neto, responsável médico pelo Banco de Leite do Hospital da Mulher e presidente do Comitê de Mortalidade Materna, explica que o objetivo é fortalecer a rede de apoio a mãe, tirando a imagem de que o banco de leite funciona somente como coleta. Temos um papel social, queremos não apenas informar, mas apoiar e incentivar a amamentação, demonstrando que isto é possível mesmo a distância, no caso das mães que trabalham, promovendo ainda a troca de experiências com outras mães, explica Dr. Falcão.
Segundo o obstetra, outro fator preocupante diz respeito ao percentual de aleitamento materno, que em Mato Grosso do Sul corresponde a apenas 60 dias, sendo que o ideal seria no mínimo até os seis meses do bebê. Esta situação melhoraria com uma mudança legislativa aumentando a licença maternidade, porém, enquanto isto não acontece, com novos profissionais no Banco de Leite estamos dando todo o apoio e incentivo para que as mães não troquem o aleitamento materno por um leite artificial, afirma.
As mães douradenses apóiam a campanha de amamentação e estão conscientes da importância que o leite materno representa à saúde de seus filhos. A vendedora autônoma, Tatiana Maria Cerveira Tetila, mãe de dois meninos e grávida de 9 meses do terceiro filho, comprovou em suas experiências anteriores a importância do aleitamento materno desde o nascimento. Meus dois filhos eu amamentei desde o nascimento até os dois anos de idade, nunca dei outro leite que não o materno e eles não tiveram nenhum problema de saúde, porém quando tentei deixar de amamentar um dos meus filhos ficou internado pela primeira vez, explica. Muitas mulheres reclamam que a correria diária de quem trabalha fora acaba impedindo uma amamentação mais prolongada em termos de idade, porém, para a vendedora isto nunca foi empecilho. Hoje sou autônoma, mas já trabalhei em outras empresas e nunca deixei de amamentar por isso e sempre tive apoio, porque a saúde dos meus filhos vem em primeiro lugar, afirma.
Apesar de ainda estar grávida de quatro meses do primeiro filho, Ana Paula Rocha, servidora pública, 27 anos, já pensa em seu nascimento e diz que não liga para a vaidade, já que muitas mulheres deixam de amamentar com receio das mudanças estéticas no seio, e que com certeza vai amamentar seu bebê desde o início e tem total apoio de seu esposo. Quero amamentar pra estabelecer o primeiro contato de carinho com o bebê, além disso, o leite materno é mais saudável e gratuito, enquanto os artificiais são muito caros, assegura.
O leite começa a descer gradualmente nas primeiras 36 horas após o parto e aumenta consideravelmente nos dias subseqüentes, porém, é possível que haja um pequeno atraso devido a uma cesárea ou a um trabalho de parto difícil. Segundo o Ministério da Saúde, o ideal para aumentar a quantidade de leite o mais rápido possível é colocar o bebê para sugar o seio o quanto antes.
Em nenhum momento tive dificuldade ou falta de leite, tanto que amamento até hoje e pretendo continuar, pois sei que o leite materno é saudável e previne muitas doenças, afirma a dona-de-casa Ana Paula de Oliveira Mendes, mãe de uma bebê de oito meses. Já no caso de Aliny Fernandes foi diferente, tive uma infecção no seio, causando rachadura e sangramento, o que me impediu de amamentar, pois causava dor, desconforto e ainda deixava minha filha com fome, explica a mãe de uma garota de um ano de idade. Não tive escolha, não tive condições de amamentar e precisei utilizar o leite artificial, porém, se fosse possível queria amamentar minha filha até os dois anos, lamenta.
Importância do Colostro
A amamentação é de extrema importância para a saúde do bebê, diminui as chances de ter diarréia, pneumonia, que são responsáveis por grande parte da mortalidade infantil, diabetes, doenças alérgicas e inclusive câncer, além de promover aproximação com mãe, segundo informações do Ministério da Saúde.
Pode começar a amamentar imediatamente após o nascimento do bebê, pois ao ser colocado nos braços da mãe, o bebê começa a procurar pelos mamilos seguindo um instinto natural. Nos primeiros dias o que as mamas secretam é chamado de colostro, um líquido amarelo e mais denso que o leite maduro, que apesar de ser secretado apenas em pequenas quantidades, já é suficiente para o bebê e contém tudo o que ele necessita para os primeiros dias. É o colostro que dará a primeira imunização para proteger a criança contra maior parte das bactérias e vírus, pois contém mais anticorpos e mais células brancas que o leite maduro.
O colostro é também rico em fatores de crescimento que estimulam o intestino imaturo a se desenvolver, preparando-o para diferir e absorver o leite maduro, impedindo ainda, a absorção de proteínas não digeridas. Se o bebê recebe leite de vaca ou outro alimento antes do colostro, estes alimentos podem lesar o intestino e inclusive causar alergias. O colostro é laxativo e auxilia a eliminação do mecônio (primeiras fezes).
Números
A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), divulgada no início de julho de 2008, mostrou que 43% das crianças são amamentadas na primeira hora de vida no Brasil, 99% são amamentadas no primeiro dia de vida e 40% das crianças menores de seis meses recebem exclusivamente o aleitamento materno. Se levado em conta o tempo de duração, a região que mais amamenta é a Centro-Oeste e a Norte seria a lanterninha no ranking nacional.
Contra-Indicação
São poucas as situações em que o recém-nascido não pode receber o leite materno. Embora não seja uma prática em todos os países, no Brasil, as mães portadoras do vírus HIV não devem amamentar seus filhos. Segundo Lílian Córdova, assessora técnica para assuntos relacionados ao aleitamento materno, o leite até poderia ser oferecido ao bebê se, antes, fosse pasteurizado, o que eliminaria o vírus. Passaria a ter a mesma qualidade do leite dos bancos do produto existentes nos hospitais, em que todo leite materno doado é pasteurizado antes de ser servido aos bebês.
Mesmo com a perda de algumas propriedades, ainda assim é muito melhor que qualquer outro leite que não o da mãe, garante a assistente. Hoje, no País, 1% das gestantes é portadora do HIV. Além delas, as mães usuárias de drogas, principalmente as injetáveis, não devem amamentar os filhos. As substâncias são passadas à criança por meio do aleitamento. (Francielle Oliveira)
Fonte: Folha de Dourados



