Desde 1968 - Ano 56

25.6 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 58

InícioPolíciaMorte de piloto após banho de óleo: causa da morte foi asfixia...

Morte de piloto após banho de óleo: causa da morte foi asfixia causada por inchaço na garganta, diz delegado

A Polícia Civil continua investigando a morte de Gustavo Henrique Lara, engenheiro que morreu após passar por um banho de óleo como comemoração ao seu primeiro voo solo como piloto.

Segundo o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, o legista designado à análise do caso adiantou a ele que a causa da morte foi asfixia mecânica por edema de via aérea após exposição química — ou seja, asfixia causada por um inchaço na garganta devido à reação alérgica.

O laudo da perícia foi finalizado e protocolado na tarde desta segunda-feira (20).

Inicialmente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) havia adiantado que, após ter o óleo de motor de aeronaves jogado em seu corpo, Gustavo sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de uma reação alérgica. Ele teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias; as duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira.

Familiares e amigos que estavam presentes no ritual tentaram socorrer o piloto ao perceberem que ele começou a ficar zonzo e com dificuldades para respirar.

“Nisso que a gente viu que começou a ficar sério, colocamos ele no chão. Ele estava com muita dificuldade de respirar. Daí a gente foi pra cima, tentar fazer alguma coisa, começou a gritar pra chamar o Samu, pra chamar o apoio ali do pessoal do helicóptero também que tinha ali do lado”, relatou uma testemunha, em depoimento.

O caso aconteceu na quinta-feira (16) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

Quem jogou o óleo no corpo do rapaz foi um instrutor de voo. Ele foi preso em flagrante pelo crime de homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil e responde ao inquérito em liberdade. O nome dele não foi divulgado.

A Polícia Civil continua investigando o caso. O delegado Lucas Petry afirma que ainda vai conversar com mais familiares, instrutores de voo e com o dono do aeroclube, e verificar se alguma das testemunhas possui imagens do momento do banho de óleo, por exemplo.

A equipe de investigação ainda apura as circunstâncias do caso, incluindo qual era a composição do óleo, a quantidade usada e se ele estava em condições normais — o que deve constar no laudo sobre a substância, que ainda está em análise — e se o óleo foi o único responsável por causar a alergia no piloto.

O delegado quer descartar se, por exemplo, Gustavo não ingeriu alguma coisa anteriormente que tenha potencializado a reação alérgica.

Entenda a causa da morte do piloto

Rusllan Ribeiro, médico socorrista do Samu, explica como o corpo reage em situações de alergia grave, que, no vocabulário profissional, são conhecidas como choques anafiláticos.

Quando a pessoa tem uma sensibilidade muito alta a alguma substância o corpo faz uma reação inflamatória forte e, com ela, alguns componentes são soltos na circulação, como anti-inflamatórios, antihistamínicos e outros, para tentar combater a reação. Como muitos líquidos são soltos, alguns locais incham, o que é chamado de edema.

No caso da glote, parte da garganta que funciona como um “cano”, que leva ar para o pulmão, normalmente ela fica aberta para a passagem de ar. No entanto, com o edema ela fica obstruída – e, assim, a passagem de ar “fecha”.

“Como não está indo ar para o pulmão, ele não consegue oxigenar o sangue e não consegue levar nutrientes para o corpo e, aí chega no estágio da hipóxia, que é a falta total de oxigênio. Essa hipóxia acaba causando a parada cardiorrespiratória porque o sangue que está circulando no coração não está oxigenado pelo pulmão, que não está recebendo o ar da via aérea que foi fechada”, explica.

(Informações g1)

- Publicidade -

MAIS LIDAS