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Especial Felit 2026: FolhaCast reúne Carlos Magno e Laudir Munaretto no Studio Nexus 5.0

Juliel Batista –

A literatura, a memória e a valorização dos artistas de Mato Grosso do Sul foram os principais temas do primeiro episódio do Especial FolhaCast Felit 2026, produzido pela Folha de Dourados no Studio Nexus 5.0.

O programa reuniu o presidente do Grupo Literário Arandu, escritor e cronista Carlos Magno, e o vereador de Dourados e também o escritor Laudir Munaretto, em uma conversa que percorreu desde a organização da VI Feira da Literatura de Mato Grosso do Sul (Felit-MS), até as histórias e memórias que deram origem aos livros dos dois convidados.

Organizada pelo Grupo Literário Arandu, contando com o apoio de instituições, entidades e parceiros locais, a Felit-MS será realizada em Dourados entre os dias 12 e 14 de agosto, no recinto da Câmara Municipal de Dourados, anexo ao Shopping Avenida Center. O evento será encerrado no sábado (15), no Sindicato dos Bancários, durante o II Sarau da Diversidade Cultural da Academia de Letras do Brasil – Seccional Dourados (ALBDourados), quando serão entregues os certificados de participação.

A programação reúne escritores, poetas, artistas e representantes de diferentes municípios de Mato Grosso do Sul, consolidando a Felit como um espaço de encontro entre a produção literária regional e o público. Segundo Carlos Magno, escritores de cidades como Três Lagoas, Corumbá, Guia Lopes da Laguna, Ponta Porã, Paranhos, Campo Grande, Rio Brilhante e Amambai estarão presentes na programação.

A Felit-MS 2026 será encerrada no sábado (15), no Sindicato dos Bancários, durante o II Sarau da Diversidade Cultural da Academia de Letras do Brasil – Seccional Dourados (ALBDourados), quando serão entregues os certificados de participação.

Mais do que uma feira de livros, a proposta é apresentar ao público uma programação cultural diversificada. Estão previstas atividades como lançamentos literários, teatro, contação de histórias, oficinas, dança, apresentações musicais e atividades voltadas à literatura. Entre as ações programadas está também uma oficina de fantoche destinada a professores.

De acordo com Carlos Magno, aproximadamente 25 escritores participarão de lançamentos de livros durante a feira. A programação também contará com artistas locais e regionais, incluindo apresentações de dança.

Especial Felit 2026: FolhaCast reúne Carlos Magno e Laudir Munaretto no Studio Nexus 5.0
Laudir Munaretto, Carlos Magno e Juliel Batista

A abertura acontece no dia 12 de agosto, na Câmara Municipal, onde Laudir Munaretto fará o lançamento de seu livro “Nascido para Servir”. A obra reúne histórias da trajetória pessoal do escritor, desde sua chegada a Dourados, ainda adolescente, até experiências profissionais, familiares e políticas vividas ao longo das décadas.

Laudir conta que começou a registrar suas histórias ao longo dos anos, incentivado pelo hábito da leitura e da escrita. O projeto ganhou forma após uma conversa com o escritor Marcelo Mourão, que o estimulou a transformar o material acumulado em livro.

O resultado é uma obra que mistura memória pessoal, histórias de Dourados e episódios da vida política. O escritor também recupera experiências vividas durante sua atuação como garçom, profissão que exerceu no município, além de passagens relacionadas à sua trajetória empresarial e política.

Laudir conta que começou a registrar suas histórias ao longo dos anos… O projeto (do livro) ganhou forma após uma conversa com o escritor Marcelo Mourão

O livro, segundo Laudir, nasceu também da necessidade de preservar histórias que poderiam se perder com o tempo. Muitas delas não trazem nomes, mas podem ser reconhecidas por quem vivenciou os acontecimentos.

“Nascido para Servir” estará disponível inicialmente em versão impressa e será lançado oficialmente durante a abertura da Felit. A intenção, posteriormente, é disponibilizar a obra também em plataformas digitais.

