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Puccinelli articula para encerrar a carreira política de Murilo Zauith

Perdendo ou ganhando a Prefeitura de Dourados, Murilo jamais será candidato ao Senado; uma derrota em 5 de outubro pode significar o fim

Eleições 2008 – 04/09/2008

Uma notícia estampada na página três na edição do Correio do Estado da quarta-feira da semana passada chamou a atenção da opinião pública. Com o título “André quer se livrar logo de Murilo Zauith”, a matéria lembrou um acordo amarrado em 2006, onde Murilo (DEM) abriu mão de postular uma vaga no Senador em favor de Marisa Serrano (PSDB), que acabou eleita. Em troca, aceitou ser vice de Puccinelli (PMDB), com a condição de que teria apoio irrestrito do governador nas eleições de 2010, quando serão disputadas duas vagas para o Senado Federal.
            Na época, especulou-se através da imprensa e dos bastidores políticos que esse acordo dificilmente seria cumprido e que lá na frente Puccinelli iria se livrar de Murilo elegendo-o prefeito de Dourados. Os acontecimentos dos últimos 18 meses provaram esse prognóstico, tanto é que o vice-governador é candidato para suceder o prefeito Laerte Tetila (PT).
            A rigor, Puccinelli aplicou um golpe de mestre em Murilo, que ganhando ou perdendo a Prefeitura de Dourados jamais será candidato ao Senado, que é seu grande objetivo político. Vencendo, não reunirá condições políticas para abandonar o cargo com apenas dois anos de mandato, já que a população se sentiria traída. Derrotado, não terá cacife eleitoral para postular o Senado, pois ficará fragilizado e desmoralizado de seu principal reduto.
            Entretanto, também é verdade que Puccinelli ficará fortalecido com Murilo na Prefeitura de Dourados, já que provavelmente disputará a reeleição ao Governo do Estado. As rédeas nas mãos do principal município do interior significam uma poderosa “fábrica de votos”.
            Ocorre que Puccinelli foi incapaz de abortar a candidatura do deputado estadual licenciado, Ari Artuzi (PDT), tido como a grande ameaça nas pretensões de Murilo no pleito de 5 de outubro. O governador foi, no mínimo, inábil ao apadrinhar a filiação do deputado federal Geraldo Resende ao PMDB, numa cerimônia pomposa que afrontou Artuzi, até então candidato único peemedebista. Antevendo uma “rasteira”, Artuzi migrou para o PDT com a garantia de que seria candidato a prefeito – como é.
            Ao tirar Murilo do páreo, Puccinelli ficou liberado para cumprir o compromisso que tem com seu partido: assegurar as candidaturas ao Senado para o PMDB, através do deputado federal Waldemir Moka e do senador Valter Pereira, que é cotado como candidato natural à reeleição. Os dois deverão ter como principais adversários o senador petista Delcídio do Amaral (reeleição) e o ex-governador Zeca do PT.
            Se perder a eleição para Artuzi ou Biasotto (PT) restará para Murilo cumprir o mandato de vice-governador até o final de 2010 e depois voltar pra casa e cuidar de seus negócios particulares, já que dificilmente terá vontade política e prestigio eleitoral para tentar voltar à Câmara Federal ou à Assembléia Legislativa, as opções que lhe restarão. (José Henrique Marques)

Fonte: Folha de Dourados

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