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Duas versões aumentam mistério sobre morte de criança

Polícia – 28/11/2008

Versões desencontradas acerca da morte de Matheus Pereira de Souza Gondin, 4 anos, aumentam o mistério que envolve o caso. O pai do menino, André Pereira de Souza Neto, 25 anos, abandonou o corpo do garoto em uma reserva, perto do Assentamento Paraíso, em Dois Irmãos do Buriti, município distante 110 quilômetros de Campo Grande. Ele alega que o menino se engasgou com comida, o que causou a morte. Somente o laudo necroscópico poderá apontar se o menino morreu engasgado ou assassinado.
A mãe de André, Maria de Lourdes Souza, 50 anos, revelou à equipe do Campo Grande News que ele havia “dado uns tapinhas” para obrigar o garoto a comer farinha com feijão. Ela contou que este fato ocorreu na tarde de terça-feira, data da morte de Matheus.
Entretanto, André afirmou que a briga com o filho ocorreu na segunda-feira. Ele disse que Matheus estava “doentinho” e não queria comer. Para que o menino atendesse à ordem, André  diz ter dado “no máximo duas cintadas” na perna da criança.
André manteve a declaração que aponta como causa da morte o engasgamento. O pai de Matheus explicou que deu farinha com feijão para o menino porque ele gostava. Quando a criança engasgou, André tentou “de todas as maneiras” salvar o filho e não conseguiu.
Ele contou que até uma mangueira de água foi usada, porém, sem êxito. Com o menino morto, em um ato de “desespero”, ele escondeu o corpo do menino na mata. “Eu não sabia o que fazer. Ele estava sob minha responsabilidade”, justificou. Segundo a Polícia Civil, ele percorreu cerca de dois quilômetros com o filho nos braços, em meio ao matagal.
André registrou o caso como desaparecimento. Ele afirmou que o menino havia sumido por volta de 20 horas de terça-feira, quando saiu para buscar erva de tereré no vizinho. Entretanto, a morte de Matheus já havia ocorrido, por volta de 15 horas.
Militares do Corpo de Bombeiros faziam buscas na região desde a manhã de quarta-feira. Já na noite do suposto desaparecimento, moradores do Assentamento ajudaram André a procurar o filho. O corpo só foi retirado do local hoje pela manhã. Na noite de ontem, André decidiu confessar que havia escondido o corpo do garoto.
Fazia dois anos que André não via Matheus. O menino morava com a mãe Juceli Rodrigues Gondin, 22 anos, em Campo Grande. Há 15 dias ela foi morar com André no Assentamento.
No dia em que o menino morreu, a jovem estava na Capital para resolver os detalhes da mudança. O casal tentava uma reconciliação.
Juceli não tinha condição de comentar o caso. Aos prantos ela disse: “Meu único filho. Era a única coisa que eu tinha. Era tudo para mim”.
A morte causou revolta à família e aos moradores do Assentamento. “Não vou perdoar nunca”, disse a mãe de André.
Maria de Lourdes reclamou porque o filho não pediu ajuda para tentar socorrer Matheus e mentiu em relação à morte. “Mesmo que ele não tenha matado eu não perdôo. Andar dois quilômetros com o garoto no braço e não pedir socorro”, questionou.
A avó do menino esclareceu que alguns detalhes causaram desconfiança na família. O desaparecimento de um lençol e o fato do garoto ter supostamente sumido e ter levado até os chinelos. “Começamos a desconfiar”, completa.
Para a Polícia, André manteve a tese de desaparecimento até a noite de ontem, quando um familiar cobrou a verdade e ele confessou ter escondido o corpo de Matheus.
“A tranqüilidade dele nos chamou a atenção”, afirmou o delegado responsável pela investigação, Paulo Roberto Diniz. Ele ressaltou que somente o laudo pericial poderá apontar a causa da morte. “Até que se prove o contrário não é suspeito” disse o delegado em relação à possibilidade de André responder também pelo homicídio. Ele será autuado por ocultação de cadáver, crime cuja pena prevista varia de um a três anos. Ele está em uma cela isolada da delegacia de Terenos.

Fonte: CG News

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