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Intervenção urbana discute isolamento das pessoas com aids

13% da população acredita que uma professora portadora do vírus da aids não pode dar aulas em qualquer escola.

Preconceito – 01/12/2008

Conquistas importantes da resposta brasileira à epidemia de HIV e aids, como a garantia de tratamento e o aumento da sobrevida dos pacientes, não foram suficientes para acabar com o preconceito e o estigma que cercam a doença. Dados parciais de pesquisa de comportamento realizada este ano pelo Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde mostram que essa exclusão ainda persiste em situações corriqueiras. Entre 8 mil entrevistados de todo o país:
13% acreditam que uma professora portadora do vírus da aids não pode dar aulas em qualquer escola
22,5% afirmam que não se pode comprar legumes e verduras em um local onde trabalha um portador do HIV
19% acreditam que, se um membro de uma família ficasse doente de aids, essa pessoa não deveria ser cuidada na casa da família
Para discutir essa realidade, o Programa Nacional de DST e Aids preparou uma intervenção urbana – “O preconceito isola” – para o Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro), a ser montada na Praça dos Três Poderes. Ao longo de todo o dia, um jovem ficará dentro de uma bolha transparente, impedido de tocar quem estiver no ambiente externo (veja imagem abaixo). O objetivo é levantar o debate sobre a exclusão vivida por quem tem o HIV ou sofre outros tipos de preconceito.
Na base da bolha haverá uma frase do jornalista e sociólogo Herbert Daniel, que morreu no ano de 1992 em decorrência da aids. “Há uma coisa dentro de mim, contagiosa e mortal, perigosíssima, chamada vida, lateja como desafio”.
O grupo Teatro Oportuno, que atua com arte e educação, também participa da intervenção urbana, interagindo com o público que passar pelo local. Foram convidados estudantes de escolas públicas do Distrito Federal e representantes de organizações que trabalham com prevenção e enfrentamento da doença. A interação é aberta a todos os interessados. A interação é aberta a todos os interessados e será transmitida ao vivo das 9h às 18h pelo site www.aids.gov.br/diamundial. 
“O estigma relacionado à doença afasta as pessoas tanto do diagnóstico como do tratamento, por isso impactam diretamente na sua qualidade de vida”, destaca a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão. Depois de anos convivendo com a epidemia, diz ela, é preciso que a sociedade não apenas respeite e aceite essas pessoas, mas que as acolha.

Fonte: Folha de Dourados

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