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Livro patrocinado pelo FIP analisa a imagem poética de ‘Vida Cachoeirinha’

Dourados – 09/10/2008

Livro patrocinado pelo FIP analisa a imagem poética de ‘Vida Cachoeirinha’

O livro “Vida Cachoeirinha” do escritor Nicanor Coelho, publicado em 1991 é o tema de um estudo realizado pela professora Danieli Tavares, que atualmente cursa Mestrado em Educação na UFGD. Neste estudo a autora faz uma análise da imagem poética dos versos de Vida Cachoeirinha além de comentar as denúncias, reflexões e memórias propostas no livro de Nicanor Coelho.
         O trabalho de Danieli resultou no livro “Imagem poética: um estudo acerca de suas denuncias, reflexões e memórias em Vida Cachoeirinha”, editado com recursos do Fundo de Investimentos à Produção Artística e Cultural de Dourados (FIP) criado pela Prefeitura de Dourados e administrado pela Fundação Cultural e de Esportes (FUNCED).

         O livro teve sua primeira apresentação na noite de quarta-feira (08/10) no anfiteatro da unidade II da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). A obra também foi apresentada para um grupo de professores na sede da Academia de Douradense de Letras (ADL) na manhã desta quinta-feira (09/10).
         O LIVRO
Segundo a autora, o livro tem a intenção de ensaiar sobre a relação da Literatura com a arte, a sociedade e o modernismo realizando uma leitura dos poemas que compõem a obra Vida Cachoeirinha mediante aproximação com teorias que fundamentam e abordam as imagens poéticas ali presentes, suas representações e revelações.
         Conforme a análise literária de Danieli Tavares, “as imagens que Nicanor Coelho consagra, datam o ano de 1991, período que serviu de estudo apenas como elemento de referência, pois provida de um tempo e de um espaço, a obra é um produto social, longe de ser um documento histórico. Trata-se de um conjunto de poemas reflexivos acerca do mundo, de reproduções sociais; instrumento de denúncia ou não”.
         Tavares afirma que “o olhar do poeta incidindo sobre a vida cachoeirinha vai compondo um cenário em que homem e natureza se constroem e reconstroem imbricados à Vida da cachoeira (cachoeirinha)”. Segundo a autora, “o mais intrigante de Vida Cachoeirinha está no modo como o poeta a compôs, expondo as memórias que o incomodam para que fossem discutidas, sentidas ou simplesmente lidas; a ponto de suscitarem uma ação, um agir coletivo, uma construção social, ou não. O poeta se manifesta não ignorando a história, apenas participando dela”. Para a ensaísta, ler Vida Cachoeirinha é adentrar a experiência literária e tornar-se expectador dessa vida”.

         Para o escritor e professor da UFGD, Renato Suttana que assina o prefácio do livro de Danieli, “os poemas de Nicanor Coelho, parecem resistem bem ao esforço da crítica. Realizados, complexos, brilhantes em mais de um sentido, eles não nos deixam mentir quando ao acerto da escolha o que não é pouco, se considerarmos que o ensaio, de certa extensão, os esmiúça com um interesse que não se restringe aos acasos das meras impressões passageiras ou de uma aplicação mecânica de teorias”.  Suttana diz que “há que reconhecer o mérito de quem, com atenção, cuidado e boa dose de ousadia, ao se lançar no esforço da interpretação, soube escolher o seu objeto, para não falar, evidentemente, dos outros méritos que se hão de fazer sentir ao longo da leitura”.
         Na primeira parte do livro está o ensaio literário produzido por Danieli Tavares enquanto que na segunda foi reproduzido fielmente em fac-símile a íntegra do livro “Vida Cachoeirinha” escritor pelo jornalista Nicanor Coelho e lançado em 1991 no anfiteatro da Unigran.
         VILA CACHOERINHA
         A Vila Cachoeirinha que inspirou o escritor e poeta Nicanor Coelho, é um bairro popular de Dourados onde moram mais de 1500 famílias de baixa renda. A Cachoeirinha é o resultado de um loteamento social criado pela Prefeitura de Dourados no início da década de 1990 para assentar milhares de famílias sem-teto. A Vila está situada numa região onde durante muitos anos funcionou um lixão, uma estação de tratamento de esgoto e o matadouro municipal. O bairro situava-se em condições impróprias para a construção de casas pois o terreno em algumas partes era alagadiço e em outras era apenas pedreira.

 

Fonte: Folha de Dourados

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