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Livro sobre imigração árabe é lançado

Cultura – 24/10/2008

O professor Roney Salinas de Souza reuniu imigrantes e descendentes de sírios e libaneses, educadores e estudantes na noite de quinta-feira (23) na Biblioteca Professor Ivaldo Gomes, da Escola Estadual Antonia da Silveira Capilé, no Jardim Água Boa, para o lançamento de seu livro “Ássafaru – A Viagem”, em que conta a história da vinda desses povos para Dourados.
O livro é uma publicação da editora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), com recursos provenientes do Fundo de Investimento à Produção Artística e Cultural de Dourados (FIP) da Prefeitura de Dourados, por intermédio da Fundação Cultural e de Esportes (Funced).
Na abertura da noite de autógrafos, o professor-escritor discorreu sobre os meios que utilizou para pesquisar a vinda de imigrantes sírios e libaneses para Dourados e agradeceu o apoio que recebeu para escrever a obra, que classificou como resumo da dissertação de mestrado do Curso de História da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).
Segundo o autor, desde a infância, quando manuseava os primeiros livros, se sentiu despertado para a busca pela cultura árabe, que passou a estudar ao longo de sua vida, até chegar ao mestrado e escolher como tema de dissertação.
Ele explicou sobre o surgimento do império árabe, de sua fragmentação em países como a Síria e o Líbano; a arabização e islamização da cultura árabe pelos países formados e, posteriormente, a própria imigração para a sonhada América, que os povos europeus consideravam um território único, como um todo.

Segundo Roney, que pesquisou arquivos de imigração em Santos (SP), São Paulo (SP), Corumbá e Campo Grande (MS) e o Arquivo Público de Cuiabá (MT) para sua obra, os imigrantes se dividiram entre o Brasil e os Estados Unidos.
Entre esses imigrantes sírios e libaneses que desembarcaram no Porto de Santos, alguns seguiram em navios até o Uruguai e Argentina, subiram o rio Paraguai e desembarcaram em Corumbá, de onde se espalharam pelo Estado.
Os primeiros imigrantes sírios e libaneses que chegaram ao Estado, a exemplo de seus antecessores no País, passaram a trabalhar com o comércio, como caixeiros-viajantes (mascates) e estabelecendo-se com suas casas comerciais que vendiam de tudo.
Em Dourados, o primeiro registro de um imigrante arabizado, de acordo com Roney, é de 1910, de Kalled Al Fassa, que teve o nome abrasileirado para “Martim Turco”, porém, a imigração se efetivou mesmo foi na década de 50, com a criação da Colônia Agrícola Nacional dos Dourados (Cand).
 “O livro também veio para desmistificar algumas imagens distorcidas sobre os imigrantes, como a denominação de ‘turco’ para sírios e libaneses ou arabizados de outras nacionalidades e a classificação de ‘sovina’, uma injustiça para com esse povo”, acrescentou Salinas.
Após dedicar os primeiros exemplares a imigrantes e descendentes presentes à noite de autógrafo, o professor-escritor distribuiu a obra entre educadores e estudantes que participaram da solenidade. Na tarde desta sexta-feira, o autor programou lançamento na Escola Municipal Lóide Bonfim Andrade, também no Jardim Água Boa.

Fonte: Folha de Dourados

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