Governo MS: Estariam os eleitores de MS em transe para eleger Riedel no 1º turno?

José Henrique Marques –
Mesmo aferindo que metade do eleitorado sul-mato-grossense não sabe em quem votar neste domingo (4) para governador do Estado, a quase totalidade das pesquisas sugerem que Eduardo Riedel (PP) vença no primeiro turno. Seus principais concorrentes, Fábio Trad (PT) e João Henrique Catan (Novo) discordam.
A Quaest, divulgada em 25 de setembro, revela que 55% dos entrevistados no Estado aparecem como indecisos na modalidade espontânea. Então, não há nada decidido.
Mas, partindo do pressuposto de que esses levantamentos estão corretos fica o enigma: por que? Riedel faz um governo medíocre, marcado por escândalos de corrupção, tem margem “0” para reajustes salariais de 2027 a 2030, autorizou renúncia fiscal de R$ 12 bilhões a elite e grandes conglomerados sem qualquer contrapartida estrutural ou social, é incapaz de conter o caos na saúde, contraiu empréstimos de R$ 4 bilhões de reais, em 3,5 anos, assiste a violência contra os indígenas, convive com precariedade nas estradas e deve enviar pacote de “bondades” à ALMS na terça feira.
A gestão do governo Riedel, tido pelos bajuladores como um “CEO”, é abaixo da crítica, ao ponto de precisar do aval e da benevolência republicana do presidente Lula (PT) para emprestar dinheiro de banco, e pagar as contas neste final de ano, inclusive a folha de pagamento.
Ingrato, não reconhece quem o ajudou, colhe os louros das milhares de obras federais em MS para si, e até virou as costas para aqueles que o ajudaram a vencer Contar (PL), em 2022.
Se não bastassem todas essas assertivas, surgem agora evidências de que Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato a senador, trouxeram para Mato Grosso do Sul empresas de Daniel Vorcaro, o agiota ungido banqueiro durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Lesados, pelo menos 500 servidores públicos de MS já acionaram a justiça. A Folha de Dourados tem um dossiê sobre o caso.
Com tantos BOs em sua breve trajetória eletiva, como Riedel será dispensado pelo eleitorado de debater essas pautas no segundo turno? O eleitor está cego, conivente ou em transe como aquela gente que rezou para pneus, miou em via pública, lamentou nos muros, marchou em frente aos quartéis, acreditou em 72 horas, clamou pela salvação de ETs, depois foi usada para tentativa de golpe depredando as sedes dos Três Poderes, e agora até sorve detergente? É impressionante.
Não é crível que os 34.000 aposentados e pensionistas e seus familiares concordem com esse governo; que os 58.000 servidores públicos do Executivo estejam contentes. Que um contingente de 25.000 aguardando na fila de exame para ter o diagnóstico e iniciar um tratamento e seus familiares estejam contentes; que 18.000 enfermos aguardando cirurgia e seus familiares possam votar em Riedel, que os mais de 20.000 servidores de Campo Grande apoiem pupila do governador.
Será que as 75.000 famílias da agricultura familiar amparadas pelo governo federal, os 40.000 indígenas votantes, os milhares de quilombolas, a comunidade LGBT Q+ (que são mais de 50.000 em MS) apoiam, em sua grande maioria um projeto excludente e preconceituoso representado por Riedel e Reinaldo?
Há quem diga que o cenário deste ano é parecido como 2014, quando as vésperas das eleições, Delcídio do Amaral, então no PT, tinha mais de 60% dos votos. Contudo, mesmo avisados, pesquisadores (agora, servindo Riedel) não aferiram que no interior a candidatura de Reinaldo Azambuja crescia, e deu no que deu.
A história pode estar se repetindo, porque é visível o crescimento de Fábio Trad e de Catan para, pelo menos, provocar o segundo turno.
Relembrar e pensar:
Operação Antivírus (GAECO – 2017)
Esta operação atingiu diretamente o topo da hierarquia da autarquia ao desarticular um esquema que contratou, sem licitação, a empresa Pirâmide Central Informática por R$ 7,4 milhões para gerenciar o sistema de registro de documentos do órgão. O GAECO classificou o contrato como um “negócio da China” arquitetado para desviar recursos públicos.
Operação Motor de Lama (Polícia Federal) – 2020
Considerada a 7ª fase da Operação Lama Asfáltica, a ação mirou fraudes e corrupção sistêmica em contratos gigantescos firmados entre o DETRAN/MS e a empresa ICE Cartões Especiais Ltda. O Esquema: De 2015 a 2020, a empresa abocanhou R$ 152,3 milhões para realizar os serviços de emissão de CNHs e rastreamento de lacres de placas.
Operação Recurso Privilegiado (GAECO) – 2021
Deflagrada em maio de 2021 com apoio da 30ª Promotoria de Justiça, investigou fraudes operadas de forma interna nos computadores da autarquia.
Investigações Recentes (Gestão Riedel) – EM ANDAMENTO
O DETRAN/MS continua sob monitoramento dos órgãos de controle. Em setembro de 2026, o Ministério Público Estadual instaurou novos procedimentos para apurar denúncias de superfaturamento e direcionamento de licitações ligadas a contratos de sinalização viária e engenharia de tráfego promovidos pela autarquia. O Alvo: O foco está no Pregão Eletrônico nº 001/2026, homologado no valor de R$ 43,1 milhões para serviços de engenharia, manutenção e implantação de sinalização viária (horizontal, vertical e semafórica) em municípios do Estado.