Memórias de Dourados

Carlos Magno também aproveitará a Felit para lançar uma obra dedicada às memórias de Dourados. O livro “Crônicas Douradas: Descongelando as Memórias” reúne oito crônicas inspiradas em acontecimentos, personagens e costumes da cidade.

Entre os temas abordados estão histórias relacionadas ao Clube Indaiá, ao terremoto registrado em Dourados e à chamada “jacuzada”. Carlos Magno utiliza a expressão para discutir uma visão histórica que, segundo ele, acabou associando de forma pejorativa a figura do homem do campo à ideia de alguém sem conhecimento.

nO livro “Crônicas Douradas” estão histórias relacionadas ao Clube Indaiá, ao terremoto registrado em Dourados e à chamada “jacuzada”

A proposta do escritor é justamente inverter essa perspectiva e valorizar os saberes populares acumulados pelas pessoas que viviam nas áreas rurais.

Ele lembra que o homem do campo dominava conhecimentos práticos que eram fundamentais para a vida cotidiana, como o aproveitamento de animais, produção de alimentos, tratamento do couro e atividades relacionadas à agricultura.

A obra também mantém uma característica marcante do autor: o humor. Carlos Magno afirma que suas crônicas buscam recuperar lembranças de infância e histórias de personagens de Dourados, especialmente situações envolvendo garçons, pescadores e os antigos frequentadores de bares da cidade.

Para ele, a literatura pode funcionar como uma maneira de preservar essas lembranças e, ao mesmo tempo, proporcionar entretenimento ao leitor.

Uma feira que nasceu de um sonho

Durante a entrevista, os convidados também contaram como surgiu a Felit. A iniciativa nasceu de conversas entre integrantes do Grupo Literário Arandu e Laudir Munaretto, que à época ocupava a presidência da Câmara Municipal.

A ideia ganhou força a partir da necessidade de criar um espaço permanente para divulgação da produção literária regional. Carlos Magno explicou que o projeto originalmente chegou a ser pensado para outros espaços, inclusive áreas abertas, mas as dificuldades estruturais e financeiras tornavam a realização mais complicada.

A Câmara Municipal acabou sendo escolhida como sede por oferecer estrutura adequada, auditório, equipamentos e segurança para a realização das atividades.

Laudir lembrou que a iniciativa surgiu também a partir da relação que mantinha com o escritor Nicanor Coelho, então presidente do Grupo Arandu e posteriormente homenageado pela entidade. Nicanor participou da elaboração do projeto inicial da feira, mas morreu antes de acompanhar sua consolidação.

Laudir lembrou que a iniciativa surgiu também a partir da relação que mantinha com o escritor Nicanor Coelho, então presidente do Grupo Arandu

A Felit chega agora à sua sexta edição.

Segundo os organizadores, a edição anterior recebeu mais de 2 mil pessoas, e a expectativa para 2026 é de um público ainda maior, principalmente devido ao envolvimento de escolas e ao crescimento da programação.

Cultura ainda enfrenta falta de recursos

Apesar do crescimento da feira, Carlos Magno destacou durante a entrevista uma das principais dificuldades enfrentadas pelos organizadores: a falta de recursos financeiros para contratação de artistas.

Grande parte dos participantes atua de forma colaborativa, sem receber cachê. Para o escritor, isso limita a possibilidade de trazer nomes de maior projeção para Dourados.

Grande parte dos participantes atua de forma colaborativa, isso limita a possibilidade de trazer nomes de maior projeção para Dourados

Ele citou como exemplo o cantor e poeta Emmanuel Marinho, considerado uma das referências culturais de Dourados, mas cuja contratação depende de cachê profissional.

Laudir, por sua vez, defendeu uma maior aproximação entre empresários e iniciativas culturais. Para o vereador, Dourados possui um setor empresarial capaz de contribuir para a realização de grandes eventos culturais, inclusive com a contratação de artistas de projeção nacional.

