Redação –
Uma mulher denunciou o marido por perseguição, monitoramento clandestino e violência psicológica na Vila Progresso, em Dourados. Segundo o relato registrado na Polícia Civil, o homem teria instalado uma escuta nas roupas da companheira, monitorado sua localização e até exigido falar com alunos dela durante o horário de trabalho para fiscalizá-la.
A vítima relatou que mantém um relacionamento com o suspeito há aproximadamente 18 anos, união da qual nasceram dois filhos. Conforme o boletim de ocorrência, em agosto deste ano, o homem confessou ser usuário de cocaína e, desde então, o consumo teria aumentado progressivamente, passando a ocorrer diariamente.
A mulher informou que o companheiro realiza tratamento psiquiátrico e utiliza medicamentos controlados, mas afirmou que o comportamento dele se agrava quando faz uso de entorpecentes.
Segundo a denúncia, sob efeito da droga, o homem apresenta comportamentos paranoicos, acusando a companheira de infidelidade sem apresentar provas. Ele também teria afirmado possuir gravações de conversas particulares da vítima e confessado que instalou uma escuta clandestina nas roupas dela para acompanhar seus passos e conversas.
Destruiu carro de vizinho por suspeita de traição
Um dos episódios relatados ocorreu por volta de 1h30, em uma segunda-feira, quando a mulher estava na residência do pai. O marido teria aparecido no imóvel bastante alterado e confessado à companheira e ao sogro que havia acabado de vandalizar e destruir o carro de um vizinho.
De acordo com o relato, ele justificou o ataque dizendo que acreditava que a mulher estaria dentro do veículo mantendo relações com outra pessoa. O suspeito teria percebido o engano somente depois de danificar o automóvel.
Na ocasião, a vítima conseguiu convencê-lo a deixar o local para tomar os medicamentos.
Perseguição fez mulher abandonar emprego
A mulher também relatou que era monitorada constantemente por mensagens e videochamadas, nas quais o marido exigia saber sua localização exata.
Como ela trabalhava em uma escola, o homem teria passado a exigir conversas até mesmo com os alunos durante o período letivo, com o objetivo de fiscalizá-la.
O constrangimento provocado pela situação no ambiente escolar teria se tornado insustentável, levando a mulher a pedir demissão para preservar a própria integridade e a das crianças.
Pegou carro de funcionária para procurar a mulher
Outro episódio recente descrito no boletim aponta que, após receber entorpecentes entregues por um terceiro na residência do casal, o homem teria consumido cocaína e apresentado novo comportamento alterado.
Na sequência, ele teria pegado sem autorização a chave do veículo de uma funcionária doméstica e saído à procura da companheira.
A funcionária alertou a vítima, que posteriormente descobriu que o marido havia conseguido rastrear sua localização e identificar que ela estava em um consultório onde realizava atendimento psicológico.
Apesar de afirmar que nunca sofreu agressões físicas diretas, a mulher declarou sentir profundo medo pela própria segurança e integridade psicológica diante do comportamento do companheiro.
Diante dos episódios, ela procurou a Polícia Civil e solicitou, em caráter de urgência, medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, para impedir a aproximação e a continuidade das perseguições.



