Juliel Batista –
O vereador de Dourados e candidato a deputado estadual Marcelo Mourão (PL) participou do FolhaCast, da Folha de Dourados, no especial Eleições 2026, e falou sobre sua trajetória pessoal, profissional e política, além de apresentar propostas para Dourados e a região. Criado pelos avós maternos, Antônia e Raimundo, em uma realidade de dificuldades na infância, Mourão afirmou que carrega até hoje a experiência daquele menino que cresceu na Vila Ubiratan e aprendeu a transformar sonhos em objetivos. “O Marcelo Mourão é o neto da dona Antônia, neto do seu Raimundo, nascido aqui, sonhador desde criança e um realizador, um cara que acredita nas coisas, que acredita que sonhos são possíveis”, declarou.
A comunicação, a literatura e o rodeio também aparecem como elementos centrais de sua trajetória. Mourão contou que foi alfabetizado já na adolescência, depois se tornou escritor, narrador de rodeios, radialista e profissional de televisão. Segundo ele, um livro sobre sua experiência no rodeio chegou às mãos da novelista Glória Perez e contribuiu para a construção da novela América. O candidato também afirmou ter narrado três vezes na Festa do Peão de Barretos e revelou que está trabalhando em um projeto de televisão que escreveu e roteirizou. “Fora da política, tudo que eu tive vontade de fazer eu fiz na minha vida e faço”, afirmou.
“Fora da política, tudo que eu tive vontade de fazer eu fiz na minha vida e faço”, afirmou.
Na política, Mourão lembrou que disputou sua primeira eleição aos 18 anos e levou 12 anos até conquistar um mandato. Para ele, a persistência foi determinante para sua trajetória. O vereador afirmou que já ouviu diversas vezes que não teria chances, inclusive na atual disputa, mas disse que não pretende desistir. “O grande inimigo é o tempo, porque o tempo cansa as pessoas”, declarou, ao defender a necessidade de resiliência para quem pretende permanecer na vida pública.
Ao explicar por que decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, Mourão apresentou três prioridades para Dourados: a construção do Anel Viário Sul, um novo prédio para o Hospital da Vida e a ampliação da oferta de leitos de UTI e de cirurgias eletivas. Para ele, o deputado estadual precisa atuar diretamente na articulação de recursos e na cobrança do Executivo. “São as três ações práticas, diretas, retas, objetivas”, resumiu.
O candidato também defendeu uma atuação parlamentar mais próxima da população e afirmou que pretende priorizar causas que chegam até ele, citando como exemplo a defesa das famílias atípicas e a luta pela ampliação do atendimento em saúde. Entre as propostas apresentadas estão a criação da chamada “UBS Corujinha”, voltada exclusivamente à pediatria, e o projeto “RecreVida”, pensado para oferecer espaços de convivência e atividades para pessoas com 60 anos ou mais. “Eu não sou um homem de uma causa só. Eu não sou um político de uma causa só”, afirmou.
“Eu não sou um homem de uma causa só. Eu não sou um político de uma causa só”, afirmou.

Studio Nexus 5.0
Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0:
FolhaCast — Quem é Marcelo Mourão?
Marcelo Mourão — O Marcelo Mourão é o neto da dona Antônia, neto do seu Raimundo, nascido aqui, sonhador desde criança e um realizador, um cara que acredita nas coisas, que acredita que sonhos são possíveis. Eu decidi entrar para a política com 18 anos e enfrentei minha primeira eleição. Tenho muito orgulho disso porque até hoje eu fui o candidato mais jovem que a cidade já teve em idade. Depois conquistei o mandato 12 anos depois.
O Marcelo Mourão [é um] sonhador desde criança e um realizador, um cara que acredita nas coisas, que acredita que sonhos são possíveis.
E quem é o Marcelo fora da política?
Fora da política, tudo que eu tive vontade de fazer eu fiz na minha vida e faço. Eu fui alfabetizado já na adolescência, reprovei três anos seguidos a primeira série do ensino fundamental e venho de uma família de avós analfabetos. Mas me tornei escritor aos 21 anos. Gosto muito de compartilhar o que eu sei com as pessoas.
Gosto muito de compartilhar o que eu sei com as pessoas.
A comunicação foi uma das grandes marcas da sua trajetória. O que ela representa para você?
Eu sempre quis trabalhar na televisão. Já fui repórter de rua, vendi publicidade para televisão, apresentei programa e escrevi novelas e séries. Já escrevi e dirigi mais de 70 radionovelas. Tenho muita tranquilidade de falar dessas minhas multifaces, porque eu nunca tive medo de mudar.
