Copom sinaliza que pode voltar a subir juros
Economia – 06/11/2008
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reuniu na última semana e manteve a taxa de juros estável em 13,75% ao ano, divulgou nesta quinta-feira (6) a ata do encontro e avaliou que, diante dos sinais de aquecimento da economia, ainda continuam a ser “relevantes” os riscos de concretização de um “cenário benigno” (no qual as metas são cumpridas) para a inflação.
O Copom informa que manteve os juros na semana passada por conta do cenário de crise financeira, que gera “maior incerteza”. Mas acrescenta, porém, que o ajuste (neste caso, subida) na taxa de juros, que objetiva conter a subida da inflação, pode não acontecer de forma “contínua”. “De fato, um cenário prospectivo desfavorável ainda se manifesta nas projeções de inflação consideradas pelo Comitê. O Copom considera, também, que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas continua representando risco para a dinâmica inflacionária, mas avalia que a trajetória esperada dos gastos domésticos em consumo e investimento tornou-se mais incerta”, diz a ata.
“Nessas circunstâncias, a política monetária deve atuar, na medida em que o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer, por meio do ajuste da taxa básica de juros, ainda que não necessariamente de forma contínua, visando, por um lado, reduzir tal descompasso e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação”, avaliou o Copom, por meio da ata.
Metas de inflação
No Brasil, vigora o sistema de metas de inflação, pelo qual o Copom tem de calibrar a taxa de juros para atingir uma meta pré-determinada para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Para este ano, e para 2009, a meta central é de 4,50%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Com isso, o IPCA pode ficar entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja formalmente descumprida. Para 2008, a estimativa do mercado é de que o IPCA some cerca de 6,3%. Para 2009, a projeção está em torno de 5% – acima da meta central de 4,5%. O BC já avisou que quer trazer a inflação para o centro da meta já no próximo ano. Por isso, vinha subindo os juros até este mês. Antes de interromper o processo de elevação da Selic em novembro, o Copom havia elevado os juros ininterruptamente desde abril.
Crescimento econômico
Mesmo avaliando que ainda há descompasso entre a oferta e a demanda, e que há riscos para a obtenção de um cenário “benigno” para a inflação, no qual os preços convirjam para as metas do governo, o Banco Central admite que as perspectivas para a evolução da atividade econômica tornaram-se “mais incertas” desde a última reunião do Copom, ocorrida em setembro, com a piora da crise financeira internacional. “Em particular, os efeitos da crise internacional sobre as condições financeiras internas indicam que a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica pode arrefecer de forma mais intensa do que o que seria determinado exclusivamente pelos efeitos da política monetária. Adicionalmente, a intensificação da crise internacional parece ter tido efeito negativo sobre a confiança dos consumidores e empresários. Caso persista tal situação, o dinamismo da atividade passaria a depender crescentemente da expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências governamentais esperadas para este e para os próximos trimestres”, diz o Copom, na ata de sua última reunião.
Fonte: G1