A expectativa dos organizadores é que a divulgação da sexta edição ajude a atrair novos parceiros para as próximas edições.

Cultura, literatura e identidade

Outro ponto destacado pelos entrevistados foi a importância de valorizar a produção cultural feita em Dourados e em outras cidades do Estado.

A programação da Felit reúne autores independentes, integrantes de academias de letras e escritores que vêm de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Para Carlos Magno, esse intercâmbio permite que Dourados se transforme, durante os dias do evento, em um grande ponto de encontro da literatura sul-mato-grossense.

A feira é gratuita e aberta ao público.

Além dos lançamentos dos livros de Laudir Munaretto e Carlos Magno, a programação terá romances, contos, crônicas, ensaios e poesia de autores locais e regionais.

Para os dois escritores, a Felit representa mais do que uma oportunidade de divulgar livros: é uma forma de preservar memórias, estimular novos leitores e mostrar que Dourados possui uma produção cultural diversificada e de relevância.

Confira a entrevista, na íntegra, exibida no YouTube:

Leia os principais trechos:

FolhaCast – Como surgiu a ideia de você se tornar escritor?

Laudir Munaretto – Quando cheguei a Dourados, em 1981, eu tinha 16 anos. Vim para cá casado e, pouco tempo depois, nasceu meu primeiro filho. Ao longo dos anos, fui acumulando muitas histórias. Sempre gostei muito de ler e escrever e fui registrando essas experiências. Eu tinha tudo catalogado. Um dia, conversando com meu amigo Marcelo Mourão, que também é escritor, ele me disse: “Vamos fazer um livro disso, vamos colocar no papel”. Foi aí que comecei a transformar essas histórias em livro.

O que o leitor encontrará em “Nascido para Servir”?

É um pouco da minha trajetória. Conto histórias que vivi em Dourados e em outros lugares por onde passei. Também tem histórias de pessoas que fizeram parte da minha vida, experiências profissionais e momentos da minha trajetória política. Tem momentos alegres, momentos tristes e situações bastante emocionantes. É a montanha-russa da vida, com pontos altos e pontos baixos.

A sua experiência como garçom também aparece no livro?

Sim. Eu fui garçom em Dourados há muito tempo e essa experiência me proporcionou muitas histórias. Garçom sabe de tudo. Às vezes você não cita nomes, porque não é interessante, mas conta a história e aquela pessoa que viveu aquilo reconhece. Então é muito interessante.

O livro também aborda sua trajetória política?

Sim. Conto momentos em que ganhamos eleição, outros em que perdemos, momentos em que fiquei na suplência. Também conto situações relacionadas à política de Dourados, inclusive quando o número de vereadores aumentou e fomos a Brasília reivindicar essas vagas. Tivemos uma vitória lá, mas depois houve um problema e voltamos para Dourados sem conseguir aquilo que esperávamos. Tudo isso está no livro.

Como você consegue conciliar a vida de empresário, vereador e escritor?

Hoje a empresa é administrada pelos meus filhos, Diego e Igor. Eles assumiram e estão tocando o negócio, que já tem 37 anos de mercado. Isso me permite ter mais tempo. Sou uma pessoa muito caseira. Durante a semana, no fim da tarde estou em casa. Resolvo muitas coisas do mandato por telefone e tenho meus momentos para escrever e ler. Então consigo conciliar.

Quando será o lançamento?

Será no dia 12 de agosto, na abertura da Felit. Vou fazer o lançamento do livro durante a programação. Inicialmente, ele será disponibilizado de forma impressa e também estará nas bancas e pontos de venda em Dourados. No futuro, pretendo colocá-lo em plataformas digitais.

O que você espera do lançamento?

É a realização de um sonho. Eu queria colocar em um livro um pouco da minha história e do meu passado. Espero que as pessoas gostem e se identifiquem com as histórias.

FolhaCast – O que você vai lançar durante a Felit?

Carlos Magno – Vou lançar “Crônicas Douradas: Descongelando as Memórias”. São oito crônicas que tratam exclusivamente de coisas de Dourados. Tem histórias do Clube Indaiá, do terremoto que aconteceu aqui e também da chamada “jacuzada”.

