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Povo reelegerá Artuzi se a saúde pública melhorar

O prefeito eleito não precisará priorizar casas populares, asfalto e outros equipamentos públicos para manter sua alta popularidade

Futuro – 27/10/2008

Em pouco mais de uma década o prefeito eleito de Dourados Ari Artuzi (PDT) construiu um sólido patrimônio político que o credenciou, nas urnas, a administrar o segundo município de Mato Grosso do Sul a partir de janeiro de 2009. O assistencialismo foi a base desse empreendimento social, principalmente ocupando os espaços que o Poder Público deixou ao longo dos anos na área da saúde, embora esse seja um problema de âmbito nacional.
            Ainda que o setor tenha avançado nos últimos oito anos com a administração do prefeito Laerte Tetila (PT), ainda há muito que fazer e com urgência. Em Dourados a saúde pública tem muitos problemas complexos, seja de gestão, operacional e mesmo político. Como saúde significa vida, Artuzi não terá muito tempo para corrigir as falhas que apontou na campanha eleitoral, sob pena de seu índice de popularidade cair vertiginosamente logo nos primeiros meses de governo. Afinal, esse é o “calcanhar de Aquiles” da maioria da população – aquela que não tem renda suficiente para financiar um plano de saúde e que apostou todas as fichas na eleição de Artuzi.
            Ao julgar pela assessoria que teve de membros da Associação Médica de Dourados para elaborar seu plano de governo, Artuzi, tudo indica, não terá problemas políticos com os médicos, desde que acate as sugestões que lhe forem feitas. Além da operacionalidade, a classe reivindica há tempos melhor remuneração. Inclusive, os médicos ameaçam greve no final do governo Tetila, com quem, aliás, viveram às turras nos últimos anos.
            Ao longo de sua carreira política, seja assessorando o tio, o ex-vereador Dioclécio Sucupira Artuzi, já falecido, e nos oito anos de mandato eletivo como vereador e deputado estadual, o prefeito eleito já sentiu na pele que o grande problema da saúde pública em Dourados está no atendimento e na marcação de consultas e exames, já que uma vez o paciente internado nos hospitais os procedimentos necessários fluem satisfatoriamente.
            Artuzi está correto ao defender a volta do Hospital Evangélico no atendimento pelo SUS e já esteve em Brasília fazendo essa reivindicação à bancada federal de Mato Grosso do Sul, embora isso implique no aumento substancial do teto que Dourados recebe do governo federal para atender os 38 municípios da região que dependem da estrutura médico-hospitalar da cidade. Sem dúvida, com o eventual retorno do HE ao SUS, a situação melhorará consideravelmente.
            Politicamente, não restam dúvidas que Artuzi determinará nos primeiros meses de sua administração que a prioridade das prioridades será a saúde pública. Depois, em um segundo momento, ele pautará com o mesmo ímpeto outras problemas, como creches, habitação pavimentação asfáltica e mesmo a atração de indústrias e geração de empregos. Fará isso não somente para cumprir o que prometeu enquanto candidato a prefeito, mas para manter a popularidade em alta, além de garantir a governabilidade.
             E, com certeza, minimizando o problema da saúde pública, Artuzi já estará pavimentando sua reeleição, em 2012, desde que o Congresso Nacional, com aval do governo Lula, não mude as regras do jogo, acabando com reeleição.
 Intuitivo, Artuzi entendeu o recado do povo de Dourados, que optou por um novo projeto político diferente daquele do PT, que asfaltou muitas ruas, fez escolas, creches etc., mas que não conseguiu dar dignidade à população no momento mais difícil da existência humana: na doença. Alguém disse certa vez que “você pode conseguir qualquer coisa que queira na vida, se você ajudar o suficiente outras pessoas a conseguirem o que elas querem”. É marketing político puro. (José Henrique Marques)

Fonte: Folha de Dourados

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