Riedel, sim, secretários, não; votos sem cadeira, Lula x Flávio, o ‘cara’ do Nikolas

Juca Vinhedo –
A FRASE
“O jogo vai começar. Estamos na prorrogação. Na prorrogação, nós vamos convencer o povo brasileiro da importância de continuarmos o projeto de desenvolvimento tecnológico, científico, exploração de terras raras e minerais críticos, e vamos mostrar o que vai ser o crescimento da nova indústria no Brasil”.
(Presidente Lula, logo após o resultado oficial do primeiro turno das eleições de domingo)
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Decisão adiada
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT). Como nenhum alcançou a maioria necessária, a Presidência será decidida em 25 de outubro. O senador chega à rodada final na dianteira, mas a disputa permanece aberta.
Distância curta
A diferença de 1,87 ponto percentual entre Flávio e Lula foi a menor registrada num primeiro turno presidencial desde a redemocratização do país. A vantagem exige cautela nas comemorações e esforço dos dois lados. Até o último voto, ninguém pode tratar a faixa presidencial como encomenda entregue.
Eleitor ausente conta
Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno. Esse contingente, além dos eleitores dos candidatos eliminados, estará no centro da disputa entre Lula e Flávio. A tarefa agora será ampliar apoios e convencer quem ficou de fora: falar apenas aos convertidos pode não bastar.
Bancada maior
Dourados ampliou de quatro para cinco o número de deputados estaduais com base política no município. Zé Teixeira, Tiago Botelho, Gianni Nogueira, Gleice Jane e Renato Câmara ocuparão 20,8% das cadeiras da Assembleia.
Veterano na dianteira
Zé Teixeira liderou a votação para deputado estadual em Mato Grosso do Sul, com 54.080 votos. Ele e Renato Câmara garantiram a continuidade de seus mandatos, enquanto Tiago Botelho, Gianni Nogueira e Gleice Jane completam a representação douradense. Experiência e renovação dividirão a bancada.
Troca em Brasília
Dourados manteve duas cadeiras na Câmara Federal, mas mudou parte de sua representação. Rodolfo Nogueira foi reeleito com 103.303 votos, e Isa Marcondes conquistou seu primeiro mandato com 76.956. Geraldo Resende não conseguiu a reeleição, encerrando uma etapa de sua trajetória parlamentar.
Agora é entregar
Com cinco estaduais e dois federais, Dourados terá presença expressiva nos dois legislativos. O desafio será transformar essa força numérica em recursos, obras e serviços para a população. Passada a disputa nas urnas, a cidade precisa de articulação e trabalho conjunto para fazer suas demandas avançarem.
Londres, outra vez
Londres Machado (PP) vai para o 14º mandato na Assembleia Legislativa e permanece como o maior veterano da Casa. A longevidade nas urnas atravessa gerações de eleitores e mudanças no cenário político. Na política sul-mato-grossense, o sobrenome Machado continua resistindo ao calendário.
Experiência com votos
Zé Teixeira e Paulo Corrêa, ambos do PL, chegarão ao nono mandato embalados pelas duas maiores votações para a Assembleia. Zé recebeu 54.080 votos; Corrêa, 44.541. Os resultados mostram que, mesmo com espaço para novos nomes, os veteranos continuam com eleitorado fiel.
Veteranos em fila
Pedro Kemp (PT) exercerá seu oitavo mandato consecutivo, após conquistar 28.397 votos. Rinaldo Modesto e Márcio Fernandes seguem para o sexto, enquanto Paulo Duarte chegará ao quinto. A próxima Assembleia terá renovação, mas também muita gente que conhece de longa data os corredores da Casa.
Rose na frente
Rose Modesto (União Brasil) liderou a votação para deputado federal em Campo Grande, com 68.306 votos. Camila Jara (PT) ficou em segundo, com 63.523, seguida por Marcos Pollon (PL), com 56.347. A Capital voltou a mostrar seu peso na composição da bancada federal.
Puccinelli mantém força
André Puccinelli foi o candidato a deputado estadual mais votado em Campo Grande, com 26.578 votos dos 40.602 conquistados no Estado. Atrás dele ficaram André Salineiro e Luiza Ribeiro. O ex-governador mostrou que sua antiga base eleitoral ainda tem fôlego.
Votos além de casa
Vereador de Rio Brilhante, Daverson Matos (PL) conquistou 11.793 votos em Campo Grande na disputa para deputado estadual. A campanha contou com vídeo de apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-SP). O desempenho mostra que uma candidatura do interior também pode encontrar terreno fértil na Capital.
Vitória sem transferência
Eduardo Riedel garantiu a reeleição no primeiro turno, mas os secretários que deixaram sua gestão para disputar este pleito não tiveram o mesmo sucesso. A lista inclui candidatos à Câmara e à Assembleia. O resultado mostra que o prestígio do governador não se transfere automaticamente aos auxiliares.
Estreia sem cadeira
Jaime Verruck (Republicanos) e Viviane Luiza (PSDB) ficaram sem mandato em suas primeiras disputas eleitorais. O ex-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento recebeu 49.585 votos para deputado federal; a ex-secretária de Cidadania, 45.083. A experiência administrativa não bastou para abrir as portas da Câmara.