Operação Vostok (Polícia Federal) – Gestão Reinaldo Azambuja (2018)
Embora seu foco principal tenha sido o crime de corrupção e lavagem de dinheiro (propina da JBS), a engrenagem central da operação dependia essencialmente de fraudes fiscais de grande escala estruturadas na cúpula da SEFAZ.
Operação “Bois de Papel” (Polícia Federal / CGU) –
Gestão Reinaldo Azambuja – Mais de R$67 milhões em Propinas. Para dar legalidade ao dinheiro, pecuaristas e políticos emitiam notas de “boi de papel” simulando vendas fictícias para a JBS.
Operação Oiketicus
Deflagrada originalmente pelo GAECO e pela Corregedoria da PMMS em maio de 2018, foi a maior ação de combate à “Máfia do Cigarro” no estado. A investigação revelou como uma rede de policiais militares recebia propinas milionárias para facilitar, dar cobertura e escoltar carretas de cigarro contrabandeado do Paraguai que cortavam as rodovias de Mato Grosso do Sul.
Operação Nota Zero (Polícia Federal / CGU) – Gestão Reinaldo Azambuja (2019)
Deflagrada em maio de 2019, investigou fraudes em oito processos licitatórios de reformas e construções de escolas públicas estaduais com recursos federais, somando quase R$ 10 milhões em contratos sob suspeita.
Operação Grãos de Ouro (GAECO) – Gestão Reinaldo Azambuja (2018)
Deflagrada em agosto de 2018, foi uma das maiores ações contra a sonegação fiscal em MS. O esquema gerou um prejuízo estimado de R$ 44 milhões aos cofres públicos estaduais.
Operação Colheita Fantasma (DRACCO / SEFAZ / Receita Federal) – Gestão Eduardo Riedel (2025)
Deflagrada em abril de 2025 pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) com apoio direto da inteligência fiscal da SEFAZ/MS, essa operação mirou uma organização criminosa de fraude tributária estruturada que movimentou a cifra histórica de mais de R$ 1 bilhão.
Operação Reagente (GAECO) – Fraude em Equipamentos Médicos e Reagentes – Governo Reinaldo Azambuja (2018)
Deflagrada para desarticular fraudes e desvios que ultrapassaram os R$ 20 milhões por meio de compras simuladas de reagentes laboratoriais e equipamentos.
Operação REDIME – Gestão Reinaldo Azambuja (Julho de 2020)
A operação do GAECO que mirou especificamente o direcionamento de licitações e contratos MILIONÁRISO para favorecer a locação de equipamentos hospitalares superfaturados pelo governo estadual. Alugar em vez de comprar: O Estado firmou contratos de mais de R$ 140 milhões para a locação de maquinários de imagem e diagnóstico hospitalar (como aparelhos de tomografia e ressonância) instalados no Hospital Regional de Campo Grande e em outras unidades. As fraudes em licitações e os aditivos contratuais sucessivos que mantiveram a empresa HBR Medical de forma quase “eterna” na prestação de serviços.
Operação SOS-Saúde (Polícia Federal / MPF) – Gestão Reinaldo Azambuja (2021)
A PF, o MPF e a CGU investigaram desvios de recursos federais na gestão da saúde pública no interior do Estado em agosto de 2021. O Esquema: Focado em fraudes licitatórias, peculato e dispensa indevida de licitação em contratos de gestão firmados entre o governo de MS e uma Organização Social de Saúde (OSS) que administrava o Hospital Regional Dr. José Simone Netto, em Ponta Porã.
Operação Turn Off (GAECO / GECOC) – Gestão Riedel (2023)
A Operação Turn Off foi deflagrada no fim de 2023 para desarticular uma organização criminosa que fraudava licitações e contratos públicos que somavam R$ 68 milhões nas áreas de educação e saúde.
Operação Vox Veritatis (Polícia Federal / CGU) – Desdobramento da Gestão Reinaldo na Gestão Riedel (2025)
Deflagrada em maio de 2025, a operação investigou o desvio de mais de R$ 20 milhões em verbas federais repassadas à educação. Embora deflagrada na gestão Riedel, os contratos fraudados se iniciaram e transcorreram na gestão de Reinaldo Azambuja.
Operação Gutenberg (GAECO / MPE) – Gestão Riedel (2026)
O GAECO desarticulou em julho de 2026 uma das fraudes mais complexas e consideradas “repugnantes” na área, que movimentou R$ 27,4 milhões. O Esquema: O Complexo Regulador Estadual (Core), órgão da Secretaria de Estado de Saúde (SES), foi usado como moeda de troca. Uma organização criminosa cooptou o chefe do Centro Estadual de Regulação e servidores da saúde para facilitar ou travar vagas de leitos, exames e cirurgias do SUS para municípios do interior. Em troca, os prefeitos dessas cidades eram pressionados e chantageados a assinar contratos de compra de livros superfaturados com a Editora Avante.
Operação OncoJuris (GECOC / MPE, DRACCO e Receita Federal) – Gestão Riedel (2026)
Deflagrada em abril de 2026 para combater um esquema milionário estruturado de fraude por meio da judicialização da saúde pública em MS. As investigações apontam que a organização criminosa movimentou um valor total estimado em R$ 78 milhões.
Operação Cascalhos de Areia (2023-2026)
Na Operação Cascalhos de Areia, deflagrada pelo Gaeco (Ministério Público de MS), os valores sob investigação dividem-se entre o montante total dos contratos sob suspeita e o prejuízo estimado aos cofres públicos: Contratos sob investigação: O volume total de contratos e aditivos fraudados firmados pelo grupo criminoso ultrapassa os R$ 300 milhões.



