Rompimento de contrato siderúrgico desemprega 150 caminhoneiros
Geral – 29/10/2008
Pelo menos 150 caminhoneiros de Campo Grande ficaram sem emprego da última semana para cá por conta da ruptura do contrato entre a Cosipa (Companhia Siderúrgica de São Paulo) e a Rio Tinto, em Corumbá. Este número é muito maior considerando o Estado como um todo e também cooperativas de estados vizinhos. Segundo informações do setor de transportes, o contrato de retirada envolvia 75 mil toneladas mensais de ferro.
A suspensão da compra de matéria prima, segundo informações captadas no mercado, seria uma resposta à crise mundial, que inibiu os importadores. Porém, o gerente geral da Rio Tinto, Edson Miranda, negou que o rompimento do contrato de fornecimento de minério à siderúrgica paulista Cosipa, recentemente, esteja relacionado à crise.
“Tratava-se de um contrato provisório para transporte de minério por caminhões até Cubatão. O custo era muito alto, foi uma estratégia de emergência, eles haviam ficado sem minério e nos procuraram. Chegaram a fazer um transporte meio termo, com caminhões até Bauru e dali por ferrovia, mesmo assim o custo era muito alto. Mas agora esse minério deve ser transportado por barcaças até o porto da Argentina e dali seguir para Cubatão, sede da Cosipa em São Paulo”, explicou Edson Miranda em entrevista ao Diário Corumbaense. “Estamos negociando um contrato de longo prazo, que ainda não havia. A qualidade do nosso minério atrai a Cosipa e as remessas vão continuar”, acrescentou.
A Cosipa é uma empresa do Sistema Usiminas, o maior complexo siderúrgico de aços planos da América Latina. Ela beneficia o minério extraído em Corumbá, produzindo aços planos não-revestidos (placas, chapas e bobinas laminadas a quente e a frio, chapas grossas, blanks circulares e biselados de chapas grossas). Estes produtos são exportados. A Companhia foi procurada pela reportagem através da assessoria de imprensa mas, até o momento, não se posicionou sobre o assunto.
BAQUE
O proprietário da Vobeto Transportes, Irineu Vobeto, destaca que 80% dos produtos são movimentados por rodovias, por isso o setor sentiu um forte baque. “É claro que o setor de transportes especializado nesse tipo de movimentação está sentindo as conseqüências. Vimos que as rodovias deixaram de borbulhar. A 60 dias estavam fervendo – faltavam caminhões para atender a demanda que estava aquecida em todas as regiões produtoras de minérios, no país. – Hoje o pé está no freio e pisando pesado. Foi um duro golpe que agora precisamos assimilar”, afirma.
Vobeto destaca que a ruptura do contrato afeta a movimentação de uma frota de até 600 carretas, “com várias transportadoras e cooperativas de outros estados se instalando em nossa terra e que agora estão desativando e encerrando suas atividades”. Além disso, os impactos e estendem ao comercio especializado de combustíveis, pneus, restaurantes, oficinas para manutenção e outros insumos que eram comprados dentro do Estado.
“É lamentável que isso tenha ocorrido. Agora, resta-nos direcionar forças e dar nossa contribuição para que o mercado se restabeleça e que possamos voltar à atividade, considerando que o fluxo foi interrompido temporariamente”, diz o empresário.
Em Campo Grande, na saída para São Paulo, escritórios de cinco cooperativas que faziam o transporte de minérios de Corumbá à Cosipa, em Cubatão (SP), fecharam as portas. Segundo Wagner Gonçalves, gerente da Cooperativa de Transporte de Marialva, neste momento a luta é para redirecionar o transporte a outros setores.
“Agora, estamos tentando colocar todo mundo para trabalhar com outros tipos de cargas, como: açúcar, calcário, grãos qualquer coisa”, conta. E acrescenta:“É claro que não vamos ter o mesmo ganho, mas esperamos colocar todos para trabalhar logo”. A esperança, porém, é que a crise não dure muito e o transporte de minérios seja restabelecido.
Fonte: CG News