Tenho muita tranquilidade de falar dessas minhas multifaces, porque eu nunca tive medo de mudar.
E a relação com seus avós, especialmente sua avó Antônia, ainda está presente no homem que você se tornou?
Essa criança está em mim todos os dias. Minha avó foi uma pessoa extraordinária na minha vida. Ela sempre caminhou comigo na realização dos meus sonhos. Minha avó saiu a pé da Vila Ubiratã e foi até a rádio pedir para me darem uma oportunidade para ser radialista. Esse menino que está dentro desse homem é quem me dá coragem para enfrentar as coisas.
Esse menino que está dentro desse homem é quem me dá coragem para enfrentar as coisas.
Por que entrar para a política?
Porque eu percebi que a política podia transformar a vida das pessoas. Quando vi que o político podia levar o asfalto que minha avó tanto queria, pensei: “Eu tenho que ter mandato para fazer isso”. Quando percebi que um político poderia ajudar uma escolinha de rodeio a conseguir recursos, pensei a mesma coisa. Na cabeça daquela criança, o político era quem tinha poder para transformar.
Na cabeça daquela criança, o político era quem tinha poder para transformar.
O senhor levou 12 anos até conquistar o primeiro mandato. O que aprendeu nesse período?
Eu aprendi a não desistir. Na primeira eleição tive 212 votos, depois fui para 866 e depois para 1.523 votos, quando conquistei o mandato. Eu sei o que é andar a pé na rua. Em 2008, fui o primeiro candidato a usar um microfone andando pelas ruas da cidade e conversando com as pessoas.
Eu aprendi a não desistir (…) Eu sei o que é andar a pé na rua.
O senhor já enfrentou quem dizia que não tinha chance. Isso mudou sua forma de fazer política?
Eu sempre ouvi isso. Quando quis fazer rádio, ouvi. Quando fui disputar eleição, ouvi. Hoje dizem que comecei agora, mas eu comecei há 26 anos. Eu não vou desistir. Se tiver que esperar mais 12 anos para ser deputado, tudo bem. Tendo saúde e conseguindo fazer o enfrentamento, eu vou.
Eu não vou desistir. Se tiver que esperar mais 12 anos para ser deputado, tudo bem.
Por que disputar agora uma vaga de deputado estadual?
Dessa vez eu me preparei para fazer essa disputa. Há quatro anos tentei, fiz mais de 4 mil votos, mas não estava pronto. No fundo, eu quero ser deputado federal e discutir os temas nacionais, quero Brasília. Mas projeto político nem sempre é aquilo que você quer. Agora, o que me cabe é tentar ser deputado estadual.
Mas projeto político nem sempre é aquilo que você quer.
Quais seriam as primeiras prioridades se o senhor chegasse à Assembleia?
Eu colocaria como prioridades o Anel Viário Sul, um novo prédio para o Hospital da Vida e a ampliação das vagas de UTI e das cirurgias eletivas para Dourados. São ações práticas, diretas, objetivas. Não dá para ficar apenas no discurso.
São ações práticas, diretas, objetivas. Não dá para ficar apenas no discurso.
Por que o Hospital da Vida é uma prioridade tão forte para o senhor?
Não dá para remendar mais. Temos que buscar o recurso, reunir todo mundo e construir um prédio novo. Eu conheço histórias de pessoas que passaram por lá e sei que o corpo clínico é fantástico. Não é justo aquela estrutura com os pacientes, com os médicos e com as pessoas. Eu não gosto do improviso.
Não é justo aquela estrutura com os pacientes, com os médicos e com as pessoas. Eu não gosto do improviso.
E o Anel Viário Sul?
Eu vou pegar o governador pelo braço e trazer para Dourados. Vou colocar ele para ficar 10 minutos atravessando a pista. Ele vai ver que precisa. O Anel Viário Sul é uma prioridade.
Eu vou pegar o governador pelo braço e trazer para Dourados.
O senhor também defende mais leitos de UTI e cirurgias eletivas. O que precisa mudar?
Dourados precisa ter as vagas de UTI, as cirurgias eletivas e atender as pessoas que estão na fila. Eu quero entender os números reais da Secretaria de Saúde do Estado. Como vereador eu não consigo ter acesso a determinadas informações, mas como deputado estadual eu vou ter.
Eu quero entender os números reais da Secretaria de Saúde do Estado.
O senhor defende que outros municípios ajudem a financiar a saúde de Dourados?
Eles não poderiam, eles devem contribuir. Itaporã, Vicentina, Fátima do Sul, todo mundo que utiliza a estrutura de Dourados precisa ajudar a pagar essa conta. Podemos discutir um consórcio municipal e estabelecer quanto cada município manda de pacientes e quanto pode contribuir. Não dá para ficar pagando uma conta que todo mundo usa, mas só Dourados paga.