O que significa “descongelar” essas memórias?

Carlos Magno – É recuperar histórias que ficaram esquecidas. Um exemplo é a forma como chamavam de “jacu” a pessoa que vinha do campo ou do sítio, como se fosse alguém sem conhecimento. Mas essas pessoas tinham muitos saberes. Sabiam carnear, aproveitar o couro, produzir alimentos, trabalhar com a terra. Eram conhecimentos populares muito importantes. Então a ideia é mostrar que aquele chamado “caipira” também tinha muito conhecimento.

O livro tem uma preocupação histórica?

Sim. São crônicas, mas existe uma preocupação com a memória de Dourados. A gente vai recuperando acontecimentos e costumes da cidade. É uma maneira de registrar aquilo que aconteceu e que muitas vezes pode desaparecer com o tempo.

E o humor está presente nas crônicas?

Muito. Minhas crônicas são lúdicas. Eu gosto que as pessoas deem risada. Tenho lembranças de garçons, pescadores e de situações que aconteciam nos bares de Dourados. Naquela época, um contava uma história para o outro, muitas vezes uma mentira enorme. O outro acreditava e depois vinha o “truco!”. No dia seguinte, ele voltava para contar uma história ainda maior. São essas lembranças que vou recuperando e transformando em crônicas.

Por que trabalhar tanto com memória?

Porque a memória é uma forma de preservar a história. Quando a gente lembra de uma situação, de uma pessoa ou de um costume, aquilo passa a fazer parte novamente da nossa vida. A literatura permite registrar essas coisas e fazer com que outras pessoas também conheçam.

Como você avalia a Felit neste sexto ano?

A feira está crescendo. Temos escritores de várias cidades do Estado, cerca de 25 autores lançando livros e uma programação diversificada. No ano passado tivemos mais de 2 mil pessoas. Neste ano esperamos ainda mais. Dourados tem muitos artistas relevantes, inclusive com premiações nacionais, e precisamos mostrar isso.

Quais são os principais desafios para realizar a feira?

O principal desafio é financeiro. Muitos artistas participam de forma colaborativa, porque não temos recursos para pagar cachês. Isso limita a possibilidade de trazer determinados artistas. Precisamos avançar nessa questão e buscar mais parceiros e patrocinadores.

Folha de Dourados – O que você espera para o futuro da Felit?

Carlos Magno – Sonhamos em trazer escritores e artistas de projeção nacional e estadual. Estamos ainda engatinhando, mas acredito que isso será possível. Precisamos construir esse caminho aos poucos, com apoio do poder público, dos empresários e da sociedade.

VI Felit-MS terá programação gratuita em Dourados

A VI Feira da Literatura de Mato Grosso do Sul (Felit-MS) será realizada entre os dias 12 e 15 de agosto, em Dourados. Nos dias 12, 13 e 14, as atividades acontecerão no recinto da Câmara Municipal de Dourados, anexo ao Shopping Avenida Center. No dia 15, a programação terá a Festa da Diversidade, no Sindicato dos Bancários, onde também serão entregues certificados aos escritores e artistas participantes.

A programação contará com lançamentos de livros, teatro, contação de histórias, oficinas, dança, música e outras atividades culturais.

A entrada é gratuita.

A realização é do Grupo Literário Arandu, com apoio da Câmara Municipal de Dourados, Folha de Dourados, Coordenadoria de Cultura da UFGD, PET Letras, Semed, Bloco do Alex e demais parceiros envolvidos na organização.

Durante quatro dias, Dourados deverá receber escritores e artistas de diferentes municípios de Mato Grosso do Sul, fortalecendo o município como espaço de circulação e valorização da produção cultural do Estado.

Especial Felit 2026: FolhaCast reúne Carlos Magno e Laudir Munaretto no Studio Nexus 5.0
O programa foi gravado no Studio Nexus 5.0
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