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Polícia

MC Poze não vai à delegacia após ser intimado para prestar depoimento sobre denúncia de estupro de adolescente

MC Poze não vai à delegacia após ser intimado para prestar depoimento sobre denúncia de estupro de adolescente
MC Poze — Foto: Reprodução/Instagram

O cantor Marlon Brendon Coelho, conhecido como MC Poze, não compareceu à Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) após ter sido chamado para prestar depoimento às 15h da última terça-feira (3), no âmbito da investigação sobre uma denúncia de estupro feita por uma adolescente de 16 anos.

A jovem afirma que foi estuprada durante uma festa na casa do cantor, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, no fim de setembro. Segundo o relato, houve consumo de drogas no local.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Poze negou as acusações.

Em nota enviada à imprensa durante a tarde, o advogado Fernando Henrique Cardoso, que representa Poze, afirmou que pediu acesso à investigação. Segundo ele, até esta terça-feira, a defesa do artista tinha tido um acesso parcial, sem o depoimento da adolescente que fez a denúncia.

Ele alega ainda que pede o acesso total ao conteúdo da investigação, para que o artista vá até a delegacia e preste os esclarecimentos sobre o caso. (Leia a nota na íntegra ao final do texto)

A denúncia

A adolescente de 16 anos alega que foi estuprada por Mc Poze no final de setembro, na casa do cantor. O caso foi registrado na Dcav no dia 28 de outubro.

A jovem afirmou que estava sob efeito de drogas como “Black Lança”, um tipo de lança perfume, e que as substâncias teriam sido oferecidas pelo artista.

Ela alega que não estava plenamente consciente quando estava no quarto com Poze, e alegou que comunicou a ele que se recusava fazer sexo sem preservativo. No entanto, segundo ela, Poze se recusou e continuou, sem utilizar camisinha.

Daiana Andrade, advogada da jovem, afirma que ela foi vítima de estupro, ameaça e constrangimento ilegal:

“Ela verbalizou expressamente que queria usar preservativo, ele disse que não usa, e continuou. Ela estava sob efeito de entorpecentes”, diz a advogada.

MC Poze ao ser fichado pela segunda vez no sistema penitenciário do RJ — Foto: Reprodução

MC Poze ao ser fichado pela segunda vez no sistema penitenciário do RJ — Foto: Reprodução

Dois dias depois, segundo o registro, ela teria sido coagida a ir novamente à casa de Poze e obrigada a tomar diversos remédios, enquanto ele ficava com o celular da adolescente.

Segundo a jovem, Poze teria dito que, caso ela se recusasse a tomar os remédios, ele pediria a um de seus amigos que a fizesse “desaparecer”.

“Ela tomou o medicamento, coagida pela situação. E depois, as pessoas que rodeiam ele, falam que ela é mentirosa, mas nós temos como provar porque temos um vídeo com a voz dele falando para ir para a casa dele, ela dizendo para ele que precisava fazer exames”, contou a advogada.

A jovem foi levada para fazer exames no Instituto Médico-Legal (IML), e a defesa dela pediu medidas protetivas contra o cantor.

MC Poze é preso em casa no Recreio dos Bandeirantes — Foto: Reprodução

MC Poze é preso em casa no Recreio dos Bandeirantes — Foto: Reprodução

Problemas com a Justiça

Nos últimos anos, Poze teve problemas com a polícia e a Justiça em diversos episódios.

Além de responder em liberdade em um processo por tortura e cárcere privado, o cantor já foi preso por apologia ao crime em 2019 e foi alvo de uma operação contra sorteios ilegais em 2024.

Depois, foi preso por associação ao tráfico em 2025 e preso pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho em abril deste ano.

Nota da defesa na íntegra

“Pedimos acesso à investigação na quinta feira e na própria quinta intimaram o Marlon para comparecer hoje, mas sem dar acesso a nada.

Hoje mesmo nos manifestamos e estivemos na delegacia para indicar que o nosso pedido de acesso fosse dado, justamente para levar nosso cliente na delegacia.

Lá na delegacia, constatamos que hoje por volta das 13 horas, deram o acesso parcial, não incluindo o depoimento da denunciante.

Como temos o direito de ter acesso ao mesmo para prestar esclarecimentos, presencialmente e por meio de petições, reforçamos nossos pedidos, agora em especial ao depoimento da menor, para que possamos levá-lo o mais rápido possível e prestar os devidos esclarecimentos.

Há contudo um esclarecimento que precisa ser feito até o fim da fase de investigação: como em uma investigação sigilosa, até mesmo o horário de uma intimação é sabida pela imprensa?”

(Informações g1)

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