Não dá para ficar pagando uma conta que todo mundo usa, mas só Dourados paga.
Uma das propostas citadas pelo senhor é a UBS Corujinha. Como funcionaria?
Eu sempre sonhei com uma UBS que atendesse de segunda a segunda. Se não puder começar 24 horas, que seja das 18h às 6h, exclusivamente para crianças. Uma UBS organizada, com ambiente lúdico, voltada para a pediatria. O deputado estadual pode ajudar a viabilizar esse projeto por meio dos recursos que pode indicar.
O deputado estadual pode ajudar a viabilizar esse projeto por meio dos recursos que pode indicar.
O senhor também criou o projeto RecreVida. Qual é a proposta?
A nossa população está envelhecendo. A pessoa com 60 anos ou mais não quer um lugar onde seja despejada. Ela quer um lugar onde possa viver, dançar, brincar e ter literatura. A ideia é construir um espaço com árvores, áreas abertas, banheiros adaptados, sala de jogos e locais de convivência para que essas pessoas possam viver melhor essa fase da vida.
A ideia é construir um espaço (…) para que essas pessoas possam viver melhor essa fase da vida.
O autismo também aparece como uma das bandeiras da sua atuação. Como essa causa chegou até o senhor?
O autismo entrou na minha vida pela escuta. Uma mãe chegou até mim dizendo que o filho era autista e pediu que eu defendesse as famílias atípicas. Eu nem sabia o que era família atípica. Me encantei por aquela luta e não dei sossego enquanto o neuropediatra não começou a atender. Eu não sou um homem de uma causa só. A causa que é justa e chega até mim, eu quero ajudar.
Eu não sou um homem de uma causa só. A causa que é justa e chega até mim, eu quero ajudar.
Como o senhor avalia sua atuação como vereador?
O mandato político é muito solitário. Eu tive enfrentamentos muito duros e agradeço por eles. Discuti temas como a baderna nos postos de gasolina, prevenção ao suicídio, alcoolismo e a emenda impositiva. Comecei a discutir a emenda impositiva em 2013 e hoje tenho a satisfação de dizer que esse debate passou por mim e conseguimos fazer acontecer.
O mandato político é muito solitário. Eu tive enfrentamentos muito duros e agradeço por eles.
O senhor acredita que o parlamentar também deve participar diretamente da viabilização de obras?
O político do Legislativo faz muita coisa. Ele viabiliza recursos e realiza obras. Se você faz o projeto, organiza o recurso, verifica o projeto, aponta o caminho e convence o Executivo a colocar o recurso, sua participação é direta e efetiva. O asfalto não brota sozinho.
O político do Legislativo faz muita coisa. Ele viabiliza recursos e realiza obras.
Que tipo de crítica o senhor considera justa?
Toda crítica, quando é carregada de verdade, é justa. A pessoa tem direito. O que não dá é ser canalha, juiz, e querer condenar as pessoas pelo trabalho que elas fazem. Quando a crítica vem carregada de verdade sincera, precisamos ouvir. Quando vem carregada de maldade, inveja ou jogo sujo, machuca.
Quando a crítica vem carregada de verdade sincera, precisamos ouvir.
O senhor aparece nas pesquisas? Isso preocupa?
Eu não apareço em pesquisa, mas nunca apareci. Na eleição para vereador, uma semana antes meu nome não aparecia e eu dizia que ficaríamos entre os cinco mais votados. Fui o quinto mais votado. Então, eu continuo tentando e acredito que as pessoas podem lembrar de mim no dia da eleição.
eu continuo tentando e acredito que as pessoas podem lembrar de mim no dia da eleição.
Qual mensagem o senhor deixa para o eleitor?
Eu quero muito ser deputado estadual. Quero muito ajudar a cidade. Estou fazendo a minha parte, sou candidato e vou fazer a campanha. O resto é a mão de Deus. Às vezes demora um pouco, não é na hora que você quer, mas eu sinto que nesta campanha pode ser agora.
Estou fazendo a minha parte, sou candidato e vou fazer a campanha. O resto é a mão de Deus
E qual é o pedido final ao eleitor de Dourados?
Que Dourados me dê a chance de ser o deputado estadual que a cidade nunca teve. Com respeito a todos os que passaram por aí, eu quero ter a oportunidade de construir um novo hospital e trabalhar pelas necessidades da cidade. Meu número é 22500. No dia da eleição, lembre de mim e vote no Marcelo Mourão.
Que Dourados me dê a chance de ser o deputado estadual que a cidade nunca teve.


