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Estudo de perito médico-legista de MS é publicado em revista internacional

Pesquisa desenvolvida em Dourados comprova que pupários de moscas preservam vestígios químicos de disparos de arma de fogo mesmo após a decomposição dos corpos

Um estudo conduzido pelo perito médico-legista Guido Vieira Gomes, chefe do Núcleo Regional de Medicina Legal de Dourados, acaba de conquistar reconhecimento internacional. A pesquisa foi aceita para publicação no Journal of Forensic Sciences, uma das mais importantes revistas científicas da área, e apresenta uma descoberta que pode ampliar as possibilidades de investigação em casos de homicídio envolvendo corpos em avançado estado de decomposição.

O artigo é resultado da tese de doutorado defendida por Guido em março de 2025, no Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

A pesquisa demonstrou que os pupários de moscas — estruturas deixadas pelos insetos após completarem seu ciclo de desenvolvimento — conseguem conservar resíduos químicos provenientes de disparos de arma de fogo por longos períodos. Esses pupários permanecem próximos aos restos mortais mesmo quando praticamente todos os tecidos já foram consumidos pela decomposição.

A descoberta pode representar um importante avanço para a perícia criminal. Em muitos casos, o tempo compromete completamente os vestígios da violência, dificultando a identificação da causa da morte. Lesões desaparecem, tecidos se degradam e nem sempre o projétil ou marcas nos ossos permanecem preservados.

“Os resultados desse trabalho abrem novas perspectivas nas perícias em locais de crime com corpos extremamente degradados”, afirma o perito médico-legista Guido Vieira Gomes.

Como a pesquisa foi realizada

Para comprovar a hipótese, os pesquisadores utilizaram seis carcaças de suínos previamente abatidos em frigorífico, sob supervisão veterinária. Três receberam disparos de arma de fogo e outras três permaneceram intactas, formando o grupo de controle.

A etapa balística foi realizada na unidade regional da Polícia Científica de Dourados. Depois, as carcaças permaneceram em ambiente aberto no campus da UEMS, onde foram acompanhadas durante o processo de decomposição.

As coletas ocorreram no 50º e no 120º dia. Foram analisados pupários de moscas, além de amostras de serragem e do solo sob as carcaças, utilizando espectrometria de massas com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), tecnologia capaz de detectar elementos químicos em concentrações extremamente baixas.

Vestígios permaneceram nos pupários

Os resultados mostraram concentrações significativamente maiores de chumbo e bário, elementos presentes nos resíduos de disparos de arma de fogo, nas amostras provenientes das carcaças atingidas pelos tiros.

O dado mais relevante foi que essas concentrações permaneceram praticamente inalteradas nos pupários durante todo o período analisado. No solo, entretanto, os níveis diminuíram com o passar do tempo, provavelmente em razão da ação da chuva e da infiltração dos elementos em camadas mais profundas.

Segundo os pesquisadores, isso indica que os pupários podem servir como uma nova fonte de evidências em investigações nas quais os métodos tradicionais encontram poucas informações devido ao avançado estado de decomposição.

O estudo ressalta que esses vestígios devem sempre ser interpretados em conjunto com os demais elementos encontrados no local do crime, funcionando como uma ferramenta complementar para a reconstrução das circunstâncias da morte.

Além de Guido Vieira Gomes, o artigo reúne pesquisadores da UEMS e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

A pesquisa recebeu apoio da Fundect, da Capes e do CNPq e reforça o protagonismo da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul na produção de conhecimento voltado ao aperfeiçoamento das Ciências Forenses no Brasil.
Por SINPOF/MS

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