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Bárbara Resende propõe o Auxílio Maria da Penha: ‘Mulheres estão cansadas de ter só discurso’

Juliel Batista –

Candidata a deputada estadual pelo União Brasil, Bárbara Resende participou pela segunda vez do FolhaCast, podcast da Folha de Dourados, dentro do Especial Eleições 2026. Na primeira participação, ela esteve no programa ainda como pré-candidata. Agora, com a candidatura oficializada, voltou ao Estúdio Nexus 5.0 para falar sobre a campanha, propostas e as áreas que pretende priorizar caso seja eleita para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Durante a entrevista, Bárbara afirmou que sua campanha alcançou 40 municípios e destacou o trabalho realizado junto a entidades do terceiro setor e projetos sociais. Segundo ela, a presença feminina e a renovação também fazem parte do discurso levado aos eleitores. “A rede social é um mecanismo apenas. Ela amplifica aquilo que você já está fazendo”, afirmou, ao defender que as ferramentas digitais não substituam o contato direto com a população.

“A rede social é um mecanismo apenas. Ela amplifica aquilo que você já está fazendo”, afirmou

Entre os principais temas apresentados pela candidata está a assistência social. Bárbara defendeu a criação de um patamar mínimo de recursos para a área e citou São Gabriel do Oeste como exemplo de município onde, segundo ela, a articulação entre poder público e entidades sociais resultou em investimentos. “Eu sou completamente defensora da pauta, porque eu acredito que a gente precisa caminhar junto, não é um excluindo o outro”, declarou.

A candidata também apresentou como proposta o chamado “Auxílio Maria da Penha”, benefício temporário destinado, segundo ela, a mulheres com medidas protetivas que estejam em situação de violência e não tenham condições de deixar o ambiente em que vivem. Bárbara afirmou que o auxílio teria duração estimada entre três e seis meses e seria condicionado a critérios específicos. “A gente precisa amparar essas mulheres quando essa for a última instância”, disse.

“A gente precisa amparar essas mulheres quando essa for a última instância”, disse.

Na área da saúde, Bárbara defendeu a regionalização dos serviços, com hospitais de referência distribuídos por regiões do Estado. A proposta, segundo ela, busca concentrar determinadas especialidades em unidades regionais para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para Campo Grande ou outros grandes centros. “É ilusório você prometer que vai ter hemodiálise em todos os municípios, vai ter CTI em todos os municípios”, afirmou. “A gente precisa fazer a saúde da população chegar para mais pessoas.”

“A gente precisa fazer a saúde da população chegar para mais pessoas.”

Bárbara Resende propõe o Auxílio Maria da Penha: 'Mulheres estão cansadas de ter só discurso'
Studio Nexus 5.0/Foto: Rakely dos Santos

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0: 

A seguir, a entrevista:

FolhaCast — Como está sendo a campanha nesta reta final?

Bárbara Resende — Está sendo muito boa, graças a Deus. A gente está com presença em 40 municípios. A qualidade tem sido muito boa também. Eu acredito que isso se deve a algumas questões. Obviamente, eu tenho um sobrenome que, quando as pessoas olham e veem a trajetória dentro da saúde pública, é algo que impulsiona bastante. Mas o meu trabalho junto com as entidades, junto com o terceiro setor, junto com os projetos sociais que eu apoio, tem uma entrada muito boa.

A gente está com presença em 40 municípios. A qualidade tem sido muito boa também.

Você percebe uma certa distância da população em relação à campanha eleitoral?

Eu acredito que a gente está vivendo um momento em que as pessoas estão com uma certa descrença, fadiga, descrença na política. Parece que a população está meio afastada do cenário político como um todo. Acho também que as pessoas estão fazendo muito a política EAD. O povo está carente do candidato que apresenta suas propostas e que tem esse corpo a corpo.

O povo está carente do candidato que apresenta suas propostas e que tem esse corpo a corpo.

Qual é o papel das redes sociais nesse processo?

A gente também utiliza a rede social, mas ela tem que amplificar o trabalho do chão, não pode substituir. A rede social é um mecanismo apenas. Ela amplifica aquilo que você já está fazendo. É importante que os candidatos tenham esse corpo a corpo, apresentem sua proposta para a população, que eles vão até os lugares.

A gente também utiliza a rede social, mas ela tem que amplificar o trabalho do chão, não pode substituir.

