Empresa de publicidade e propaganda sediada em Cuiabá e com filiais em Campo Grande e Três Lagoas, a Zimmermann Publicidade (Z3) foi alvo da Polícia Federal, na Operação Tomada de Contas, deflagrada na quinta-feira (29), por suspeitas de irregularidades no TCE-MT (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso).
Conforme a PF, o esquema movimentou ao menos R$ 736 milhões que teriam sido usados para abastecer uma “folha paralela” de pagamentos a conselheiros e servidores do órgão.
A ação investiga suposto esquema que consistia na suspensão de contratos para pressionar fornecedores a pagarem propinas para liberação de pagamentos. O presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo, o procurador Grhegory Paiva Pires e outros quatro servidores foram presos. Outros dois membros do Tribunal foram afastados por ordem do STJ (Superior Tribunal de Justiça), conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar.
O levantamento da PF identificou aumento expressivo nos repasses a algumas empresas. Uma delas é a Zimmermann, que teve crescimento de 291%, segundo cálculos apresentados pelos investigadores e divulgados pelo jornal Estadão Mato Grosso.
A suspeita é de que o TCE-MT suspendia contratos com fornecedores, permitindo que somente continuassem os pagamentos às empresas que aceitassem repassar parte dos recursos aos integrantes do grupo investigado.
Um detalhe que levantou as suspeitas foi o fato de que a Corte justificava a restrição orçamentária para suspender os contratos. Apesar disso, o orçamento do TCE-MT subiu de R$ 763,8 milhões em 2023 para R$ 786,7 milhões no ano seguinte.
Caso tudo seja confirmado, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e organização criminosa.
Operação apreendeu de relógios de luxo a carros importados

Além das duas cidades em MS, as autoridades cumpriram buscas em cidades de SP e MT, nas quaisapreenderam itens de luxo como carros importados, relógios, vinhos e até notas de euro.
Conforme as investigações, foram identificados saques que somam R$ 500 mil atribuídos ao presidente do TCE-MT, além de movimentações financeiras de R$ 33 milhões em um ano por parte de um dos suspeitos.
Em nota assinada pelo vice-presidente do TCE-MT, conselheiro Waldir Júlio Teis, o tribunal informou que adotará as providências para o cumprimento das decisões de afastamento do STJ, bem como continuará com os trabalhos institucionais regularmente. Por fim, a Corte diz que “seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo”.
A reportagem tentou contato telefônico e por e-mail com a Zimmermann, mas não obtivemos retorno. O espaço segue aberto para manifestações.




