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Acidentes caíram 24% na Capital após Lei Seca, diz pesquisa

Geral – 22/08/2008

Pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada hoje, aponta redução de 24,58% no número de acidentes de trânsito em Campo Grande no comparativo entre os trinta dias imediatamente posteriores e anteriores à implantação da Lei Seca, que proíbe dirigir após o consumo de bebidas alcoólicas. O levantamento se baseia em informações do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de 26 capitais do país. O decréscimo, no entanto, não é indicativo de melhoria no trânsito, que ainda enfrenta o problema do comportamento de risco dos condutores, segundo adverte o coordenador do Samu em Campo Grande, José Eduardo Cury.
O levantamento do Ministério da Saúde considera os acidentes ocorridos nos trinta primeiros dias da lei (de 20 de junho a 19 de julho) e os acontecidos em igual intervalo imediatamente anterior (de 21 de maio a 19 de junho) em 26 capitais brasileiras. Após a Lei Seca, o Samu atendeu o total de 10.146, queda de 14,86% frente aos 11.918 atendidos pelo Serviço nos trinta dias antes da Lei Seca.
Em Campo Grande, os acidentes reduziram de 484 para 365 – o que corresponde a uma queda média diária de 16,13 para 12,16 ocorrências. Em números relativos, essa redução é de 24,58%, a quarta maior do país, ficando atrás de São Luís (28,57%), Belém (56,10%) e Manaus (67,87%).
Em sete capitais (Porto Velho, Belo Horizonte, Goiânia, Teresina, Florianópolis, Vitória e Palmas), no entanto, o número de acidentes aumentou no mesmo comparativo e, em uma cidade (Cuiabá), a quantidade de ocorrências se manteve estável.
Em comentário sobre a redução geral da quantidade de acidentes nos trinta primeiros dias depois da Lei Seca, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, salientou que, além de poupar vidas, o dispositivo colabora para a diminuição dos gastos com o tratamento de vítimas em unidades de saúde. Ele calcula, com base em estimativa do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas) que a redução de 10% no número de vítimas representa economia de R$ 500 milhões.
Comportamento de risco
Se, por um lado, o menor consumo de bebida alcoólica ajuda na redução dos casos de acidentes, por outro, o comportamento de risco dos motoristas impulsiona a elevação das ocorrências. A advertência é do coordenador do Samu em Campo Grande, José Eduardo Cury.
Segundo Cury, a queda no número de acidentes só não é mais significativa, porque muitos condutores – destacadamente os motociclistas – têm comportamento de risco no trânsito da Capital. “Muitos motociclistas falam ao celular ou fumam enquanto conduzem ou usam sapatos inadequados”, exemplifica. O coordenador lembra, ainda, que há motociclistas que chegam a carregar, de uma só vez, duas crianças e uma mulher. 
“Outro comportamento de risco é não ocupar o lugar correto na via pública”, completa. Segundo ele, é comum que motociclistas andem sobre a linha que divide as faixas das vias e não atrás ou na frente de outros veículos.
Cury enfatiza que também motoristas incorrem a comportamentos de risco no trânsito, mas que isso é mais problemático entre motociclistas. Salienta, ainda, que não observa o mesmo problema entre os mototaxistas. “Os mototaxistas já não agem dessa maneira. Por exemplo, quando toca seus celulares, comumente, eles param para atender”.
O comportamento de risco amortiza a melhoria que pode vir do menor consumo de álcool. “Não adianta muito se a pessoa pára de beber, mas continua com comportamento de risco. Enquanto agir assim, a tendência é voltar a aumentar os casos de acidentes”, avisa.

Fonte: Midiamax

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