Você falou em presença em 40 municípios. Como essa campanha está distribuída pelo Estado?

A gente tem um foco grande aqui, porque eu sou douradense. Então, aqui nas regiões do entorno, Dourados, Caarapó, Laguna Carapã, Rio Brilhante, são áreas que a gente está privilegiando bastante. Mas também tenho uma presença muito grande na capital. Tenho uma presença grande na região norte e na fronteira.

A gente tem um foco grande aqui, porque eu sou douradense (…) A gente tem um foco grande aqui, porque eu sou douradense.

Você também cita a atuação junto às entidades sociais. Como é esse trabalho?

Eu acredito que é muito importante. A gente tem que ter muita responsabilidade quando fala de recurso público, independente da origem que seja. Eu falei do termo de parceria que a gente tem com a Receita Federal e como conseguimos angariar R$ 2,4 milhões para várias instituições. É muito importante que a gente audite essas instituições. Eu não ajudei nenhuma instituição em que não pisei.

A gente tem que ter muita responsabilidade quando fala de recurso público, independente da origem que seja.

Na sua avaliação, a assistência social recebe recursos suficientes?

Eu acho completamente escasso. Para saúde e educação, a gente tem um valor constitucional que tem que ser destinado. Para a assistência social, não. Agora está tramitando uma PEC para estabelecer 1% de patamar mínimo. É algo que a gente tem que lutar muito.

Eu acho completamente escasso.

Você citou São Gabriel do Oeste como uma experiência que considera positiva. O que encontrou lá?

Eles conseguiram fazer algo fantástico. Foi uma tratativa das entidades junto com a Secretaria de Assistência Social e com o gestor municipal da época, e conseguiram incluir um patamar de 5% de destinação para as entidades sociais. Então, as entidades lá funcionam muito bem. A realidade da maioria é trabalhar passando pires, querer fazer muito com pouquíssimo recurso.

A realidade da maioria é trabalhar passando pires, querer fazer muito com pouquíssimo recurso.

Caso eleita, pretende levar essa discussão para a Assembleia?

Com absoluta certeza. E quero contar com todos os meus colegas parlamentares para isso também. Eu sou completamente defensora da pauta, porque acredito que precisamos caminhar juntos. Não é um excluindo o outro. É o poder público identificar que determinada entidade tem meios e profissionais para fazer aquele trabalho e ampará-la para que consiga atender uma demanda reprimida.

Eu sou completamente defensora da pauta, porque acredito que precisamos caminhar juntos.

A questão da violência contra a mulher também aparece entre suas propostas. O que você pretende defender?

A pauta da mulher é uma pauta que todo mundo fala. Nós estamos vivendo uma epidemia, uma calamidade de violência doméstica e de feminicídio. Precisamos garantir meios para que essas mulheres consigam sair desse contexto. Precisamos de políticas públicas efetivas, porque nós, mulheres, estamos cansadas de ter só discurso.

Precisamos de políticas públicas efetivas, porque nós, mulheres, estamos cansadas de ter só discurso.

Você fala em dependência econômica como um dos fatores que dificultam a saída de relacionamentos violentos. Qual seria a proposta?

Eu tenho uma proposta legislativa que é o Auxílio Maria da Penha, que é um auxílio temporário para as mulheres que têm medidas protetivas, para que consigam sair do contexto de violência. Não é uma proposta de assistencialismo. Nós estamos vivendo uma situação calamitosa. Precisamos equipar nossa segurança pública para que consiga dar vazão às medidas protetivas e também ter protocolos de risco no interior.

Eu tenho uma proposta legislativa que é o Auxílio Maria da Penha, que é um auxílio temporário para as mulheres que têm medidas protetivas, para que consigam sair do contexto de violência.

Como funcionaria esse auxílio?

O tempo deveria ser de três a seis meses. Teria que ter critérios muito específicos. Por exemplo, a mulher teria que ter uma medida protetiva e não poderia ter um parente consanguíneo, um parente até primeiro grau, dentro do município. Tem que ser aquele auxílio de última instância. Em outros estados, geralmente está fixado mais ou menos num patamar de R$ 600. É um valor baixo, tendo em vista o valor dos aluguéis, mas precisamos dar o passo inicial.

O tempo deveria ser de três a seis meses.

E o auxílio seria acompanhado de outras políticas?

