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FolhaCast: Luiza Ribeiro defende mulheres, direitos humanos e debates com a sociedade

Juliel Batista –

A vereadora de Campo Grande e pré-candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luiza Ribeiro, foi a entrevistada do podcast FolhaCast, da Folha de Dourados. Advogada, formada em Direito, especialista em Gerência de Cidades e com mais de três décadas de atuação política, Luiza falou sobre sua trajetória, as principais bandeiras do mandato e os desafios que pretende enfrentar caso seja eleita para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Durante a entrevista, a parlamentar afirmou que o período eleitoral deve ser utilizado para discutir propostas e não apenas candidaturas. “Não adianta nada você ter uma oportunidade tão importante como é a disputa eleitoral se, nesse momento, a gente não vai fazer um grande debate político. A política precisa fazer realidade boa na vida das pessoas”, declarou.

Ao apresentar sua trajetória, Luiza lembrou a infância vivida no então distrito de Aroeira, atualmente Prudêncio Thomaz, em Rio Brilhante, e destacou que sua militância começou ainda no movimento estudantil.

Segundo ela, a defesa do serviço público, dos trabalhadores, das mulheres, da população negra, indígena e LGBTQIA+ sempre esteve presente em sua atuação. “Eu sempre estive na política, nessa militância de esquerda. Hoje continuo defendendo a boa aplicação dos recursos públicos e os direitos das mulheres, porque não posso ocupar um espaço de poder e fingir que essas desigualdades não existem.”

Ao longo da conversa, a vereadora também fez duras críticas ao processo de privatização de serviços públicos, defendeu investimentos em saúde, educação, cultura, transporte coletivo e políticas sociais voltadas às mulheres e às pessoas com deficiência. Para ela, o Estado precisa assumir protagonismo na garantia dos direitos da população. “Quem paga imposto precisa receber de volta serviços públicos de qualidade. O Estado tem que estar presente onde as pessoas mais precisam.”

“Quem paga imposto precisa receber de volta serviços públicos de qualidade. O Estado tem que estar presente onde as pessoas mais precisam.”

Luiza também afirmou que pretende ampliar sua atuação para todo Mato Grosso do Sul caso conquiste uma vaga na Assembleia Legislativa. Segundo ela, sua prioridade será construir políticas públicas permanentes para reduzir as desigualdades sociais. “Quero levar minha voz para a Assembleia. Parece rouca, mas é uma voz forte, comprometida com quem mais precisa do poder público.”

“Quero levar minha voz para a Assembleia.”

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0: 

A seguir, a entrevista:

FolhaCast – Para quem ainda não conhece sua trajetória, principalmente aqui em Dourados e na região sul do Estado, quem é Luiza Ribeiro?

Luiza Ribeiro – Eu sou Luiza Ribeiro. Morei quando criança em Aroeira, hoje distrito de Prudêncio Thomaz, em Rio Brilhante. Minha família veio do interior de São Paulo para Mato Grosso ainda na década de 1970. Meu pai era militante político e sempre participou das lutas democráticas. Foi nessa realidade que cresci.

Estudei na Escola Euclides da Cunha, fui alfabetizada ali e depois me formei primeiro em História e, posteriormente, em Direito. Sou advogada desde 1998, mas a política sempre esteve presente na minha vida.

Participei do movimento estudantil, do movimento universitário, do movimento sindical dos servidores públicos e sempre militei em partidos de esquerda. Em 2012 fui candidata a vereadora em Campo Grande, fui eleita e, hoje, sou a vereadora do PT mais votada da Capital.

Meu trabalho sempre esteve voltado para a fiscalização dos recursos públicos, o combate à corrupção, a defesa dos direitos das mulheres, da população negra, indígena e LGBTQIA+, além da valorização dos serviços públicos.

Meu trabalho sempre esteve voltado para a fiscalização dos recursos públicos, o combate à corrupção, a defesa dos direitos das mulheres, da população negra, indígena e LGBTQIA+, além da valorização dos serviços públicos.

O que mais marcou sua atuação como vereadora nesses mandatos?

Cada parlamentar atua melhor naquilo que conhece e vive. Como sempre participei das lutas dos trabalhadores, dos movimentos sociais e da defesa do serviço público, naturalmente minhas principais atuações caminham nessa direção.

Uma das ações mais importantes foi a CPI do transporte coletivo de Campo Grande. O sistema apresenta inúmeros problemas e precisava ser investigado. Também tive uma atuação muito firme contra a privatização da saúde pública, porque acredito que privatizar serviços essenciais não melhora a vida das pessoas.

Outro ponto importante foi a fiscalização dos recursos públicos. O dinheiro arrecadado com impostos pertence à população e precisa ser utilizado corretamente. O papel do parlamentar também é fiscalizar.

O dinheiro arrecadado com impostos pertence à população e precisa ser utilizado corretamente.

Além disso, sempre defendi políticas voltadas às mulheres, às pessoas negras, indígenas, às pessoas com deficiência e à população LGBTQIA+, porque ainda existe uma enorme desigualdade na representação política e no acesso aos direitos.

