Pacientes do CAPS II expõem ‘Oficina Construção’ até 31 de outubro
Uniarte – 29/10/2008
Vai até o dia 31 de outubro, a exposição re.construindo mundos dos pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde de Dourados, durante a XIV UNIARTE. A exposição é resultado do projeto “Oficina Construção” desenvolvido pelo arte-educador Everton Oliveira este ano com os usuários, com acompanhamento da terapeuta Kaynara Torres Lopes, sob a coordenação de Terezinha Bonfim.
Composta por objetos, instalações, pinturas e vídeos a re.construindo mundos lança novos olhares sobre a arte, sobre a vida e sobre o mundo. “No nosso espaço de convivência/vivência, praticamos a arte, estimulando a comunicação e a expressão, por meio das artes cênicas, da música, da literatura e das artes visuais, resgatando o potencial criador do ser humano e incentivando formas de expressão dos sentimentos, das emoções e do potencial interno de comunicação com o ambiente”, conta Everton.
Segundo o arte-educador, a construção fundamenta-se no aprimoramento das habilidades de leitura e expressão, como passos necessários para a busca de conhecimentos e o desenvolvimento de competências técnicas, cognitivas, emocionais e comunicativas dos pacientes que, articuladas, possibilitam a cada um o ser e o exercer pleno de sua cidadania.
A exposição está nas salas 1.15 e 1.16, do Bloco I, na Unigran. A visitação pode ser feita das 08h às 22h, com entrada franca.
OUTROS TRABALHOS
Em 2006, a equipe do CAPS II realizou a primeira “Oficina Construção: uma vivência lúdica no teatro”, que envolveu conhecimentos teóricos e práticos sobre o universo das artes cênicas, além de duas oficinas – cenografia e figurino. Com a participação efetiva do grupo, foi fundada a “trupe sem juízo”, que contava com sete atores em seu elenco, homens e mulheres que conceberam o espetáculo “história-sem-pé-nem-cabeça”.
Houve ensaios semanais para o corpo, para a voz, construção de personagens, textos e cenas e, no mesmo período, foram elaborados e desenvolvidos os figurinos, os adereços e a cenografia, quando outras oficinas desenvolvidas no Centro, como artesanato e marcenaria. “Costuramos, reciclamos, bordamos em plástico, latas, latinhas, latão, escrevemos a figurinagem, vestimos personagens de rua, alegorizando o lixo e o luxo, tudo era do velho para o novo”, diz Everton.
Em 2007, a “trupe sem juízo” realizou um circuito com apresentações em praças e ruas, no Teatro Municipal de Dourados e em espaços alternativos da cidade. No mesmo ano, o CAPS II iniciou a “Oficina Construção II: criação literária”, com estudos de teoria da literatura, leitura e discussão sobre os clássicos da literatura brasileira, confecção e análise de textos poéticos, a música e a imagem na literatura, entre outros modos de refletir sobre a arte da escrita.
Nesse período de experimentações, partilha de saberes e conhecimentos, os pacientes produziram a obra “Poizia: o livro dos sonhos”, uma coletânea de poemas que conta com a participação de vinte e dois autores, freqüentadores do Centro.
Fonte: Folha de Dourados



