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Em MS, 78 presos não voltaram da saída natalina

Policial – 15/01/2009

Dados da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen), mostram que 78 dos presos que receberam o direiro de passar o Natal e o Ano novo com as famílias ainda não retornaram para o cumprimento regular da pena. O número representa 4,2% do total de beneficiados com a liberdade provisória. Em Dourados, dos 605 liberados, 18 não retornaram. A Polícia Militar acredira que os fugitivos possam ter relação com os recentes arrastões na cidade. De acordo com o comandante da PM de Dourados, Coronel Guilherme Gonçalves, o número de assaltos cometidos no município, aumentou 40% nas últimas semanas. Segundo ele, a cada caso de assalto solucionado, pelo menos um dos envolvidos é integrante do regime-semi-aberto.Guilherme atribui a onda de crimes violentos em Dourados a participação dos albergados e das disputas entre grupos rivais e facções criminosas, que deixam rastro de terror e medo também nas regiões de fronteira.O comandante destaca casos recentes de albergados envolvidos no crime, como o assalto em uma relojaria de Maracajú no último dia 07. Dois dos quatro envolvidos eram do regime semi-aberto. “Se não fosse o flagrante, seria mais difícil provar o envolvimento deles no crime, já que ambos estavam em horário de serviço e deveriam estar trabalhando”, disse, observando que outros dois foram mortos e um outro foi preso em São Paulo. Juliano da Silva estava no benefício da saída temporária e foi detido por que o prazo para ele se apresentar em Dourados havia vencido.De acordo com informações do Regime Semiaberto os albergados foram liberados no dia 20 e teriam que voltar no dia 7. Quem não retornou é considerado foragido, e quando foi preso novamente, vão retornar ao regime fechado.As saídas temporárias são restritas aos condenados que cumprem pena no semiaberto. Por isso, em tese, já vêm se preparando para voltar a conviver em sociedade. Tem direito à saída temporária o preso do regime semi-aberto, com bom comportamento, que cumpriu 1/6 da pena ou 1/4 se for reincidente. Ao todo, mato Grosso do Sul liberou 1.855 albergados. Destes, 605 são de Dourados, 875 da Comarca de Campo Grande e 375 do interior. Segundo informações do regime Semi-aberto, o número de reicidentes não chega a 1% quando se fala em foragidos da saída temporária, o que, para o setor, significa que a onda de assaltos não está relacionada diretamente aos albergados e sim ao aumento no número de pessoas no centro da cidade, ou seja, quanto maior a movimentação, maior o número de crimes. “Se os albergados não tivessem sido liberados a onda de assaltos estaria do mesmo modo”, comentou Antonino Rebeque, diretor do Regime Semiaberto. De acordo com a Polícia Militar, nos próximos dias todo o efetivo vai estar em pontos estratégicos do centro e bairros de Dourados. “Vamos reativar a operação que fizemos no Natal, mas desta vez com mais rigor”, alerta coronel Guilherme. ÁLCOOLEstatísticas do Movimento Nacional de Direitos Humanos mostram que, entre as 22 horas de sexta-feira e às 5h de segunda-feira, período que a população tira para descansar e se divertir, é também o que concentra o maior número de homicídios, principalmente nas grandes cidades. Bares e restaurantes são os locais favoritos para diversão. Secretarias de Segurança Pública de todo o país, no entanto, estudam a ligação dos crimes com o consumo de bebida alcoólica e pensam em soluções, como proibir a venda de bebidas alcoólicas nos bares em determinados horários. Em Diadema, São Paulo, estudos do Instituto Fernando Braudel constataram que a regulamentação da venda de bebidas alcoólicas contribuiu para a queda da criminalidade.Em Dourados a proibição da venda de bebidas alcoólicas não surtiu efeito, através da lei 1067 do Código de Posturas do Município. A venda de bebidas até então libera entre às 6h e 23h de segunda à quinta-feira. De sexta à domingo, das 6h às 24h. Para estender o atendimento, é exigido requerer junto à prefeitura uma licença especial. A lei foi criada em 2006 pelo então vereador Carlinhos Cantor. Ao Douradosagora, ele disse à época que a lei não havia emplacado por falta de fiscalização dos setores de segurança pública.

Fonte: Dourados Agora

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