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Militar argentino é preso no Brasil

Policial – 18/09/2008

Uma equipe de policiais federais da representação da Interpol no Rio de Janeiro prendeu ontem pela manhã um ex-major do Exército argentino acusado de cometer crimes contra a humanidade durante a ditadura militar em seu país. Norberto Raúl Tozzo, 63 anos, foi detido às 10h em um hotel na Zona Sul do Rio, que vinha sendo observado pelos policiais havia dois dias.Segundo a Interpol, Tozzo estava registrado com nome falso no estabelecimento há pelo menos uma semana, sem nenhuma documentação. No momento da prisão, ele não teria reagido, mas se mostrou surpreso.Norberto Tozzo é acusado de comandar, em 13 de dezembro de 1976, um grupo de militares que seqüestrou e fuzilou 22 militantes políticos opositores do regime militar, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Margarita Belén, em alusão à cidade argentina onde ocorreu o fuzilamento dos prisioneiros políticos. Os militantes foram assassinados após terem sido retirados da prisão da cidade de Resistência em caminhões do próprio Exército.QUINZE DESAPARECIDOSDos 22 mortos, apenas 7 tiveram os corpos devolvidos às famílias. Os outros 15 nunca foram encontrados. Na época, o Exército argentino justificou o massacre como um enfrentamento entre grupos “subversivos” rivais. O episódio acirrou os ânimos da população local, o que deu mais força ao movimento que acelerou a derrocada militar e levou ao poder o presidente Juan Perón.Em outubro de 2004, o governo argentino pediu a prisão de dez militares acusados de participar do massacre de Margarita Belén. Todos eles foram presos, menos Tozzo, que fugiu para o Brasil. Desde então, o ex-major passou a viver na clandestinidade, sem qualquer documentação, até ser descoberto pela Interpol. Os investigadores não souberam dizer há quanto tempo Tozzo residia no Brasil, ou que tipo de atividade desempenhava nos últimos anos. Ele estava foragido desde abril de 2005, quando um juiz federal argentino expediu mandado de prisão nacional e internacional. Ainda segundo a Interpol, Tozzo será conduzido ao presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, onde aguardará uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua extradição para a Argentina, o que deverá acontecer nos próximos dias.

Fonte: Capitan Bado

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