Sim. A segurança pública e o amparo dessa mulher nessa primeira instância têm que vir acompanhados de uma Secretaria de Assistência Social que consiga ingressar essa mulher no mercado de trabalho. Precisamos profissionalizar essas mulheres para que não sejam mais dependentes desse auxílio.

Precisamos profissionalizar essas mulheres para que não sejam mais dependentes desse auxílio.

Você citou cursos profissionalizantes como parte dessa estratégia.

Meu pai deixou uma emenda para os institutos federais, para a UFMS e para a UFGD, para fazermos cursos profissionalizantes para mulheres, de curta duração, para que consigam ser inseridas no mercado de trabalho. Fizemos cursos de embelezamento, de cuidadores de idosos e também um curso voltado para diagnóstico precoce, encaminhamento e tratamento de crianças autistas em zonas periféricas.

Meu pai deixou uma emenda para os institutos federais, para a UFMS e para a UFGD

Você tem 29 anos e seria uma estreante na Assembleia. Como imagina a relação com parlamentares mais experientes?

Eu tenho uma boa relação com vários ocupantes de cadeiras que já estão lá. A gente tem que se unir. Quando vamos aprovar um projeto de lei, precisamos dos votos dos colegas. Então, precisamos conversar e demonstrar a importância dos nossos projetos.

Então, precisamos conversar e demonstrar a importância dos nossos projetos.

A juventude também é uma das suas bandeiras. Qual é a preocupação?

Sou douradense, nasci aqui, cresci aqui, me formei aqui e consegui oportunidade de trabalho em outros lugares. Tenho vários amigos douradenses que foram para São Paulo e Campo Grande. A gente vê os jovens saindo do interior cada vez mais e indo para os grandes centros.

A gente vê os jovens saindo do interior cada vez mais e indo para os grandes centros.

Como você relaciona essa questão com os novos investimentos no Estado?

Temos oportunidades que estão surgindo agora, como a Rota Bioceânica, e oportunidades que já existem, como a rota da celulose em Ribas, Água Clara e Inocência. Precisamos fazer com que nossos jovens locais consigam oportunidades aqui. Todo esse avanço que está surgindo precisa também amparar os jovens que são daqui.

Todo esse avanço que está surgindo precisa também amparar os jovens que são daqui.

E quais são suas principais áreas de atuação?

Saúde, segurança pública, mulheres e juventude. Todas as minhas propostas, todos os meus projetos, todas as bandeiras que levanto são aquilo que eu e minha equipe técnica olhamos como mais deficitário. A gente não pode prometer que vai fazer tudo em quatro anos. Então, temos que pegar bandeiras específicas e que você consiga avançar.

A gente não pode prometer que vai fazer tudo em quatro anos.

Explique sua proposta de regionalização da saúde.

A gente não consegue ter especialidades médicas em todos os municípios. Médicos e especialistas custam extremamente caro para os gestores municipais. Precisamos entender isso. A população quer todas as especialidades perto de casa, mas isso não é possível em todos os lugares.

A população quer todas as especialidades perto de casa, mas isso não é possível em todos os lugares.

E como a regionalização resolveria parte desse problema?

Com hospitais de referência. A gente divide o Estado em blocos e, dentro desses blocos, temos hospitais regionais que atendem os municípios do entorno. Aqui em Dourados, temos um hospital regional que atende 34 municípios. O nosso sonho da regionalização da saúde é esse: trazer os serviços de saúde para perto da população, entendendo as limitações de cada município.

A gente divide o Estado em blocos e, dentro desses blocos, temos hospitais regionais que atendem os municípios do entorno.

Você citou municípios do interior que precisam de estruturas específicas.

Em cidades menores, a gente vê essa deficiência. Precisamos de hospitais de referência com especialistas mais próximos da população. É ilusório prometer que teremos hemodiálise em todos os municípios, CTI em todos os municípios e todos os centros de saúde em todos os municípios. A gente precisa fazer a saúde da população chegar para mais pessoas.

A gente precisa fazer a saúde da população chegar para mais pessoas.

Qual seria, então, o objetivo central dessa proposta?

O nosso sistema de saúde é universal e gratuito. Então, na parte da universalidade, ele não tem que ser só para algumas pessoas. Precisamos organizar a estrutura para que o atendimento especializado esteja mais próximo da população e que os pacientes não precisem percorrer grandes distâncias sempre que necessitarem de determinados serviços.

Precisamos organizar a estrutura para que o atendimento especializado esteja mais próximo da população

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