Crise: Comitê entrega proposta de ajuda ao setor produtivo
Economia – 28/11/2008
O presidente da Fiems – Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul -, Sérgio Marcolino Longen, que é o coordenador do CMC (Comitê de Monitoramento da Crise), entregou ontem à tarde (27/11) ao governador André Puccinelli algumas propostas e ações para auxiliar o setor produtivo do Estado para enfrentar a crise financeira mundial. Ele fez o anúncio durante a abertura da palestra do jornalista George Vidor, comentarista da GloboNews e colunista do jornal O Globo, no auditório do Sebrae /MS (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado). Entre as propostas feitas pelo CMC a André Puccinelli estão a elaboração e divulgação de campanha motivacional direcionada à manutenção da confiança do consumidor em relação à economia do Estado, a ampliação em 15 dias do prazo de pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o comércio e indústria e a antecipação para o dia 12 de dezembro do pagamento do 13° salário dos servidores estaduais. Sérgio Longen explicou que pela primeira vez a proposta de ampliação do prazo para o pagamento do ICMS foi apresentada oficialmente ao governador, que se mostrou interessado diante das medidas que vem sendo tomadas pelo Governo Federal nesse sentido. “Ele ficou de analisar os pedidos e se manifestar nos próximos dias”, destacou o coordenador do CMC. André Puccinelli ainda ficou de verificar a possibilidade de antecipar para o dia 12 de dezembro o pagamento do 13° do funcionalismo, já que tradicionalmente ele é quitado até o dia 19 de dezembro. Já com relação à campanha de motivação direcionada à manutenção da confiança do consumidor em relação à economia do Estado, Sérgio Longen informou que o governador assumiu o compromisso de, dentro dos próximos dias, dar início à ação. Em nível nacional, o CMC também informou que, por meio da CNI (Confederação Nacional da Indústria), propôs a ampliação do prazo de recolhimento do Super-Simples para a presidente do Comitê Gestor do Simples Nacional, Lina Maria Vieira e reiterou a necessidade de elaboração de uma Política Agrícola Nacional que contemple a garantia de preços mínimos e seguro rural. “Esperamos que no próximo relatório do CMC tenhamos números melhores da nossa economia para serem apresentados”, finalizou. Palestra Após a explanação de Sérgio Longen, teve início a palestra “A Economia Brasileira em um Cenário de Crise Mundial” feita pelo jornalista George Vidor, que destacou que a economia nacional é uma esfinge que tem de ser decifrada sempre. “Por incrível que possa parecer, o nosso PIB (Produto Interno Bruto) deve crescer mais de 5% em 2008, mas em 2009 deve cair em 3%, enquanto o câmbio é uma incógnita, sendo que o equilíbrio é que ficasse entre R$ 1,90 e R$ 2,10, mas deve chegar a R$ 2,40 em dezembro de 2009”, analisou. No entanto, completou George Vidor, o câmbio não será o “calcanhar de Aquiles” do Brasil ao contrário de crises financeiras mundiais passadas. Ele ressaltou que a crise financeira internacional fez com que a economia mundial perdesse momentaneamente suas principais referências e agora nos deparamos novamente com uma situação em que o sistema financeiro não consegue “precificar” seus ativos, o que tem gerado uma incerteza, uma insegurança colossal nos mercados financeiros e de capitais, que antes vinham definindo todas as regras de comportamento da produção. O jornalista destaca, entretanto, que a crise acabará passando, pois sempre haverá um movimento natural de troca de mercadorias e serviços para atendimento das necessidades de consumo de um número crescente de pessoas. “A Ásia, que concentra mais da metade da população da Terra, já detêm um terço do PIB mundial e tudo indica que voltará a ocupar a posição que detinha entre o século XVI e início do século XIX”, previu. Por isso, afirmou George Vidor, é que está otimista em relação ao futuro da economia brasileira. “Haja o que houver, o Brasil produz coisas essenciais, para as quais não deixará de existir demanda no mundo, especialmente em relação à energia e alimentos. Podemos oferecer tanto uma fonte de energia renovável e eficiente, o etanol, como, em meados da próxima década, seremos um grande produtor – e também exportador – de petróleo, em função das descobertas na camada do pré-sal. Qualquer que seja a tendência do consumo, o país estará bem posicionado”, declarou, completando que a Região Centro-Oeste, com vocação para o agronegócio, e vizinha agora também dos grandes projetos de geração de energia elétrica do País, tem então sua sobrevivência econômica garantida, mesmo em um mundo conturbado como o atual.
Fonte: Folha de Dourados



