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Pesquisa não encerra disputa entre Camila, Marquinhos e Sandro pelas duas vagas da Federação

Levantamento ouviu eleitores em 30 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul – votação de 2022 mostra que quase um terço dos votos de Vander Loubet estava justamente nas 49 cidades que ficaram fora da pesquisa

Por Redação | Análise Eleitoral –

A mais recente pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência mostra um cenário ainda indefinido na disputa interna da Federação PT, PV e PCdoB por duas vagas de deputado federal.

Na pesquisa espontânea, Camila Jara aparece com 2,2% das intenções de voto, seguida por Marquinhos Trad, com 1,3%, e Sandro Omar, o Sandro do Vander, com 1,1%.

O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 14 e 18 de setembro, distribuídos em 30 municípios. A margem de erro geral informada é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Ao que consta, ela limitou-se à área urbana.

Os números colocam os três nomes em uma disputa que ainda precisa ser observada com cautela. Além da própria margem de erro, existe um componente territorial importante para compreender o cenário.

Mato Grosso do Sul possui 79 municípios. Isso significa que 49 cidades não fizeram parte dos locais de coleta da pesquisa.

E é justamente nesses municípios que aparece uma diferença relevante quando se examina o resultado das eleições de 2022.

24 mil votos de Vander estão nas cidades que ficaram fora da pesquisa.

Em 2022, Vander Loubet e Camila Jara disputaram o mesmo cargo, o de deputado federal.

Vander recebeu 76.572 votos em Mato Grosso do Sul. Camila obteve 56.542.

Quando são considerados apenas os 49 municípios que não fizeram parte da atual pesquisa Ranking, a diferença territorial é expressiva.

Vander Loubet recebeu 24.041 votos nessas 49 cidades. Camila Jara recebeu 4.006.

Ou seja, nesses municípios, Vander obteve aproximadamente seis vezes a votação de Camila.

Mais importante: os 24.041 votos representam cerca de 31% de toda a votação estadual de Vander em 2022.

No caso de Camila, os 4.006 votos representam aproximadamente 7% de sua votação estadual.

Isso mostra que os municípios ausentes do levantamento possuem pesos históricos muito diferentes para as duas bases eleitorais.

Interior foi decisivo para Vander

A diferença fica ainda mais clara quando se observa a distribuição geral dos votos.

Dos 76.572 votos recebidos por Vander em 2022, apenas 14.043 foram obtidos em Campo Grande. Portanto, cerca de 82% de sua votação veio de fora da Capital.

Camila apresentou comportamento praticamente inverso. Dos seus 56.542 votos, 37.737 foram obtidos em Campo Grande. Aproximadamente dois terços de toda sua votação vieram somente da Capital.

Em vários dos municípios que ficaram fora da atual pesquisa, a diferença de 2022 foi expressiva.

Em Mundo Novo, Vander teve 1.758 votos, contra 148 de Camila. Em Rio Verde de Mato Grosso, foram 1.427 contra 117. Em Selvíria, 1.288 contra 23. Em Porto Murtinho, 1.217 contra 64.

Em Nioaque, Vander recebeu 1.086 votos e Camila, 119. Em Caracol, foram 1.043 contra 29. Em Aral Moreira, 939 contra 21. Em Tacuru, 903 contra 21. Em Glória de Dourados, 897 contra 50.

O mesmo padrão aparece em Paranhos, onde Vander teve 794 votos contra 20 de Camila; Eldorado, 751 contra 78; Japorã, 535 contra apenas 9; e Novo Horizonte do Sul, 490 contra 13.

Os números não permitem afirmar que o eleitor de Vander automaticamente votará em Sandro em 2026. Mas mostram que existe uma base eleitoral historicamente importante de Vander em municípios que não integraram os locais de coleta da pesquisa.

Sandro aposta na transferência de uma base construída no interior

É justamente aí que aparece a principal variável ainda não mensurada na disputa.

Sandro Omar construiu sua trajetória política trabalhando por mais de duas décadas ao lado de Vander Loubet e adotou nesta eleição o nome “Sandro do Vander”. Vander, por sua vez, deixou a disputa pela Câmara e concorre ao Senado.

Isso cria uma situação eleitoral nova: parte dos eleitores que votavam em Vander para deputado federal precisará escolher outro candidato para a Câmara.

A questão é saber para onde irão esses votos.

A eleição de 2022 mostra que existe um universo significativo a ser disputado. Somente nos 49 municípios que ficaram fora da pesquisa atual são 24.041 votos que foram dados a Vander.

Se uma parcela relevante desse eleitorado migrar para Sandro, o resultado final da eleição poderá ser diferente da fotografia apresentada atualmente pelas pesquisas.

Não se trata de considerar automática a transferência de votos. Trata-se de reconhecer que a sucessão dessa base eleitoral ainda é uma variável em aberto.

Pesquisa é fotografia, urna é território

Camila chega à disputa com a vantagem de já exercer o mandato, receber a maioria dos recursos do fundo eleitoral e com uma base historicamente muito forte em Campo Grande.

Marquinhos Trad possui elevado conhecimento de nome, principalmente na Capital, onde foi prefeito por dois mandatos. Como em 2022 disputou o Governo do Estado, e não uma vaga proporcional, sua votação daquela eleição não é diretamente comparável à votação para deputado federal de Vander e Camila.

Sandro apresenta uma variável diferente: a possibilidade de converter em voto próprio parte da estrutura territorial e das relações políticas construídas por Vander no interior.

Por isso, os atuais 2,2% de Camila, 1,3% de Marquinhos e 1,1% de Sandro devem ser interpretados como a fotografia do momento, e não como definição das posições finais.

Há ainda uma parcela expressiva do eleitorado sem candidato definido na pesquisa espontânea, o que aumenta o espaço para movimentações até a votação.

A disputa, portanto, permanece aberta.

E existe um dado difícil de ignorar: nas 49 cidades que não fizeram parte da pesquisa, Vander recebeu 24.041 votos em 2022, contra apenas 4.006 de Camila Jara.

Se uma parcela significativa dessa votação histórica acompanhar Sandro do Vander na sucessão de Vander para a Câmara, a diferença hoje registrada entre os três principais nomes da Federação poderá não se repetir nas urnas.

A resposta não está dada pela pesquisa. Estará na capacidade de cada candidatura de transformar presença territorial, reconhecimento e estrutura política em voto no dia da eleição.

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