A senhora costuma defender que o Estado deve fortalecer os serviços públicos. Por quê?

Porque a experiência mostra que muitas privatizações não entregaram aquilo que prometeram.

Nós temos exemplos claros no transporte coletivo, nas rodovias concedidas e até na ferrovia de Mato Grosso do Sul, que ficou décadas sem funcionar adequadamente.

O Estado precisa assumir sua responsabilidade nas áreas essenciais, como saúde, educação, transporte, assistência social e infraestrutura. Quem paga impostos merece receber serviços públicos de qualidade.

O Estado precisa assumir sua responsabilidade nas áreas essenciais, como saúde, educação, transporte, assistência social e infraestrutura.

A defesa dos direitos das mulheres é uma das principais bandeiras da senhora. Mato Grosso do Sul aparece entre os estados mais violentos para as mulheres. Quais políticas públicas a senhora pretende defender na Assembleia Legislativa?

A gente precisa construir uma sociedade baseada na igualdade de oportunidades. Grande parte dos problemas que enfrentamos hoje decorre justamente da falta de políticas públicas voltadas para garantir essa igualdade.

Nós ainda convivemos com diferenças salariais importantes entre homens e mulheres. Se essa mulher for negra, essa desigualdade aumenta ainda mais. Além disso, precisamos garantir igualdade no acesso aos cargos públicos, aos espaços de decisão e dividir melhor as responsabilidades familiares.

A gente precisa construir uma sociedade baseada na igualdade de oportunidades.

Quando falamos em violência contra a mulher, não basta apenas combater o crime depois que ele acontece. É preciso investir na prevenção. Um exemplo são as Casas da Mulher Brasileira. Mato Grosso do Sul possui apenas uma unidade em funcionamento, em Campo Grande, enquanto Dourados, Corumbá e Ponta Porã já têm recursos destinados para novas unidades, mas as obras ainda não avançaram.

Também defendemos a criação de uma Secretaria Estadual da Mulher com estrutura, orçamento e equipe técnica. Hoje Mato Grosso do Sul é um dos estados mais violentos para as mulheres e não possui uma secretaria específica para coordenar essas políticas.

Além da segurança pública, quais outras propostas voltadas às mulheres fazem parte da sua plataforma?

Falar de política para mulheres é falar também de creches, restaurantes populares, lavanderias públicas, transporte coletivo, salário digno e oportunidades.

Não podemos aceitar que milhares de crianças ainda estejam fora das creches. Quando uma criança consegue uma vaga, toda a família ganha qualidade de vida. A mãe pode trabalhar, estudar e melhorar sua renda.

Também defendo a implantação de restaurantes populares em cidades maiores do Estado. É uma política que reduz custos para as famílias e garante alimentação de qualidade.

Falar de política para mulheres é falar também de creches, restaurantes populares, lavanderias públicas, transporte coletivo, salário digno e oportunidades.

Outro ponto importante são as lavanderias públicas. Parece algo simples, mas reduz muito o tempo gasto pelas mulheres com trabalho doméstico e melhora a qualidade de vida das famílias.

Precisamos ainda discutir um salário mínimo regional para Mato Grosso do Sul. Outros estados já adotaram esse modelo e isso fortalece a economia local.

A senhora também falou bastante sobre políticas voltadas às pessoas com deficiência.

Sim. É uma pauta que sempre esteve presente na minha atuação.

Em praticamente uma em cada quatro famílias existe uma pessoa com deficiência. Quando isso acontece, normalmente outra pessoa da família precisa deixar o mercado de trabalho para prestar cuidados, reduzindo a renda justamente quando aumentam as despesas.

Precisamos fortalecer políticas públicas de acessibilidade, garantir atendimento adequado e apoiar principalmente as mães atípicas, que acabam assumindo praticamente sozinhas essa responsabilidade.

Precisamos fortalecer políticas públicas de acessibilidade, garantir atendimento adequado e apoiar principalmente as mães atípicas

Outro tema recorrente em sua atuação é o transporte coletivo.

Eu continuo defendendo a tarifa zero.

O transporte coletivo deixou de ser apenas um serviço para quem trabalha. Ele é essencial para toda a sociedade. Quando o transporte para, toda a cidade sente os impactos.

Hoje muitas pessoas deixam de estudar, procurar emprego ou até levar os filhos para vacinação porque não conseguem pagar a passagem.

O transporte coletivo deixou de ser apenas um serviço para quem trabalha. Ele é essencial para toda a sociedade. Quando o transporte para, toda a cidade sente os impactos.

Existem diversas cidades brasileiras e experiências internacionais mostrando que a tarifa zero é possível. Precisamos tratar o transporte público como um direito social, financiado pelo conjunto da sociedade, assim como acontece com a iluminação pública.

E quem mais depende do transporte coletivo são justamente as mulheres de baixa renda. Por isso essa também é uma política voltada à redução das desigualdades.

Mato Grosso do Sul vive um momento de preocupação com as contas públicas. Como enfrentar esse cenário?

