QUE
Opinião – 18/08/2008
QUE É SER UM INTELECTUAL?
*Oslon Carlos Estigarribia Paes de Barros
**Enio Ribeiro de Oliveira
Assim que tomou posse pela segunda vez (2004), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva afirmara, em seu discurso, que não poderia errar. Dizia, naquela ocasião, que todos poderiam errar, menos ele.
Lula referia-se ao seu passado, um passado de retirante, de um menino que deixou o nordeste “em riba” de um caminhão, junto com a família, para tentar a sorte em São Paulo, cidade cruel com quem não tem aonde cair morto. Em São Paulo quem é pobre tem que ter muita sorte para não morrer nas ruas, abandonado, ignorado e desprezado.
A história do presidente já é conhecida: o menino, filho de lavradores, nascido no sertão de Garanhuns, Pernambuco, fez o que pôde para sobreviver. Foi engraxate, pediu ajuda nas ruas, foi ambulante até conseguir seu primeiro emprego em uma tinturaria. Ganhou dinheiro, buscou a sua profissionalização no Serviço Nacional de Aprendizagem (SENAI), escola de ensino técnico e industrial. Formou-se torneiro. Como? Trabalhando durante o dia, comendo quando tinha dinheiro e estudando até altas horas da noite.
Conheceu o desemprego, a fome e a miséria de perto. Perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em uma fábrica na região do ABCD, em São Paulo. Sua vida, a partir do momento que ingressou na indústria Villares, como torneiro mecânico, depois de muita dificuldade, começou a mudar.
Mas Lula entendeu muito rápido que não bastava ser um bom profissional. Deveria fazer a luta sindical e política para transformar o País. Em função do contexto em que ingressou na luta sindical é um dos dirigentes sindicais mais importantes de toda a história brasileira.
Lutou contra a ditadura militar, foi preso, insistiu na luta e conquistou junto com os metalúrgicos vários direitos trabalhistas. Mais do que isso: fez emergir um sentimento de luta, nunca visto antes, no seio da classe trabalhadora brasileira. Nos anos 70, quando imperava a tortura, o rancor e ódio ao pensamento de esquerda municiado pelo Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (D