Peluffo foi exceção
Marcelo Miranda e Eduardo Rocha também ficaram fora da Assembleia, com 23.112 e 15.782 votos, respectivamente. Entre os antigos integrantes do governo, Hélio Peluffo conquistou uma cadeira, com 31.435 votos. A diferença: o ex-secretário de Infraestrutura havia deixado a gestão em agosto de 2024.
Votos sem cadeira
A advogada Luiza Ribeiro (PT) conquistou 25.472 votos para deputada estadual, superando a votação de seis candidatos eleitos, mas ficou fora da Assembleia. O resultado mostra o peso do sistema proporcional: a votação individual conta, porém a força eleitoral do partido ou da federação também decide quem conquista mandato.
A conta partidária
Além de Luiza, Junior Mochi e Marcelo Miranda ficaram sem cadeira apesar de votações expressivas. Como explica o advogado André Borges, o sistema proporcional considera os votos das legendas na distribuição das vagas. Nas eleições legislativas, escolher o partido pode ser tão decisivo quanto conquistar o eleitor.
Direita em dois blocos
A direita conquistou sete das oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara, mas o eleitorado não votou de maneira uniforme. O mapa municipal revela dois alinhamentos: Flávio Bolsonaro com Capitão Contar e Eduardo Riedel com Reinaldo Azambuja.
Lula e Riedel
Nos seis municípios onde Lula superou Flávio Bolsonaro, Riedel também venceu, com índices entre 64% e 80%. Em Japorã, o presidente recebeu 67% e o governador, 80%. O cruzamento mostra que parte do eleitorado separou a disputa nacional da estadual, sem seguir uma única orientação política.
Mais votos, menos espaço
A federação de PT, PCdoB e PV, em Mato Grosso do Sul, aumentou sua votação para deputado federal de 205 mil para 249 mil votos, mas caiu de duas cadeiras para uma. Apenas Camila Jara foi eleita. Conforme a análise do jornal, pesaram a distribuição das vagas e a concentração de votos na parlamentar.
Fanatismo x voto nulo
No Distrito Federal, 26.603 eleitores digitaram 22 para governador e anularam o voto: o PL apoiava Celina Leão, mas o número dela era 11. Com 49,93% dos votos válidos, Celina disputará o segundo turno com Leandro Grass. Se destinados à governadora, esses votos poderiam ter encerrado a disputa no domingo.
Silêncio no segundo turno
Terceiro colocado na disputa presidencial, com 3,44 milhões de votos, Augusto Cury (Avante) afirmou que pretende manter silêncio sobre o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Também avisou que ninguém está autorizado a anunciar apoio em seu nome. Seus eleitores terão de decidir por conta própria.
Saída anunciada
Cury também declarou que pretende abandonar a vida político-partidária, embora tenha ressalvado que o amanhã é incerto. Ao se despedir da disputa, pediu diálogo entre conservadores e progressistas e que os finalistas considerem suas propostas. Sai de cena defendendo a bandeira que marcou sua campanha: superar a polarização.
Zema anuncia apoio
O ex-governador Romeu Zema (Novo) declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial. Em vídeo divulgado na segunda-feira (5), o ex-governador de Minas Gerais afirmou que não ficará “em cima do muro” e justificou a decisão por sua oposição ao PT e à permanência de Lula na Presidência.
Sem indicação
Quarto colocado na eleição presidencial, com 2,67 milhões de votos, Renan Santos (Missão) descartou apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro no segundo turno. O candidato deixou seus eleitores livres para escolher. Na disputa pelos votos que ficaram pelo caminho, os finalistas terão de buscar esse eleitorado diretamente.
PSD sem amarras
O PSD de Ronaldo Caiado liberou seus diretórios estaduais, parlamentares e militantes para definir apoio no segundo turno. Gilberto Kassab justificou a decisão pela diversidade das alianças nos estados. Caiado conquistou 2,60 milhões de votos, mas a legenda seguirá sem uma orientação nacional única.
Diferente do partido
Por outro lado, após receber uma ligação de Flávio Bolsonaro, o próprio Caiado (PSD) prometeu anunciar apoio ao senador nesta terça-feira (6), em Goiânia. O evento deverá reunir Flávio, o governador Daniel Vilela, prefeitos e parlamentares aliados. Quinto colocado, Caiado conquistou 2,6 milhões de votos no primeiro turno.
Recorde nas urnas
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi reeleita com 1.596.472 votos e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados. Superou o recorde de Joice Hasselmann, registrado em 2018. Aos 33 anos, a parlamentar sai das urnas com força política ampliada.
Salto eleitoral
Dos 256.903 votos conquistados em 2022 para quase 1,6 milhão neste ano, Erika Hilton multiplicou por mais de seis sua votação. Ficou em terceiro lugar no ranking nacional para deputado federal, atrás de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato. Um crescimento expressivo em apenas um mandato.
Bandeira do trabalho
Além da defesa dos direitos das mulheres, da população negra e da comunidade LGBTQIA+, Erika ganhou projeção com a proposta de acabar com a escala 6×1. Sua PEC prevê quatro dias de trabalho, três de descanso e limite de 36 horas semanais.



