José Henrique Marques –
Na noite deste sábado (22), um dos mais importantes escritores de Dourados e de Mato Grosso do Sul toma posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em Campo Grande: Brígido Ibanhes. Ele ocupará a cadeira 13, que pertenceu ao jornalista Antônio João Hugo Rodrigues, do grupo Correio do Estado, falecido em 2023.
Ex-bancário (Banco do Brasil) e ativista bela-vistense, Brígido Ibanhes é radicado em Dourados há várias décadas, onde construiu sólida carreira de escritor marcada pelo estudo da memória regional, dos mitos populares e das relações entre as culturas brasileira, paraguaia e guarani.
Sua escrita mistura jornalismo investigativo, pesquisa histórica e ficção, sempre com forte presença do chamado regionalismo fronteiriço sul-mato-grossense.
É autor de 11 livros, entre eles Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chirú): O Pequeno Brasiguaio e Che Retã. Seus trabalhos são frequentemente utilizados em pesquisas acadêmicas sobre a literatura de fronteira e a cultura de Mato Grosso do Sul.
O escritor é membro-fundador e primeiro presidente da Academia Douradense de Letras, participou do Conselho Municipal de Cultura de Dourados e atuou em projetos ligados aos direitos humanos e à valorização da literatura e da cultura regional.
Também fundou, na década de 1990, o Movimento de Moralização e Ética no Trato da Coisa Pública (METRA). O METRA mobilizou a sociedade local contra a corrupção, o que lhe valeu a contrariedade dos vários políticos da região, principalmente, prefeitos e governadores que foram levados aos tribunais para responder por ilegalidades.
A luta de Brígido Ibanhes em defesa da moralidade e da ética na política incomodou os poderosos de plantão. Em meados de maio de 2006, um atentado com bomba incendiária destruiu metade da sua casa, sendo o fogo foi contido por membros de uma igreja ao lado. O escritor e sua esposa ficaram com ferimentos nas mãos e nos pés, e assim passaram por longa convalescença.
Leia mais sobre a história do escritor: Brígido Ibanhes: os 40 anos de solidão institucional e a injustiça

À Folha de Dourados, Brígido Ibanhes fez a seguinte declaração sobre a chegada à ASL:
Bom dia, Zé (José Henrique Marques). Você me conhece desde que aqui cheguei, na roda de mate junto com o ilustre amigo Elecir (Ribeiro Arce), conhece também como não foi fácil a caminhada. Mas, quando a caminhada é dura, sempre haverá uma sombra que o Senhor nos prepara para descansar um pouco e depois seguir andando. Chego à ASL com o sapicuá cheio da literatura fronteiriça, a que sempre tentei valorizar e incentivar, e Dourados, com certeza, faz parte dessa linguagem peculiar de comunidades misturadas na sua origem. Aliás, essa nossa literatura, podemos afirmar com certeza, abrange todo o Estado, pois, onde pisamos neste chão sul-mato-grossense, sempre ouvimos, e ouviremos, algumas palavras em guarani misturadas ao nosso herdado português. Abraço fraterno, e fico ao seu dispor.
“Bom dia, Zé. Você me conhece desde que aqui cheguei, na roda de mate junto com o ilustre amigo Elecir (Ribeiro Arce), conhece também como não foi fácil a caminhada“
Com a chegada de Brígido, Dourados passará a contar com três escritores na ASL. O poeta Emmanuel Marinho e o professor Paulo Nolasco já são membros.
Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras foi fundada há 54 vanos e possui 40 cadeiras vitalícias, seguindo o modelo da Academia Brasileira de Letras. Criada inicialmente como Academia de Letras e História de Campo Grande, a instituição adotou o nome atual após a criação do Estado de Mato Grosso do Sul.
A ASL reúne escritores, pesquisadores e intelectuais que contribuíram para a formação da cultura regional e atua na preservação da língua portuguesa, da literatura e da memória cultural sul-mato-grossense.




