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‘Teorias da conspiração’, por Laerte Tetila

Laerte Tetila (*) –

Amigos e amigas, nesses tempos da pós-verdade, quando se pensa nas teorias da conspiração, logo vem a ideia de um conjunto de estratégias políticas, muito utilizada pela extrema-direita contemporânea e ligada aos grandes grupos econômicos deste país. Grupos que almejam o poder a qualquer custo, desde que consigam fixar ideias falsas, contra seus adversários, no imaginário popular.

Apesar de desmentidas por provas, até contundentes, as ideias conspiratórias acabam disseminadas, pois que, com a expansão das redes sociais, as mesmas, por mais cínicas, hipócritas e enganosas, por mais que sequestrem a verdade e troquem a razão pelo pânico, tornam-se aceitas por milhares de pessoas, que ignorando as consequências acabam vítimas e no prejuízo.

O pensamento conspiratório, segundo analistas, tem sido sumamente importante no ideário fascista, haja vista os efeitos devastadores na vida de um povo, de uma nação. E não foi por menos que cerca de 330 mil mortes, por Aids, poderiam ser evitadas na África do Sul e mais de 400 mil, por Covid-19, no Brasil.

Vale lembrar que, nesses tempos digitais, existem conspirações até delirantes, circulando nas redes sociais, nas quais nem seus próprios conspiradores acreditam. E nem precisa, ávidos que são pela lei da vantagem, pela monetização, pelo tamanho do naco como paga.

E já não são poucos os “ influencers” do alardeio, da raiva, da revolta, do medo, contra Universidades, órgãos de imprensa séria, Justiça, Ciência, Ambientalismo, Cultura, dados oficiais e contra a própria Democracia. Alardeio, sublinhe-se, com tração suficiente para eleger até mesmo parlamentares, governantes e até presidente da república – filme já manjado entre nós !

Conspiraram com a negação de resultado eleitoral, que quedou em vandalismo dos Três Poderes e, pasmem, atribuído a petistas infiltrados! Conspiraram com o pavor ao comunismo, que já não tem um centésimo sequer da força que já teve no passado. Conspiraram contra um presidente que foi condenado, sem nenhuma prova, mas apenas por fato indeterminado. Conspiram, ainda, com o alarde de um plano para o fechamento de Igrejas, quando neste país são inauguradas 24 igrejas por dia (uma por hora)! Conspiram contra quem se opõe a um certo senador, que embolsou milhões do INSS, sem prestar contas, e por aí vai…

Do exposto, depreende-se que, para os endinheirados e seus asseclas, conspirar é a tônica para que o povo acredite que há um colapso da ordem, que é necessário um líder forte para que tudo se resolva, mas a favor deles, evidentemente – um filme já visto com Collor de Melo e com o presidente anterior, também com Javier Milei (Argentina), dentre outros e com direito ao desemprego em massa, ao retorno ao Mapa da Fome e outras mazelas!  

(*) Laerte Tetila é geógrafo, foi professor e chefe de Departamento/UFMS, vereador, deputado estadual e prefeito de Dourados-MS. Mestre pela USP, autor de cinco livros, dentre eles, “Meio Ambiente – Mato Grosso do Sul em Foco” e “Que Cristianismo é Esse?”     

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