Juca Vinhedo –
A FALA
“Participei da campanha das Diretas e, de 1989 para cá, participei de todas as campanhas presidenciais. Eu, sinceramente, nunca vi nada igual ao que vi neste segundo turno. Na Bahia, no Pará, em Minas Gerais, em Copacabana. Ontem, em São Paulo, na Avenida Paulista, eu confesso uma coisa para vocês: acho que a Avenida Paulista nunca recebeu a quantidade de gente participando de um ato político como aquele. Nunca, nunca.”
(Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, logo após votar, neste domingo, na Escola Estadual João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista)
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Resultado contestado
Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que pedirá a anulação da eleição, questionando a prorrogação da votação até as 19h, determinada por Cristiano Zanin. O presidente do TSE, Nunes Marques, afirmou que a medida não alterou o resultado nem comprometeu a apuração.
Avaliação interna
Aliados de Flávio Bolsonaro atribuíram a derrota ao excesso de confiança e a falhas na campanha. Segundo esses relatos, lideranças do Centrão já previam uma virada de Lula e questionavam as negociações sobre ministérios antes da definição eleitoral.
Pedido de ampliação
Segundo o site “Metrópoles”, o próprio comitê de Flávio Bolsonaro havia solicitado mais duas horas de votação em municípios de cinco estados. O pedido abrangia localidades de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul afetadas por chuvas e bloqueios de estradas.
Estratégia em debate
A condução do segundo turno também recebeu críticas internas. Interlocutores avaliam que Flávio perdeu iniciativa e concentrou esforços em responder ao seu oponente, o presidente Lula. A tentativa de reproduzir estilos de campanha de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal foi outro ponto questionado.
Avaliação de aliados
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro atribuíram a Nikolas Ferreira parte da responsabilidade pelo desempenho desfavorável em Minas Gerais e no Nordeste. O jornalista relatou que aliados esperavam uma vitória em Minas e passaram a questionar a estratégia do deputado.
Vídeo questionado
O vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, gravado por Nikolas Ferreira na Bahia, entrou nessa avaliação. Segundo Valdo Cruz, integrantes da campanha reconheceram que a publicação foi um erro. A produção recebeu críticas após a divulgação de bastidores com orientações sobre como retratar os entrevistados.
Crítica ao bolsonarismo
O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) atribuiu a reeleição de Lula à “arrogância da família Bolsonaro”. Em vídeo, criticou o tratamento dispensado a eleitores de direita que discordam do grupo e avaliou que essa postura dificultou a ampliação do apoio a Flávio Bolsonaro.
Referência em FHC
Renan também questionou a prioridade dada à popularidade nas redes sociais e defendeu a construção de propostas para problemas concretos. Citou Fernando Henrique Cardoso, que derrotou Lula duas vezes no primeiro turno, como referência para uma mudança de estratégia dos adversários do PT.
Comunicado suspenso
O governo Donald Trump segurou um comunicado sobre o resultado da eleição brasileira após Flávio Bolsonaro contestar a vitória de Lula. O texto estava pronto no Departamento de Estado, mas a orientação foi aguardar e avaliar a situação.
Sem previsão
Questionada pela reportagem, a embaixada americana não informou quando o comunicado seria divulgado. A postura difere da adotada em 2022, quando os Estados Unidos, sob Joe Biden, estiveram entre os primeiros países a reconhecer a vitória de Lula.
Reconhecimento externo
Enquanto Washington adiava sua manifestação, presidentes de direita da América Latina já cumprimentavam Lula. Segundo a reportagem, José Antonio Kast, do Chile, e Abelardo de la Espriella, da Colômbia, aliados de Trump e próximos da família Bolsonaro, reconheceram o resultado nas redes sociais.
Enquanto isso…
Governos de França, Espanha, Canadá, China, Rússia, Índia e África do Sul já saudaram a reeleição de Lula. As manifestações destacaram a continuidade das relações com o Brasil. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também cumprimentou o presidente brasileiro.
Na vizinhança
Por outro lado, na América Latina, México, Chile, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia, Paraguai e Uruguai estão entre os países cujos governos reconheceram o resultado. As manifestações ressaltaram o respeito à decisão dos eleitores e a disposição de manter a cooperação regional.
Resposta do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral classificou como falsa a afirmação de Flávio Bolsonaro de que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre durante a apuração. Segundo a Corte, o espaço não é aberto à visitação, e representantes do partido acompanharam os resultados na Sala de Totalização.
Fiscalização registrada
O TSE informou que dois representantes do PL acompanharam a totalização dos votos e que possui registros de presença e filmagens que comprovam o acesso aos espaços de fiscalização. O esclarecimento foi divulgado após Flávio contestar o resultado e anunciar que pediria a anulação da eleição.
