Estudo alerta para queda na produção de alimentos em MS
Agropecuária – 17/11/2008
Estudo alerta para redução da produção de alimentos em detrimento da produção de cana na região sul de Mato Grosso do Sul, além de São Paulo, sul de Goiás, noroeste do Paraná e no sudoeste de Minas Gerais.
O documento aborda os impactos da indústria canavieira no Brasil sob três aspectos: a questão ambiental, abrangendo a poluição atmosférica e os recursos hídricos; a produção de alimentos e a segurança alimentar; a saúde do trabalhador e suas condições de trabalho.
O documento foi elaborado em conjunto por organizações denominado Plataforma BNDES, que monitora socialmente as ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.O estudo foi editado pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas e será divulgado amanhã, durante o seminário internacional Agrocombustíveis Como Obstáculo à Construção da Soberania Alimentar e Energética, evento que se realizará em paralelo à Conferência Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo.“Esse risco é real”, afirmou hoje à Agência Brasil o coordenador do Ibase, João Roberto Lopes.
Com base em pesquisas da Universidade Estadual Paulista e da Universidade de São Carlos, fica demonstrado que a indústria canavieira traz riscos de contaminação dos rios e dos lençóis freáticos por agrotóxicos e aumento da poluição atmosférica devido às queimadas. Lopes destacou também a necessidade de uma maior atenção por parte das autoridades para a questão da saúde do trabalhador, face ao desgaste, ao consumo maior de calorias e à freqüência cardíaca observados nesse tipo de tarefa.
“E o padrão de desgaste físico desses trabalhadores é um padrão de atletismo, de pessoas que consomem mais de oito mil calorias por dia e cortam em média 15 mil a 20 mil toneladas de cana diárias.” O estudo demonstra muita preocupação nesse sentido e apresenta, ao final, uma lista com mais de 20 casos de morte no setor. Lopes revelou, também, que há denúncias de que os números de corte de cana não correspondem à realidade, porque as usinas pagam por tonelada cortada de cana, mas os trabalhadores não têm controle sobre a pesagem.
Lopes enfatizou que existe, “no mínimo”, a necessidade de se estabelecer um princípio de precaução em relação à expansão do etanol. “Há necessidade de haver mais estudos, mais discussão. A situação de que haveria um caráter sustentável nesse tipo de fonte de energia é algo que os dados demonstram que tem que haver uma precaução, tanto por parte do governo como dos setores privados, para se fazer uma discussão”, disse.
O relatório será encaminhado à direção do BNDES, que é atualmente o principal financiador do setor de etanol, para o qual teria aprovado, somente este ano, recursos no montante de R$ 6,5 bilhões. O número é do Ibase. De acordo com o documento, o banco seria também responsável pela elaboração da própria visão do governo sobre o setor.Lopes ressaltou a importância de que o BNDES se abra para uma discussão sobre os impactos do etanol, incorporando nos seus procedimentos de análise e acompanhamento de projetos outros critérios sócio-ambientais.“Porque hoje o banco se limita à questão legal: se há licenciamento por parte das usinas. Essa é a única exigência do ponto de vista ambiental que o banco cobra. E a gente está vendo que tem vários outros impactos, não só ambientais, mas sociais. E que o banco simplesmente ignora.” (Informações da Agência Brasil)
Fonte: Folha de Dourados



