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Realidade indígena pode ser mudada com eleições

Só este ano a Reserva indígena está sendo representada por cinco candidatos a vereador.

Eleições 2008 – 20/08/2008

A Reserva Indígena de Dourados, com aproximadamente 13 mil habitantes, mesmo com os maciços investimentos dos últimos anos, ainda convive com uma situação de extremas necessidades com muitas carências nos setores de saúde e infra-estrutura, por exemplo. Essa realidade é considerada cruel por muitos antropólogos e historiadores, porém, segundo os cientistas sociais, é totalmente reversiva.
E como as mudanças passam necessariamente pela política, a realidade atual poderia começar a ser regredida com a eleição de um ou dois vereadores, já que nas duas aldeias que compõe a Reserva existem cerca de cinco mil índios eleitores, o suficiente para formar uma bancada na Câmara Municipal.
Só este ano a Reserva indígena está sendo representada por cinco candidatos a vereador: Teodora Benites (PT), Wilson Mattos (DEM), Capitão Ramão (PMDB), Elisabete Moreira (DEM) e Capitão Renato (PRB). Na história da política de Dourados nunca houve um indígena eleito, mas este ano devido ao grande número de representantes indígenas o quadro pode mudar. Em pleitos eleitorais passados os votos dos indígenas acabaram pulverizados entre as dezenas de candidatos que lá fazem campanha.
Segundo a subprocuradora geral da República em Dourados, Déborah Duprat, a Reserva abriga grupos étnicos cuja origem nunca lhes permitiu entre si maiores afinidades. “É uma excrescência dentro de um quadro de direitos, de autodeterminação, de soberania dos povos indígenas. E não é uma situação isolada, mas sim que se reproduz em outras tantas áreas”, disse ela.
Em 2004, o candidato eleito para administrar Dourados, Laerte Tetila (PT) teve exatamente 2.060 votos na Reserva Indígena, Bela Barros (PDT), 598 e Zé Roberto (Prona), 26, sendo que 294 foram votos nulos e 58 em brancos.
Dentro da Reserva existem hoje vários projetos para auxiliar a construção da cidadania. Um exemplo é o convênio que existe desde 1999 entre a Unigran e Funai, que realizam através do NAM (Núcleo de Atendimento Multidisciplinar) projetos de formação, extensão, estudos e pesquisas nas áreas do conhecimento junto à comunidade indígena.
Os governos federal, estadual e municipal também investiram bastante na Reserva nos últimos seis anos, como a construção de casas, escolas, posto de saúde, rede de abastecimento de água e energia elétrica, açudes para criação de peixes, preparo da terra para o plantio, entre outras melhorias. Atualmente está sedo construída uma vila olímpica.
Hoje, grande parte dos jovens indígenas fala em terminar o segundo grau e, muitos já estão se inscrevendo para concursos públicos, porque se sentem em melhores condições de competir no mercado de trabalho. São trabalhos nestes padrões que podem ajudar a formação de consciência para que o índio tenha voz na Câmara de Vereadores de Dourados. (Aliny Fernandes)

Fonte: Folha de Dourados

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