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Três ministros de Lula chegam em Dourados para acompanhar denúncias de violência contra indígenas

Visita ocorre após relatos de ameaças e manifestações racistas em Mato Grosso do Sul

José Henrique Marques –

Três ministros de Estado desembarcaram na noite desta sexta-feira (3), em Dourados, para acompanhar denúncias de violência e ameaças contra povos indígenas em Mato Grosso do Sul. A agenda prevê visitas às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, a partir deste sábado (31).

A comitiva reúne Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas; Janine Mello, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania; e Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.

A vinda ocorre após relatos de intimidações, manifestações racistas e ameaças contra comunidades indígenas. Em Tacuru, áudios atribuídos a servidores municipais mencionam a possibilidade de envenenar a água consumida pela população indígena. As denúncias estão sob investigação.

Para Rosa Dantas, presidenta do PT de Dourados, o resultado eleitoral deu visibilidade a preconceitos e violências que já fazem parte da realidade dos povos indígenas. Segundo ela, a repercussão nacional ajuda a mostrar como manifestações antes veladas podem ganhar força pública em momentos de tensão política. A dimensão desse debate também passa pela presença indígena e pela participação política em Dourados. A Terra Indígena do município tem 13.473 moradores, segundo dados do Censo 2022.

Rosa destaca que candidaturas e chapas ligadas a pautas progressistas sempre tiveram vitórias expressivas em diferentes disputas, municipais, estaduais e federais. A votação por seção eleitoral ajuda a visualizar essas escolhas e a força política dos territórios indígenas.

O resultado das urnas, porém, não pode ser usado para justificar ameaças ou discriminação. Os episódios recentes não podem ser compreendidos como um problema restrito ao período eleitoral. Os povos indígenas enfrentam violações contínuas de direitos, relacionadas à violência contra pessoas e territórios e também à falta de acesso adequado a serviços essenciais. Em Dourados, questões como o acesso à água, à saúde e ao saneamento mostram que os desafios das comunidades permanecem mesmo quando não ocupam o centro do debate público.

Para a presidenta, a vulnerabilidade enfrentada pela população indígena não é uma característica dos povos, mas resultado de violações de direitos e da ausência de garantias efetivas. Nesse contexto, discursos de ódio podem estimular novas ameaças e aprofundar uma insegurança que já faz parte da vida de muitas comunidades. Por isso, a resposta pública precisa considerar tanto os episódios que ganharam repercussão após as eleições quanto as condições históricas que deixam essas populações expostas à violência e à discriminação.

Para o próximo mandato presidencial, a visita dos ministros pode abrir espaço para a construção de um plano permanente, elaborado com participação das lideranças indígenas e articulação entre diferentes áreas do governo. A proposta deve reunir ações de proteção imediata e investigação das ameaças, defesa dos territórios, acesso à água, à saúde e ao saneamento, além de medidas para assegurar o direito ao voto e enfrentar o racismo e a discriminação.

No sábado, acontece ainda o ato “Emergência Indígena”, marcado para às 9h, na Praça Antônio João, que reforça que as comunidades e a sociedade cobram respostas concretas. A proteção dos povos indígenas exige continuidade, escuta e compromisso público. O direito de viver com segurança, preservar seus territórios e participar da vida política precisa ser garantido todos os dias.

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