Faixa ‘de família’
Os Bolsonaros parecem sempre dispostos a tumultuar o processo eleitoral. Em dezembro de 2022, Jair foi aos EUA e evitou passar a faixa a Lula. Nesta campanha, Flávio prometeu recebê-la do pai, hoje em prisão domiciliar, caso vencesse. É preciso lembrar que a faixa presidencial, pertence à República, e não à família.
Defesa da filha
O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, divulgou um vídeo em defesa da filha, que, segundo relatos na gravação, teria sofrido intimidação e ofensas por seu posicionamento político. Ao lado da jovem, o gestor afirmou que não aceitará abordagens dessa natureza contra familiares.
Escolhas diferentes
Identificado com o bolsonarismo, Juliano Ferro ressaltou a divergência política dentro da própria família: “Eu sou Bolsonaro, ela é PT!”. A declaração foi feita durante a reação do prefeito aos supostos ataques contra a filha, cujo posicionamento ele defendeu que fosse respeitado.
Reações divididas
O vídeo provocou manifestações de apoio e críticas nas redes sociais. Parte dos internautas considerou legítima a defesa da filha; outros questionaram as ofensas e o tom ameaçador empregado pelo prefeito. Na gravação, Juliano afirmou que iria atrás dos responsáveis pelos ataques relatados.
Cabeça erguida
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) elogiou a campanha de Flávio Bolsonaro e pediu aos apoiadores que não desanimem após a vitória de Lula. Ao agradecer a recepção nas cinco regiões do país, defendeu a continuidade da mobilização e afirmou que é preciso seguir “de cabeça erguida”.
Fiscalização prometida
Tereza Cristina destacou a eleição de governadores de direita e a força das bancadas desse campo político na Câmara e no Senado. A senadora afirmou que atuará na fiscalização do governo Lula e na cobrança de propostas ligadas à prosperidade e à segurança.
Apoio em MS
Soraya Thronicke (PSB), Vander Loubet (PT), Fábio Trad (PT) e Simone Tebet (PSB-SP) estão entre as lideranças que não conquistaram mandatos na última eleição, porém apoiaram o presidente Lula nesta eleição e poderão conquistar cargos no futuro governo.
Participação na campanha
Após disputar o governo de Mato Grosso do Sul e receber 322.807 votos, Fábio Trad participou da mobilização pela candidatura de Lula no segundo turno., o petista esteve em manifestações em Campo Grande e participou de uma reunião com o presidente em Brasília.
Disputas ao Senado
Entre os apoiadores de Lula, Vander Loubet e Simone Tebet disputaram vagas no Senado, mas não foram eleitos. O deputado federal concorreu por Mato Grosso do Sul, enquanto Simone participou da eleição por São Paulo, pelo PSB.
Maior bancada
O PL deverá ter a maior bancada do Senado a partir de fevereiro de 2027, com 28 das 81 cadeiras. O PT aparece em seguida, com dez senadores, seguido por MDB, com oito, e PP, com seis. A composição considera os eleitos, os mandatos em andamento e as substituições, podendo mudar com trocas partidárias.
Comando em disputa
Tereza Cristina (PP) é citados como possível candidata à presidência do Senado em 2027. A reeleição de Lula pode influenciar as articulações: uma eventual aproximação entre o PT e partidos do Centrão reuniria, segundo o levantamento, 45 cadeiras, sem significar apoio automático a um candidato.
Dez municípios
Lula recebeu 628.973 votos em Mato Grosso do Sul e obteve maioria em dez municípios no segundo turno. A lista inclui Miranda, Japorã, Paranhos, Taquarussu, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Selvíria, Vicentina, Itaquiraí e Corumbá.
Presença indígena
Lula registrou 70,98% dos votos válidos em Japorã, 61,09% em Paranhos e 58,71% em Miranda. Os percentuais correspondem ao conjunto dos eleitores de cada cidade, sem identificar o voto por pertencimento étnico.
Resultado em Corumbá
Em Corumbá, Lula encerrou o segundo turno com 25.229 votos, equivalentes a 50,73% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 24.501 votos, ou 49,27%. O resultado representou uma mudança em relação ao primeiro turno no município.
Retrato da migração
A Secretaria Municipal de Assistência Social elaborou um diagnóstico sobre migrantes, refugiados e apátridas em Dourados. O levantamento reúne informações sobre moradia, trabalho e acesso aos serviços públicos. Entre 2010 e 2025, o município concentrou 9.197 registros de migrantes internacionais, equivalentes a 24,2% do total estadual no período.
Planejamento permanente
O estudo recomenda transformar a resposta emergencial do Projeto Bienvenido em uma política municipal contínua, articulada entre diferentes setores e com financiamento compartilhado. Em 2025, a rede municipal de ensino registrou 1.646 estudantes migrantes, enquanto a Atenção Primária à Saúde atendeu 7.541 pessoas desse público.