Precisamos rever as prioridades da política econômica estadual.

O Estado concede grandes incentivos fiscais para grandes empresas, mas investe pouco nos pequenos e médios negócios, que são justamente aqueles que mais geram empregos e movimentam a economia local.

Nós defendemos uma política semelhante à adotada pelo governo federal: distribuição de renda para fortalecer o consumo, ampliar a atividade econômica e aumentar a arrecadação.

Também é preciso fortalecer a agricultura familiar, os pequenos comerciantes, os prestadores de serviço e os empreendedores locais. São eles que sustentam boa parte da economia de Mato Grosso do Sul.

O Estado concede grandes incentivos fiscais para grandes empresas, mas investe pouco nos pequenos e médios negócios

A senhora sempre teve uma atuação ligada à cultura. O que pretende fazer pelo setor, especialmente no interior de Mato Grosso do Sul?

A cultura precisa ser tratada como um direito e também como um investimento econômico. Ela movimenta a economia, gera empregos, fortalece o turismo e melhora a qualidade de vida das pessoas.

Hoje, infelizmente, os investimentos públicos em cultura costumam ser os primeiros a sofrer cortes. O governo acaba concentrando recursos em eventos pontuais, enquanto faltam políticas permanentes para os artistas e produtores culturais.

O interior precisa receber mais atenção. Dourados, Ponta Porã, Naviraí e tantas outras cidades precisam contar com festivais, equipamentos culturais e espaços públicos destinados à produção artística.

O Estado precisa construir teatros, centros culturais, arenas para apresentações e incentivar projetos de música, teatro, cinema e literatura. Muitas vezes grupos culturais deixam de produzir porque sequer possuem um espaço para ensaiar.

Quando o poder público investe em cultura, toda a economia é beneficiada. O comércio vende mais, o turismo cresce e as cidades passam a oferecer mais oportunidades para seus moradores.

Quando o poder público investe em cultura, toda a economia é beneficiada.

O que o eleitor do interior pode esperar da senhora caso seja eleita deputada estadual?

Pode esperar a mesma dedicação que tenho em Campo Grande.

Quero ser uma deputada presente em todas as regiões do Estado, ouvindo as demandas da população e transformando essas reivindicações em projetos de lei e em ações de fiscalização.

Logo que cheguei a Dourados, por exemplo, já acompanhei uma reivindicação da população relacionada ao trânsito e à infraestrutura. É ouvindo as pessoas que surgem as prioridades do mandato.

Quero ser uma deputada presente em todas as regiões do Estado, ouvindo as demandas da população

Também acredito muito na elaboração de leis que resolvam problemas concretos da população. Um exemplo é a necessidade de garantir transporte gratuito para pacientes com câncer em tratamento, uma demanda que ouvi recentemente e que pretendo transformar em proposta legislativa.

Quais serão as principais prioridades caso assuma uma cadeira na Assembleia Legislativa?

Saúde, educação, valorização do serviço público e fiscalização dos recursos públicos.

A saúde enfrenta problemas graves em Mato Grosso do Sul. Precisamos melhorar a gestão, resolver a questão da regulação de vagas, ampliar o atendimento e impedir qualquer tipo de irregularidade envolvendo recursos públicos.

Também quero atuar para ampliar as vagas na educação infantil. Ainda existem milhares de crianças fora das creches, e isso afeta diretamente as famílias, principalmente as mulheres.

Outra prioridade é valorizar os servidores públicos. São eles que executam as políticas públicas. Precisamos realizar concursos, fortalecer o serviço público e deixar de apostar em modelos que transferem serviços essenciais para a iniciativa privada sem apresentar resultados satisfatórios.

Precisamos realizar concursos, fortalecer o serviço público e deixar de apostar em modelos que transferem serviços essenciais para a iniciativa privada sem apresentar resultados satisfatórios.

Para encerrarmos, deixe uma mensagem aos eleitores de Mato Grosso do Sul.

Quero agradecer à Folha de Dourados pelo espaço e dizer que a democracia precisa ser construída todos os dias.

Nós ainda temos uma representação muito desigual nos espaços de poder. As mulheres são maioria da população e do eleitorado, mas continuam sendo minoria nos parlamentos.

O mesmo acontece com a população negra, indígena e com as pessoas que vivem nas periferias. Mato Grosso do Sul possui uma das maiores populações indígenas do país e, mesmo assim, essa realidade praticamente não aparece nos espaços de decisão.

Por isso, peço que cada eleitor reflita sobre o voto. É importante escolher representantes comprometidos com a diversidade da sociedade e com a defesa dos direitos da população.

Quero colocar toda a minha experiência, disposição para o diálogo e atuação parlamentar a serviço de Mato Grosso do Sul. Pretendo trabalhar por um Estado mais justo, mais igualitário, com serviços públicos fortalecidos e oportunidades para todos.

A democracia só será plena quando todas as pessoas estiverem verdadeiramente representadas nos espaços de poder.

É importante escolher representantes comprometidos com a diversidade da sociedade e com a defesa dos direitos da população

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