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Uso repetido de pílula do dia seguinte é perigoso

Saúde – 22/09/2008

As adolescentes que estão abusando do uso da pílula do dia seguinte (como revelado por uma pesquisa do Portal Educacional) estão correndo um grande risco de engravidar e de sofrer problemas de saúde. O contraceptivo de emergência não é para ser usado repetidas vezes. A taxa de eficácia diminui e a carga de hormônio exagerada pode causar vômitos e  sangramentos. “O termo ‘pílula do dia seguinte’ poderia até ser considerado errado”, explicou ao G1 o médico ginecologista Júlio Bernardi. Isso porque o medicamento não funciona da mesma maneira que o anticoncepcional convencional. “É uma grande quantidade de hormônio que é usado para antecipar a menstruação ou impedir o óvulo de ser fecundado”, afirma. O uso da medicação é recomendado apenas em casos especiais. Por exemplo, quando a camisinha estoura ou um comprimido da pílula convencional é esquecido sem a mulher perceber. Ela também não oferece proteção alguma contra doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. A alta carga de hormônios no organismo (entre seis e 20 vezes a mais que um comprimido de contraceptivo comum) tem vários efeitos. Se a mulher ainda não ovulou, a pílula retarda a liberação de um novo óvulo. Se a ovulação já ocorreu, ele acelera a descamação do endométrio (a camada que recobre o útero para receber o óvulo fecundado e cuja descamação é a causa da menstruação). Além disso, a medicação também “engrossa” o muco vaginal – para dificultar a passagem dos espermatozóides. Existem dois tipos principais de “pílulas do dia seguinte”. O primeiro são dois comprimidos, que precisam ser tomados com 12 horas de intervalo. O segundo é em uma única dose. Os dois tipos precisam ser consumidos não mais que 72 horas após a relação sexual desprotegida – e quanto mais rápido melhor. Quando usado corretamente e uma única vez, a taxa de eficácia é alta, por volta de 98%. Mas o uso repetido diminui essa eficiência. “Há uma taxa que fica entre 2% a 20% ou 30% de falha. Então não é um método que possa ser usado como contracepção de rotina”, diz Bernardi.
Quanto mais vezes se usa a pílula do dia seguinte, maiores as chances de ela não funcionar. E maiores os riscos para a saúde. “Ela pode ter náusea, vômitos, fadiga, sangramentos. É uma quantidade muito grande de hormônios”, alerta o médico. O ciclo menstrual geralmente se desregula e demora muito para voltar ao normal. Sem o uso da camisinha, o risco de engravidar aumenta. “Ela foi idealizada como uma emergência. Há muita gente que não se preocupa em usar um método de barreira ou hormonal e recorre a isso como contracepção. Não é. O próprio nome que usamos, intercepção, significa interrupção”, afirma ele. 

Fonte: Folha de Dourados

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