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‘Os Estados Unidos no mapa da fome’, por Laerte Tetila

Laerte Tetila (*) –

Amigos e amigas, a fome “a mais degradante das privações humanas”, somente a partir deste século é que veio a ser monitorada, através da ONU. Pelo chamado Mapa Mundial da Fome, a ONU faz registrar as nações com 2,5 % ou mais de sua população, ingerindo menos do que 280 calorias/dia.

 Não é outro o intuito da presente matéria que não o de demonstrar que há um país no mundo, os Estados Unidos da América, que embora tenha ultrapassado a casa dos 40 milhões de pessoas passando fome (11 % de sua população) ainda não está incluído no fatídico Mapa. Por que será? Será porque se posta como o “deus” do Olimpo e não permite que a ONU venha colocá-lo nessa triste condição?

Não dá pra acreditar que a maior potência econômica do mundo esteja numa situação tão arrombada, em se tratando de questão tão humanitária. Afinal, 40 milhões de famintos equivalem a toda a população de um país como o Canadá. E não se trata de um contingente apenas de imigrantes, mas de uma imensa maioria genuinamente norte-americana.

Como se poderia evitar uma tragédia tão assustadora, na nação mais rica do planeta? Ora, nem é preciso ser um Einstein para entender que a falta de humanismo dos Estados Unidos está em seu caráter belicista, pois se trata de uma nação que há mais de 200 anos vive de invadir países, sequestrar e/ou assassinar chefes de Estado a fim de sugar-lhes o petróleo e demais riquezas.

É senso comum, pois, que o crime não compensa. Logo, para postarem-se como a palmatória do mundo os Estados Unidos têm um enorme preço a pagar. Um trilhão de dólares é o que desembolsam, anualmente, para manterem mais de 700 bases militares, espalhadas por cerca de 80 países, e isso tudo somados aos demais gastos bélicos.

A ideia-força da presente matéria, por sua vez, cinge-se em demonstrar quão solidária e fraterna seria a nação norte-americana para toda a humanidade, caso viesse a cuidar de si própria e viver às próprias custas.

Afinal, um trilhão de dólares, divididos para 40 milhões de pessoas, daria 25 mil dólares per capita/ano, ou mais de dois mil dólares para cada um dos necessitados do país, por mês – valor mais que suficiente para banir a fome daquele belo território.

E se todo exemplo vem do alto, imaginemos os Estados Unidos virando a chave e iniciando uma nova era com todas as nações do mundo, não mais com base em aviões, mísseis, bombas, fuzis e bases militares, mas diplomaticamente.

Reputa-se, pois, que já não são poucas as nações que, civilizadamente, alçaram o estágio do “bem-estar social”, apontando um tempo novo para a humanidade, a exemplo dos países nórdicos. Um tempo de paz e de superação da fome, da miséria e da exclusão social. Um tempo de esperança!

(*) Laerte Tetila é geógrafo, foi professor e chefe de Departamento/UFMS, vereador, deputado estadual e prefeito de Dourados-MS. Mestre pela USP, autor de cinco livros, dentre eles, “Meio Ambiente – Mato Grosso do Sul em Foco”.                                       

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